Poluição Hídrica e Oceânica

Algas nocivas e toxinas em moluscos: o que a regra exige

Nível de leitura: Ensino Médio

123 Ecos Redação

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Atualizado em: 03/11/2026

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Em poucas palavras

Algumas microalgas do mar produzem toxinas que se acumulam em ostras, mexilhões e berbigões. No Brasil, a Portaria SDA/MAPA nº 884/2023 fixa o limite de quatro grupos dessas toxinas e manda proibir a retirada dos moluscos quando as amostras passam do limite. A liberação só vem depois de dois resultados seguidos dentro da regra. Em 2025, Guaratuba (PR) teve a retirada suspensa por oito dias.

Toxinas em moluscos: fazenda de mexilhões no mar com mancha de algas avermelhadas e técnica coletando amostras
Quando é seguro comer ostra e mexilhão? Imagem gerada por IA.
Nesta página

As toxinas em moluscos vêm de microalgas marinhas. Quando essas algas se multiplicam muito, elas formam as florações, que às vezes mudam a cor da água e ganham o nome de maré vermelha, como está em Algas. As toxinas se acumulam em ostras, mexilhões e berbigões. Por isso, a regra sanitária mede as toxinas na carne dos moluscos de cultivo e de extrativismo, e não só na água. O cultivo no mar está em Maricultura.

A regra: Portaria SDA/MAPA nº 884/2023

A vigilância é feita pelo Programa Nacional de Moluscos Bivalves Seguros (MoluBiS), aprovado pela Portaria SDA/MAPA nº 884, de 6 de setembro de 2023, do Ministério da Agricultura e Pecuária. Ela vale desde 1º de abril de 2024 (art. 98) e revogou a norma anterior, a Instrução Normativa Interministerial MPA/MAPA nº 7, de 8 de maio de 2012 (art. 97, I) (Portaria SDA/MAPA nº 884/2023).

Os limites (art. 48). As ficotoxinas, toxinas produzidas por microalgas, têm estes limites por quilo de molusco:

Grupo de toxinaLimite
Saxitoxinas (em equivalente de saxitoxina)0,8 mg/kg
Ácido ocadaico (em equivalente de ácido ocadaico)0,16 mg/kg
Ácido domoico20 mg/kg
Azaspirácidos (em equivalente)0,16 mg/kg

Nos moluscos de água doce, vale só o limite de saxitoxina (art. 48, § 1º). Para as toxinas de cianobactérias em cultivos de água doce, valem os padrões do Ministério da Saúde para a água de beber (art. 49).

O que acontece quando passa do limite

  • Retirada proibida: a área de vigilância entra na situação de retirada proibida quando as amostras passam do limite de ficotoxinas (art. 55, II).
  • Interdição: os estabelecimentos da área são interditados por auto de interdição. Os moluscos não podem ser movimentados e podem ser destruídos ou ter outro destino que não o consumo, com autorização do órgão estadual (art. 57).
  • Volta à liberação: só depois de dois resultados seguidos dentro do limite, com pelo menos 72 horas entre as coletas (art. 55, § 1º).
  • Quem executa: os órgãos estaduais de sanidade agropecuária coordenam o controle da retirada (art. 93).

Um caso: Guaratuba (PR), 2025

Em 31 de março de 2025, a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) suspendeu a retirada e a venda de ostras, mexilhões e berbigões das áreas de cultivo e de extrativismo de Guaratuba, no litoral do estado. O exame encontrou ácido ocadaico, toxina produzida por “microalgas marinhas”, em 181,2 µg/kg, acima do limite de 160 µg/kg (Adapar, 31/3/2025). Pela nossa conta, 160 µg/kg são os mesmos 0,16 mg/kg do art. 48.

Em 8 de abril de 2025, a Adapar liberou de novo a retirada e a venda, depois de dois resultados dentro do limite, de amostras coletadas em 31 de março e 3 de abril (Adapar, 8/4/2025).

O que a água tem a ver

O excesso de nutrientes na água e o crescimento das algas estão em Eutrofização. Na água doce, o problema mais conhecido é o das cianobactérias, tratado em outra página desta base sobre o caso de Caruaru (1996).

O que foi medido e o que é só promessa

  • Regra em vigor: a Portaria SDA/MAPA nº 884/2023, desde 1º/4/2024, com limites para quatro grupos de ficotoxinas.
  • Medido: em Guaratuba (PR), 181,2 µg/kg de ácido ocadaico em 2025, acima do limite de 160 µg/kg, segundo a Adapar.
  • Em aberto: nas fontes consultadas, até 2/11/2026, não encontramos balanço oficial nacional de quantas áreas tiveram a retirada proibida por ficotoxinas desde que o MoluBiS entrou em vigor.

Resumo: principais perguntas e respostas

De onde vêm as toxinas dos moluscos?

De microalgas marinhas. As toxinas se acumulam em ostras, mexilhões e berbigões.

Qual norma controla?

A Portaria SDA/MAPA nº 884/2023, que criou o programa MoluBiS e vale desde 1º de abril de 2024.

Quais são os limites?

0,8 mg/kg de saxitoxinas, 0,16 mg/kg de ácido ocadaico, 20 mg/kg de ácido domoico e 0,16 mg/kg de azaspirácidos (art. 48).

O que acontece quando passa do limite?

A retirada dos moluscos da área é proibida e só volta depois de dois resultados seguidos dentro do limite, com pelo menos 72 horas entre as coletas.

Isso já aconteceu?

Sim. Em 2025, Guaratuba (PR) teve a retirada suspensa de 31 de março a 8 de abril, segundo a Adapar.

Fontes

Impresso de https://123ecos.com.br/docs/algas-nocivas-e-toxinas-em-moluscos-o-que-a-regra-exige/ · Atualizado em 03/11/2026 · 123 Ecos

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