123 Ecos Redação
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Atualizado em: 01/11/2026
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Convivência com o semiárido é o nome de uma proposta para viver e produzir numa região onde chove pouco e a chuva se concentra em poucos meses. Em vez de tratar a seca como uma emergência a combater, a ideia é guardar a água da chuva para os meses secos. A Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), rede de cerca de 3 mil organizações da sociedade civil, resume assim: “em contraponto à lógica de combate à seca, a ASA propõe a convivência com o Semiárido” (ASA, Sistematização de Experiências de Convivência com o Semiárido, 2024).
O que é o Semiárido, pela regra oficial
O Semiárido brasileiro é uma região delimitada pela Sudene, a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste, para orientar políticas públicas. Um município entra se atender a pelo menos um de três critérios “em qualquer porção do seu território” (IBGE, Semiárido brasileiro, quadro geográfico de referência, malha de 2025):
| Critério | Limite |
|---|---|
| Chuva média anual | igual ou menor que 800 mm |
| Índice de aridez de Thornthwaite | igual ou menor que 0,50 |
| Dias com déficit hídrico | 60% ou mais dos dias do ano |
O índice de aridez de Thornthwaite é uma medida de quão seco é o clima de um lugar. O déficit hídrico acontece quando sai mais água do solo do que entra.
Pelo IBGE, com as resoluções da Sudene de 2017 a 2024, o Semiárido tem 1.477 municípios em 11 estados: Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo (mesma fonte). A lista é revista de tempos em tempos. Em dezembro de 2023, o conselho da Sudene manteve por um ano, por causa do El Niño, 50 municípios que poderiam sair da região (Sudene, Proposição 179/2023).
A falta de água por longos períodos é explicada em estresse hídrico, e o risco de o solo virar deserto, em desertificação do solo. O rio que atravessa boa parte da região está em Bacia do Rio São Francisco.
Guardar a água da chuva
A convivência se apoia em tecnologias sociais: obras simples, feitas com as famílias e com material da região. As principais guardam a água da chuva para usos diferentes.
Para beber e cozinhar. A cisterna de placas, de cimento, guarda a água que cai no telhado. No programa Um Milhão de Cisternas (P1MC), da ASA, ela tem “capacidade para 16 mil litros”, para o consumo da casa (ASA, 2024). O programa federal que financia essas cisternas está em coleta de água da chuva.
Para produzir. A Embrapa descreve outras obras, voltadas à horta, às plantas e aos animais (Embrapa, Tecnologias sociais hídricas para a convivência com o semiárido brasileiro):
| Tecnologia | Como é, pela Embrapa |
|---|---|
| Cisterna-calçadão | um “calçadão de cimento construído sobre o solo de 200 m²” leva a chuva a um “reservatório com capacidade para 52 mil litros” |
| Cisterna de enxurrada | reservatório de 52 mil litros, enterrado, que recebe a água que escorre pelo chão, pela estrada ou por um córrego, passando antes por caixas que seguram a areia |
| Barragem subterrânea | uma parede impermeável construída dentro do solo segura a água que corre por baixo da terra, que fica disponível por três a seis meses depois das chuvas |
| Barreiro-trincheira | tanques longos, estreitos e fundos, cavados em terreno plano, com até 500 mil litros, para os animais e a produção |
Como a barragem subterrânea serve à lavoura sem irrigação está em agricultura de sequeiro.
Mais que obras
Para a ASA, a convivência não é só guardar água: inclui formas “mais sustentáveis e socialmente justas” de distribuir água, terra, renda e oportunidades na região (ASA, 2024). A Embrapa destaca o “respeito aos conhecimentos locais e à cultura do povo sertanejo” no desenho dessas tecnologias (Embrapa, mesma fonte).
Um engano comum
“Semiárido e Caatinga são a mesma coisa.” Não. O Semiárido é uma região definida por critérios de chuva e de falta de água, para políticas públicas. A Caatinga é um bioma, definido pela vegetação. Pela Embrapa, a Caatinga é “o bioma mais representativo do Semiárido brasileiro”, mas ali também há “enclaves de florestas” com espécies da Mata Atlântica e trechos de Cerrado (Embrapa, Carbono no Semiárido brasileiro). O bioma está explicado em Caatinga.
Resumo: principais perguntas e respostas
É a proposta de guardar a água da chuva e organizar a produção para os meses secos, em vez de tratar a seca como emergência. A expressão é usada pela ASA, rede de organizações da sociedade civil.
Chuva média anual de até 800 mm, índice de aridez de até 0,50 ou falta de água no solo em 60% ou mais dos dias do ano.
1.477, em 11 estados, pelo IBGE com as resoluções da Sudene até 2024.
A de placas, para beber, guarda 16 mil litros da água do telhado. A cisterna-calçadão e a de enxurrada guardam 52 mil litros para a horta e os animais.
Não. A Caatinga é o bioma principal do Semiárido, mas a região também tem trechos de mata e de Cerrado.
Fontes
- IBGE. Semiárido brasileiro: quadro geográfico de referência. Malha territorial de 2025 (Resoluções do Conselho Deliberativo da Sudene nº 107 e 115/2017, 150/2021, 155/2022, 163/2022 e 176/2024).
- Sudene. Proposição nº 179/2023. Conselho Deliberativo, dezembro de 2023.
- Articulação Semiárido Brasileiro (ASA). Sistematização de Experiências de Convivência com o Semiárido. 2024.
- Embrapa. Tecnologias sociais hídricas para a convivência com o semiárido brasileiro. Dados até agosto de 2020.
- Embrapa. Carbono no Semiárido brasileiro. Capítulo de Vanderlise Giongo, sem data no trecho aberto.
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