123 Ecos Redação
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Atualizado em: 03/11/2026
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material particulado (MP) é o nome dado às partículas sólidas e às gotículas suspensas no ar. Elas são medidas pelo tamanho, em micrômetros (µm), a milésima parte do milímetro. Pela agência ambiental dos Estados Unidos (EPA), o MP10 reúne as partículas inaláveis com diâmetro “generally 10 micrometers and smaller”, e o MP2,5, as partículas finas com diâmetro “generally 2.5 micrometers and smaller”. Para comparar, “the average human hair is about 70 micrometers in diameter” (EPA, Particulate Matter Basics, tradução nossa). A poluição do ar em geral está em Poluição do Ar.
Ficha do poluente
| Sigla | MP10 (até 10 µm) e MP2,5 (até 2,5 µm) |
|---|---|
| Tamanho | o fio de cabelo médio tem cerca de 70 µm (EPA) |
| Do que é feito | sulfatos, nitratos, amônia, cloreto de sódio, carbono negro, poeira mineral e água (OMS) |
| De onde vem pronto | obras, estradas de terra, campos, chaminés e incêndios (EPA) |
| De onde vem formado no ar | reações de gases como o dióxido de enxofre e os óxidos de nitrogênio, que saem de usinas, indústrias e carros (EPA) |
Pela EPA, a maior parte das partículas “form in the atmosphere as a result of complex reactions of chemicals”, ou seja, se forma no próprio ar. Um dos gases que dão origem a elas é o dióxido de enxofre.
O que as partículas causam
Na saúde. Pela EPA, as partículas menores que 10 µm podem entrar fundo nos pulmões, e algumas chegam ao sangue; as menores que 2,5 µm são as de maior risco. A Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que há “strong evidence for the negative health impacts” da exposição a esse poluente e que o material particulado fino “causes cardiovascular and respiratory disease, and cancers” (OMS, qualidade do ar e saúde, 24/10/2024-air-quality-and-health), tradução nossa).
Câncer. Em 17 de outubro de 2013, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), da OMS, classificou a Poluição do ar exterior como cancerígena para humanos (Grupo 1). O material particulado, “a major component of outdoor air pollution”, também foi posto no Grupo 1. A evidência mais forte é para o câncer de pulmão (IARC, comunicado nº 221, 17/10/2013, tradução nossa).
No ar. Pela EPA, as partículas finas são a principal causa da perda de visibilidade, a névoa que encobre a paisagem.
Os limites do Brasil
Os padrões de qualidade do ar do país estão na Resolução Conama 506/2024. Para as partículas, são estes (Resolução Conama 506/2024):
| Poluente | Média | Vale em 2026 (PI-2) | Padrão final (OMS 2021) |
|---|---|---|---|
| MP2,5 | 24 horas | 50 µg/m³ | 15 µg/m³ |
| MP2,5 | anual | 17 µg/m³ | 5 µg/m³ |
| MP10 | 24 horas | 100 µg/m³ | 45 µg/m³ |
| MP10 | anual | 35 µg/m³ | 15 µg/m³ |
As etapas da resolução e os limites dos outros poluentes estão em Poluição do Ar.
O que a Cetesb mediu em 2024
A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) mede partículas em dezenas de estações. Em 2024, foram 52 estações de MP10 e 44 de MP2,5. O boletim usa os padrões do estado (Decreto Estadual nº 59.113/2013), com os mesmos números da etapa em vigor da Conama 506: 50 e 17 µg/m³ para o MP2,5, e 100 e 35 µg/m³ para o MP10 (Cetesb, Boletim Anual da Qualidade do Ar 2024, p. 15 e 18):
- MP2,5 na Grande São Paulo: todas as estações automáticas com dados suficientes passaram do limite de 24 horas em algum dia, e 12 delas (50%) passaram do limite anual. A maior média anual foi a da estação Marginal Tietê-Ponte dos Remédios, com 23 µg/m³ (p. 16 e 18).
- MP2,5 no interior: das 13 estações com dados suficientes, 11 passaram do limite de 24 horas, e 4 (31%) do anual. As maiores médias anuais foram as de Ribeirão Preto e Rio Claro, com 20 µg/m³ (p. 17 e 18).
- MP10: a maior média anual entre as estações automáticas foi a de Cubatão-Vila Parisi, com 104 µg/m³, quase três vezes o limite anual de 35 µg/m³ pela nossa conta (p. 14).
O que foi medido e o que é só promessa
- Medido: em 2024, metade das estações de MP2,5 da Grande São Paulo com dados suficientes passou do limite anual de 17 µg/m³, segundo a Cetesb.
- Regra em vigor: a etapa PI-2 da Conama 506/2024, desde 1º/1/2025.
- Promessa: o padrão final, igual aos valores da OMS de 2021 (5 µg/m³ por ano para o MP2,5), ainda sem data, segundo a resolução.
Resumo: principais perguntas e respostas
São partículas sólidas e gotículas suspensas no ar, medidas pelo tamanho: o MP10 tem até 10 micrômetros, e o MP2,5, até 2,5.
Parte sai pronta de obras, estradas de terra, chaminés e incêndios. A maior parte se forma no ar, a partir de gases como o dióxido de enxofre e os óxidos de nitrogênio, segundo a EPA.
Pela OMS, o material particulado fino causa doenças do coração e dos pulmões e câncer. A IARC o classificou como cancerígeno para humanos em 2013.
Em 2026, 17 µg/m³ na média anual de MP2,5 e 35 µg/m³ na de MP10, pela Resolução Conama 506/2024.
Em São Paulo, em 2024, metade das estações de MP2,5 da região metropolitana com dados suficientes passou do limite anual, segundo a Cetesb.
Fontes
- EPA (Estados Unidos). Particulate Matter (PM) Basics. Consultado em 2/11/2026.
- Organização Mundial da Saúde. Ambient (outdoor) air quality and health-air-quality-and-health), 24/10/2024.
- IARC. Outdoor air pollution a leading environmental cause of cancer deaths, comunicado nº 221, 17/10/2013.
- Conama. Resolução nº 506/2024.
- Cetesb. Qualidade do Ar do Estado de São Paulo: Boletim Anual 2024.
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