123 Ecos Redação
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Atualizado em: 03/11/2026
Nesta página
Os processos oxidativos avançados (POA) são formas de tratar água, efluentes e solos contaminados por compostos orgânicos. Pela revisão de Nogueira e outros, publicada na revista Química Nova em 2007, eles “são definidos como os processos baseados na formação de radical hidroxila (·OH), altamente oxidante” (p. 400). Esse radical “é capaz de oxidar uma ampla variedade de compostos orgânicos a CO2, H2O e íons inorgânicos” (p. 400): ele quebra o poluente até sobrar gás carbônico, água e íons.
O radical hidroxila pode ser formado de vários jeitos. Pelo mesmo artigo, ele surge da “combinação de oxidantes como ozônio e peróxido de hidrogênio com irradiação ultravioleta (UV) ou visível (Vis) e catalisadores, como íons metálicos ou semicondutores” (p. 400). Esta página detalha um desses caminhos, o processo Fenton.
O processo Fenton
O nome vem do químico que, “há mais de um século”, relatou a oxidação de uma substância orgânica “na presença de sais ferrosos e peróxido de hidrogênio” (p. 401); a referência do artigo é de 1894. Na reação, o ferro na forma Fe2+ reage com o peróxido de hidrogênio (a água oxigenada), passa a Fe3+ e libera o radical hidroxila, que ataca o poluente (p. 401).
O foto-Fenton: a luz ajuda
No foto-Fenton, a luz entra no processo. Pelo artigo, uma forma do ferro dissolvido absorve luz até cerca de 400 nm, “o que permite que a irradiação solar seja utilizada na reação foto-Fenton” (p. 402).
O limite: o pH
O Fenton funciona melhor numa faixa estreita de acidez. Pela revisão, “uma estreita faixa de pH, entre 2,5 e 3,0, proporciona uma máxima eficiência de degradação” (p. 402). Acima de pH 3, o ferro precipita, sai da água e reage menos com o peróxido, o que reduz a produção do radical (p. 402).
Onde foi aplicado
O Quadro 1 do artigo lista “efluentes passíveis de degradação por processo Fenton/foto-Fenton” (p. 405), entre eles:
| Tipo de efluente (Quadro 1) |
|---|
| corantes da indústria têxtil |
| indústria papeleira |
| indústria petroquímica |
| indústria farmacêutica |
| indústria de pesticidas |
| chorume |
| efluente doméstico |
Fonte da tabela: Nogueira e outros, 2007, Quadro 1, p. 405 (seleção de linhas). O artigo também trata da remediação de solos (p. 406).
As etapas comuns de uma estação estão em tratamento de efluentes. O uso de luz ultravioleta e ozônio no reúso aparece em tecnologias de reutilização da água, e a limpeza de aquíferos, em remediação da água. Poluentes que resistem ao tratamento comum estão em micropoluentes e em compostos orgânicos persistentes.
Um engano comum
“Processo oxidativo avançado é o mesmo que processo Fenton.” Não. Pela definição do artigo, POA são todos os processos baseados na formação do radical hidroxila; o Fenton é um deles, que usa ferro e peróxido de hidrogênio (Nogueira e outros, 2007, p. 400-401).
Resumo: principais perguntas e respostas
São processos de tratamento baseados na formação do radical hidroxila, um oxidante forte que transforma compostos orgânicos em gás carbônico, água e íons.
É um processo oxidativo avançado em que o ferro reage com o peróxido de hidrogênio e libera o radical hidroxila.
No foto-Fenton, a luz, inclusive a do sol, participa da reação.
Entre 2,5 e 3,0, segundo a revisão de Nogueira e outros (2007); acima de pH 3, o ferro precipita.
Fontes
- Nogueira, R. F. P.; Trovó, A. G.; Silva, M. R. A.; Villa, R. D.; Oliveira, M. C. 2007. Fundamentos e aplicações ambientais dos processos Fenton e foto-Fenton. Química Nova, v. 30, n. 2, p. 400-408. DOI 10.1590/S0100-40422007000200030. Cópia no repositório da Unesp.
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