Solo e Sustentabilidade

Voçoroca: o que é, como se forma e como se contém

Nível de leitura: Ensino Médio

123 Ecos Redação

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Atualizado em: 31/10/2026

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Em poucas palavras

Voçoroca é a forma mais grave de erosão: a água da chuva concentrada abre crateras que podem chegar ao lençol freático. Ela começa como sulco, vira ravina e depois voçoroca. Em Buriticupu (MA), havia 23 voçorocas de até 70 m de profundidade em 2023, segundo pesquisador da UFMA ouvido pela Pesquisa FAPESP.

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A voçoroca é a forma mais grave de erosão do solo: um buraco profundo e comprido, aberto pela água da chuva concentrada em solos frágeis, que pode chegar ao lençol freático, a camada de água subterrânea (Pesquisa FAPESP, 20/4/2023). Os outros tipos de erosão estão em erosão do solo.

Do sulco à cratera

A voçoroca não aparece de uma vez. Pesquisadores ouvidos pela Pesquisa FAPESP descrevem três estágios (mesma fonte):

  1. Sulco: a enxurrada abre pequenos canais no chão.
  2. Ravina: os canais se aprofundam e passam de 1 metro.
  3. Voçoroca: a ravina alcança a água subterrânea. A partir daí, a água que escorre por baixo da terra também passa a cavar as paredes e o fundo, e o buraco cresce mesmo em dias sem chuva forte.

A geóloga Valéria Rodrigues (EESC-USP) explica que, “por meio das águas subsuperficiais e superficiais, uma voçoroca pode interferir nas outras, como um efeito cascata” (mesma fonte).

Por que se formam

Três fatores aparecem juntos na maioria dos casos (mesma fonte):

  • Solo frágil: em Buriticupu (MA), o solo é ácido, pobre em nutrientes e assentado sobre rochas sedimentares pouco resistentes.
  • Chuva forte: na mesma cidade, cerca de 2 mil litros por metro quadrado por ano.
  • Uso do solo: desmatamento, ocupação sem planejamento e ruas sem drenagem. Nas cidades, o asfalto não absorve a água, e as ruas viram canais que despejam a enxurrada de uma vez na borda dos terrenos. Claudio Luiz Ridente Gomes, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), resume o mecanismo: o problema começa “se a água da chuva é lançada de forma concentrada em uma velocidade acima do que o solo suporta”.

A terra arrancada não some: desce para rios e córregos e causa assoreamento.

Casos documentados

  • Buriticupu (MA): em março de 2023, o geógrafo Marcelino Farias Filho (UFMA) contava 23 voçorocas no município, com até 70 metros de profundidade e 600 metros de extensão, ameaçando 880 pessoas em 220 casas. O município decretou calamidade pública em 26 de março de 2023 (Pesquisa FAPESP). Numa decisão divulgada em 26/3/2025, a Justiça do Maranhão condenou o município a isolar as áreas de risco em 30 dias, pagar aluguel social às famílias em risco iminente, apresentar um plano de obras em 120 dias e recuperar as áreas degradadas em até quatro anos (TJMA, 26/3/2025).
  • Estado de São Paulo: um levantamento do IPT de 2015 registrou 1.398 processos erosivos em áreas urbanas de 326 municípios, dos quais 949 voçorocas e 449 ravinas (Pesquisa FAPESP).
  • Rio Preto da Eva (AM): entre 2019 e 2021, a maior de três voçorocas estudadas passou de 116 para 127 metros de comprimento e de 17,9 para 22,9 metros de profundidade. Ali o solo é argiloso, mais resistente, e as crateras foram atribuídas à expansão urbana e à falha na drenagem (mesma fonte).

Como se contém

Não existe solução única. O engenheiro-agrônomo Aluísio Andrade (Embrapa) diz que “o primeiro passo é estudar a região para fazer um diagnóstico do processo erosivo”. As técnicas citadas pelos pesquisadores (mesma fonte):

  • Controlar a água antes da borda: canalizar a chuva das ruas e levá-la, devagar, até um rio ou córrego. Uma das técnicas citadas na reportagem são as caixas de retenção, que guardam a água e reduzem a velocidade dela. O geógrafo Jurandyr Ross (USP) lembra que “existem muitas técnicas de engenharia para conter a água das chuvas, mas custam caro”.
  • Obras na encosta: terraços para desviar a água e patamares para diminuir a inclinação.
  • Vegetação: replantio com árvores de crescimento rápido. No morro do Radar (RJ), a Embrapa usou espécies como maricá e sabiá.
  • Tirar as pessoas do risco: isolar as áreas e retirar moradores, como pediu o pesquisador da UFMA em Buriticupu.

O erro mais comum é desviar a água sem planejar para onde ela vai. O geógrafo Antônio Vieira (Ufam) conta que, em Manaus, desviar a água de uma voçoroca abriu duas novas do outro lado da encosta, e que muitos canos de chuva “terminam no meio do caminho e não chegam até um curso d’água”. Para ele, monitorar custa menos do que conter depois (mesma fonte).

Termos vizinhos

Resumo: principais perguntas e respostas

O que é voçoroca?

É a forma mais grave de erosão: uma cratera aberta pela água da chuva concentrada, que pode chegar ao lençol freático.

Qual a diferença entre ravina e voçoroca?

A ravina é um canal de erosão com mais de 1 metro de profundidade; vira voçoroca quando alcança a água subterrânea e passa a crescer também por baixo.

O que causa a voçoroca?

Solo frágil, chuva forte e uso do solo sem cuidado, como desmatamento e ruas sem drenagem.

Onde há voçorocas no Brasil?

Em vários estados. Buriticupu (MA) decretou calamidade em 2023 por causa delas, e um levantamento do IPT de 2015 contou 949 voçorocas em áreas urbanas de São Paulo.

Dá para recuperar uma voçoroca?

Dá para contê-la: com drenagem planejada, obras na encosta e replantio, depois de um diagnóstico da área.

Fontes

Impresso de https://123ecos.com.br/docs/vocoroca-o-que-e-como-se-forma-e-como-se-contem/ · Atualizado em 31/10/2026 · 123 Ecos

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