123 Ecos Redação
Nossa equipe de redação é formada por especialistas pós graduados em diversas áreas e são apaixonados pelo tema Sustentabilidade
Atualizado em: 01/11/2026
Nesta página
A poluição luminosa é o excesso de luz artificial, ou a luz mal direcionada, que clareia o céu à noite e chega aonde não precisa chegar. Ela esconde as estrelas, muda o ambiente noturno e confunde animais que se orientam pela luz natural. A iluminação em si, com os tipos de lâmpada e a eficiência, está em iluminação artificial.
Quanto do mundo vive sob céu iluminado
Em 2016, um grupo de pesquisadores publicou na revista Science Advances um novo atlas mundial do brilho artificial do céu noturno, feito com dados de satélite e medidas no chão. Segundo o resumo do estudo (Falchi e outros, Science Advances, 2016):
- mais de 80% da população do mundo, e mais de 99% da população dos Estados Unidos e da Europa, vive sob céu poluído por luz;
- a Via Láctea está escondida para mais de um terço da humanidade.
O céu está ficando mais claro
Os satélites não captam bem toda a luz que chega ao céu. Por isso, um estudo publicado na revista Science em janeiro de 2023 usou outro método: 51.351 observações de cidadãos, que contaram a olho nu as estrelas que conseguiam ver, entre 2011 e 2022, no projeto Globe at Night. O resultado foi um aumento médio de 9,6% ao ano no brilho do céu visto do chão. No mesmo período, os satélites mediram cerca de 2% ao ano, em parte porque não captam bem a luz azul que as lâmpadas de LED emitem mais (Science News, 19/1/2023, sobre Kyba e outros, Science, 2023).
As tartarugas marinhas
No Brasil, o caso mais estudado é o das tartarugas marinhas. As fêmeas sobem à praia à noite para pôr os ovos, e os filhotes, ao nascer, precisam chegar ao mar. Um estudo técnico de 1992, guardado na biblioteca do Projeto Tamar, fez experimentos com filhotes de tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) numa praia de Camaçari, na Bahia. Ele concluiu que as luzes artificiais perto das praias de desova “desorientam estes filhotes, atraindo-os em direção às mesmas”, e que a iluminação perto da linha da praia afasta as fêmeas que vêm desovar. Qualquer ponto de luz que chegue à praia pode desorientar os filhotes, mesmo a mais de 500 metros (Ferreira e outros, 1992).
Nos testes, a luminária com o braço voltado para o mar desorientou até 94% dos filhotes; virar o braço para a rua reduziu a desorientação (mesma fonte).
Por isso a lei trata essas praias de forma especial. A Resolução Conama nº 10, de 1996, diz que o licenciamento de atividades nas praias onde há desova de tartarugas marinhas depende de avaliação e recomendação do Ibama, ouvido o Centro Tamar, e lista os trechos do litoral de sete estados (Resolução Conama 10/1996). Em 2026, o Ministério Público Federal em Sergipe reafirmou que as fontes de luz artificial podem desorientar fêmeas e filhotes e discutiu ajustes na iluminação de instalações perto do litoral (MPF, 29/1/2026).
O que os estudos indicam para reduzir
- Direcionar a luz. No estudo de 1992, virar o braço da luminária para longe da praia reduziu a desorientação dos filhotes (Ferreira e outros, 1992).
- Cor da luz. O estudo de 1992 cita uma pesquisa de 1990 segundo a qual as lâmpadas de vapor de sódio de baixa pressão, de luz amarela (550 a 600 nanômetros), afetam menos os filhotes; essa lâmpada não foi testada no estudo (mesma fonte).
- Apagar ou reduzir. O estudo recomendou campanhas para apagar, reduzir ou adaptar a iluminação das casas perto das praias de desova na época de reprodução (mesma fonte).
- Acender só quando é preciso. Sensores de presença e de luz do dia ajudam a acender a luz só quando ela é necessária, como mostra a postagem sobre iluminação artificial.
Um engano comum
“Poluição luminosa é só um problema de quem gosta de olhar estrelas.” Não. Além de esconder o céu, a luz fora de hora confunde animais. O estudo de 1992 cita uma pesquisa de 1963 segundo a qual os filhotes de tartaruga atraídos pela luz para longe do mar podem levar a uma mortalidade de até 95% num mesmo ninho (Ferreira e outros, 1992).
Resumo: principais perguntas e respostas
É o excesso de luz artificial, ou a luz mal direcionada, que clareia o céu à noite e chega aonde não precisa.
Mais de 80% da população mundial, segundo o atlas publicado na Science Advances em 2016. Mais de um terço da humanidade não vê a Via Láctea.
Sim. Um estudo de 2023 com observações de cidadãos achou um aumento médio de 9,6% ao ano no brilho do céu entre 2011 e 2022.
A luz perto das praias desorienta os filhotes, que vão para a luz em vez de ir para o mar, e afasta as fêmeas que vêm desovar.
Os estudos citam direcionar a luz para longe de áreas sensíveis, como as praias de desova, usar luz de cor que afeta menos os animais e acender só quando é preciso.
Fontes
- Falchi, F. e outros. The new world atlas of artificial night sky brightness. Science Advances, v. 2, n. 6, e1600377, 2016.
- Science News. New data show how quickly light pollution is obscuring the night sky. 19/1/2023 (sobre Kyba, C. e outros, Science, 20/1/2023).
- Ferreira, S. N. M.; Moreira Filho, G. C.; Patiri, V. J. A. Influência da iluminação artificial na reprodução das tartarugas marinhas. XV Seminário Nacional de Distribuição de Energia Elétrica, setembro de 1992 (biblioteca do Projeto Tamar).
- Conama. Resolução nº 10, de 24 de outubro de 1996. Base FAOLEX.
- MPF em Sergipe. MPF articula medidas para reduzir impactos de iluminação artificial em áreas de desova de tartarugas marinhas. 29/1/2026.
Impresso de https://123ecos.com.br/docs/poluicao-luminosa-o-que-e-como-afeta-o-ceu-e-os-animais/ · Atualizado em 01/11/2026 · 123 Ecos

