Poluição Urbana, Industrial e Problemas Ambientais Globais

Poluição luminosa: o que é, como afeta o céu e os animais

Nível de leitura: Ensino Médio

123 Ecos Redação

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Atualizado em: 01/11/2026

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Em poucas palavras

A poluição luminosa é o excesso ou o mau direcionamento da luz artificial, que clareia o céu à noite. Segundo um atlas de 2016, mais de 80% da população mundial vive sob céu poluído por luz, e mais de um terço não vê a Via Láctea. Um estudo de 2023 com observações de cidadãos achou um aumento médio de 9,6% ao ano no brilho do céu. No Brasil, a luz perto das praias desorienta filhotes de tartaruga marinha.

Via Láctea sobre a Pedra do Baú e luzes das cidades no vale, contraste que mostra a poluição luminosa
Via Láctea sobre o Monumento Natural Estadual da Pedra do Baú, em São Bento do Sapucaí (SP), com o brilho das cidades no vale abaixo, em 1º de junho de 2025. Foto: Thiagomarcelcampi, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons. Imagem recortada e redimensionada; esta versão segue a mesma licença.
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A poluição luminosa é o excesso de luz artificial, ou a luz mal direcionada, que clareia o céu à noite e chega aonde não precisa chegar. Ela esconde as estrelas, muda o ambiente noturno e confunde animais que se orientam pela luz natural. A iluminação em si, com os tipos de lâmpada e a eficiência, está em iluminação artificial.

Quanto do mundo vive sob céu iluminado

Em 2016, um grupo de pesquisadores publicou na revista Science Advances um novo atlas mundial do brilho artificial do céu noturno, feito com dados de satélite e medidas no chão. Segundo o resumo do estudo (Falchi e outros, Science Advances, 2016):

  • mais de 80% da população do mundo, e mais de 99% da população dos Estados Unidos e da Europa, vive sob céu poluído por luz;
  • a Via Láctea está escondida para mais de um terço da humanidade.

O céu está ficando mais claro

Os satélites não captam bem toda a luz que chega ao céu. Por isso, um estudo publicado na revista Science em janeiro de 2023 usou outro método: 51.351 observações de cidadãos, que contaram a olho nu as estrelas que conseguiam ver, entre 2011 e 2022, no projeto Globe at Night. O resultado foi um aumento médio de 9,6% ao ano no brilho do céu visto do chão. No mesmo período, os satélites mediram cerca de 2% ao ano, em parte porque não captam bem a luz azul que as lâmpadas de LED emitem mais (Science News, 19/1/2023, sobre Kyba e outros, Science, 2023).

As tartarugas marinhas

No Brasil, o caso mais estudado é o das tartarugas marinhas. As fêmeas sobem à praia à noite para pôr os ovos, e os filhotes, ao nascer, precisam chegar ao mar. Um estudo técnico de 1992, guardado na biblioteca do Projeto Tamar, fez experimentos com filhotes de tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) numa praia de Camaçari, na Bahia. Ele concluiu que as luzes artificiais perto das praias de desova “desorientam estes filhotes, atraindo-os em direção às mesmas”, e que a iluminação perto da linha da praia afasta as fêmeas que vêm desovar. Qualquer ponto de luz que chegue à praia pode desorientar os filhotes, mesmo a mais de 500 metros (Ferreira e outros, 1992).

Nos testes, a luminária com o braço voltado para o mar desorientou até 94% dos filhotes; virar o braço para a rua reduziu a desorientação (mesma fonte).

Por isso a lei trata essas praias de forma especial. A Resolução Conama nº 10, de 1996, diz que o licenciamento de atividades nas praias onde há desova de tartarugas marinhas depende de avaliação e recomendação do Ibama, ouvido o Centro Tamar, e lista os trechos do litoral de sete estados (Resolução Conama 10/1996). Em 2026, o Ministério Público Federal em Sergipe reafirmou que as fontes de luz artificial podem desorientar fêmeas e filhotes e discutiu ajustes na iluminação de instalações perto do litoral (MPF, 29/1/2026).

O que os estudos indicam para reduzir

  • Direcionar a luz. No estudo de 1992, virar o braço da luminária para longe da praia reduziu a desorientação dos filhotes (Ferreira e outros, 1992).
  • Cor da luz. O estudo de 1992 cita uma pesquisa de 1990 segundo a qual as lâmpadas de vapor de sódio de baixa pressão, de luz amarela (550 a 600 nanômetros), afetam menos os filhotes; essa lâmpada não foi testada no estudo (mesma fonte).
  • Apagar ou reduzir. O estudo recomendou campanhas para apagar, reduzir ou adaptar a iluminação das casas perto das praias de desova na época de reprodução (mesma fonte).
  • Acender só quando é preciso. Sensores de presença e de luz do dia ajudam a acender a luz só quando ela é necessária, como mostra a postagem sobre iluminação artificial.

Um engano comum

“Poluição luminosa é só um problema de quem gosta de olhar estrelas.” Não. Além de esconder o céu, a luz fora de hora confunde animais. O estudo de 1992 cita uma pesquisa de 1963 segundo a qual os filhotes de tartaruga atraídos pela luz para longe do mar podem levar a uma mortalidade de até 95% num mesmo ninho (Ferreira e outros, 1992).

Resumo: principais perguntas e respostas

O que é poluição luminosa?

É o excesso de luz artificial, ou a luz mal direcionada, que clareia o céu à noite e chega aonde não precisa.

Quantas pessoas vivem sob céu poluído por luz?

Mais de 80% da população mundial, segundo o atlas publicado na Science Advances em 2016. Mais de um terço da humanidade não vê a Via Láctea.

A poluição luminosa está aumentando?

Sim. Um estudo de 2023 com observações de cidadãos achou um aumento médio de 9,6% ao ano no brilho do céu entre 2011 e 2022.

Como a luz afeta as tartarugas marinhas?

A luz perto das praias desorienta os filhotes, que vão para a luz em vez de ir para o mar, e afasta as fêmeas que vêm desovar.

Como reduzir a poluição luminosa?

Os estudos citam direcionar a luz para longe de áreas sensíveis, como as praias de desova, usar luz de cor que afeta menos os animais e acender só quando é preciso.

Fontes

Impresso de https://123ecos.com.br/docs/poluicao-luminosa-o-que-e-como-afeta-o-ceu-e-os-animais/ · Atualizado em 01/11/2026 · 123 Ecos

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