123 Ecos Redação
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Atualizado em: 02/11/2026
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O racionamento de 2001 foi o corte obrigatório no consumo de energia elétrica que o Brasil viveu de junho de 2001 a fevereiro de 2002. A crise exigiu “reduzir em 20%” o consumo em quase todo o país (Diário do Nordeste, 6/9/2021).
O que as regras mandaram cortar
A Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE), criada pelo governo federal, publicou em 16/5/2001 a Resolução GCE nº 1, para as distribuidoras do Sudeste, do Centro-Oeste e do Nordeste (Resolução GCE nº 1/2001). Entre as medidas:
- suspensão de novas ligações e de aumento de carga, com exceção das residenciais e rurais;
- suspensão de energia para eventos esportivos à noite e para fins ornamentais, como monumentos e chafarizes (a lista desse item foi mudada em julho de 2001, pela Resolução GCE nº 28);
- redução de pelo menos 35% na iluminação pública até 30/6/2001.
A resolução foi revogada a partir de 1º/3/2002.
Quando acabou
No Nordeste, os cortes obrigatórios foram suspensos em 28/2/2002, depois que os reservatórios chegaram a 55% da capacidade, e a região economizou 15,5% de energia no período, pela Agência Brasil (Agência Brasil, 2002).
O que causou a crise, pela comissão oficial
Em 22/5/2001, um decreto criou a Comissão de Análise do Sistema Hidrotérmico de Energia Elétrica, coordenada por Jerson Kelman. O relatório, de 21/7/2001, concluiu (Relatório da Comissão):
| Pergunta | Resposta do relatório |
|---|---|
| A falta de chuva causou a crise? | “A hidrologia adversa, por si só, não teria sido suficiente para causar a crise” (p. 5); ela “teve o efeito de precipitar a crise” (p. 4) |
| O consumo cresceu demais? | “O aumento do consumo de energia correspondeu aos valores previstos e não teve qualquer influência na crise de suprimento” (p. 5) |
| Qual foi o fator principal? | “A não implementação de obras responde por quase dois terços da energia não aportada” e é “o fator predominante para a ocorrência da crise de suprimento” (p. 7) |
| E os atrasos? | “O efeito agregado dos atrasos, cerca de 22 mil GWh, equivale a 15% da capacidade de armazenamento” (p. 6) |
O que foi medido e o que é só promessa
- Medido: economia de 15,5% no Nordeste (Agência Brasil, 2002); energia que faltou por obras não feitas e atrasadas (relatório da comissão, 2001).
- Não encontrado: nas fontes consultadas, até 2/11/2026, não encontramos em fonte oficial aberta o número nacional de economia durante o racionamento.
Resumo: principais perguntas e respostas
O corte obrigatório no consumo de energia de junho de 2001 a fevereiro de 2002, com meta de cerca de 20%.
Nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, pela Resolução GCE nº 1/2001.
Pela comissão oficial, sobretudo obras de geração e transmissão não feitas ou atrasadas; a falta de chuva só precipitou a crise.
Não. O relatório diz que o consumo cresceu como previsto e não teve influência na crise.
Fontes
- Comissão de Análise do Sistema Hidrotérmico de Energia Elétrica. Relatório, Brasília, 21/7/2001.
- Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica. Resolução GCE nº 1, de 16/5/2001 (Planalto).
- Agência Brasil. Northeast saves 15.5% energy during rationing period, 28/2/2002.
- Diário do Nordeste. Há 20 anos, Ceará viveu racionamento de energia elétrica durante oito meses, 6/9/2021.
Impresso de https://123ecos.com.br/docs/racionamento-de-energia-de-2001-o-que-foi-e-o-que-causou-a-crise/ · Atualizado em 02/11/2026 · 123 Ecos

