123 Ecos Redação
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Atualizado em: 01/11/2026
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As formas de combater o aquecimento global são de dois tipos: as que dependem da escolha de cada pessoa, como a forma de se deslocar e de comer, e as que dependem de governos e empresas, como a energia que abastece a rede e as leis. A pesquisa já mediu quanto algumas escolhas pessoais podem cortar.
O que foi medido nas escolhas pessoais
Uma revisão de 53 estudos, publicada em 2020 na revista Environmental Research Letters por Diana Ivanova e outros autores, comparou 61 opções de consumo (SEI, resumo do estudo; DOI 10.1088/1748-9326/ab8589). Os números são potenciais de corte por pessoa, por ano, em toneladas de CO₂ equivalente (tCO₂e), uma medida que soma os gases de efeito estufa:
| Área | Opções com maior potencial | O que o estudo informa |
|---|---|---|
| Transporte | viver sem carro, trocar para carro elétrico a bateria, um voo longo de ida e volta a menos | no voo, mediana de mais de 1,7 tCO₂e |
| Casa | eletricidade de fonte renovável, reforma da casa para gastar menos energia | medianas de 1,6 e 0,9 tCO₂e |
| Comida | dieta vegana | média de 0,9 e mediana de 0,8 tCO₂e |
Os autores dizem que as dez opções mais fortes somam, em média, cerca de 9,2 tCO₂e por pessoa, com peso maior “particularly in high-income context” (“sobretudo em contextos de alta renda”). Leitura nossa: os números valem para quem já emite muito; quem não tem carro nem viaja de avião não tem esse corte a fazer.
O que depende de governos e empresas
Algumas das opções da tabela só existem se houver oferta: eletricidade renovável na rede, transporte público, carro elétrico à venda. Do lado das empresas, um relatório do CDP com o Climate Accountability Institute (2017) atribuiu a 100 produtores de combustíveis fósseis 71% das emissões industriais de gases de efeito estufa desde 1988, contando a queima do carvão, do petróleo e do gás que eles venderam (cerca de 90%) e as emissões da operação das próprias empresas (cerca de 10%). Nas palavras do CDP, “71% of all global GHG emissions since 1988 can be traced to just 100 fossil fuel producers”, número que, pela nota do próprio comunicado, deixa de fora fontes “non-industrial”, como o desmatamento (CDP, 10/7/2017).
Quanto o IPCC estima que mudanças do lado da demanda podem cortar até 2050 está em Mitigação.
O que foi medido e o que é só promessa
- Estimado por revisão de estudos: o potencial de corte das ações de consumo (Ivanova e outros, 2020).
- Atribuição de emissões passadas: 71% das emissões industriais desde 1988 a 100 produtores (CDP, 2017).
- Não é medida de resultado: os potenciais dizem quanto se pode cortar, não quanto já foi cortado.
Resumo: principais perguntas e respostas
As que dependem de cada pessoa, como transporte e alimentação, e as que dependem de governos e empresas, como a energia da rede e as leis.
Pela revisão de Ivanova e outros (2020), viver sem carro, trocar para carro elétrico e deixar de fazer um voo longo estão entre as maiores.
No mesmo estudo, a dieta vegana tem média de 0,9 tCO₂e por pessoa por ano.
O CDP atribuiu a 100 produtores de combustíveis fósseis 71% das emissões industriais desde 1988, somando a queima do que venderam e a operação das próprias empresas.
Fontes
- Ivanova, D. e outros. Quantifying the potential for climate change mitigation of consumption options. Environmental Research Letters, 2020. DOI 10.1088/1748-9326/ab8589. Resumo no SEI.
- CDP. New report shows just 100 companies are source of over 70% of emissions. 10/7/2017.
O tema completo, reunido na vitrine Clima e Mudanças Climáticas →
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