Poluição do Solo e Atividades Extrativas

Santo Amaro (BA) e o chumbo: a fundição, os estudos e a Justiça

Nível de leitura: Ensino Médio

123 Ecos Redação

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Atualizado em: 03/11/2026

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Em poucas palavras

Em Santo Amaro, na Bahia, uma fundição de chumbo funcionou de 1960 a 1993 e deixou cerca de 500 mil toneladas de escória espalhadas pela área da empresa e pela cidade, segundo estudo publicado em 2003. O mesmo estudo mostra que o chumbo no sangue das crianças caiu de 1980 a 1998, mas continuou presente. O caso tem ações na Justiça Federal desde 2003.

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Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo da Bahia, abrigou de 1960 a 1993 “uma fundição primária de chumbo, subsidiária do grupo multinacional Peñarroya”, que produzia de 11 mil a 32 mil toneladas de chumbo por ano. A fundição deixou “cerca de 500 000 toneladas de resíduo industrial sólido (escória)”, espalhadas pelo terreno da empresa e pela cidade (Carvalho e outros, Revista Panamericana de Salud Pública, 2003). Como os metais se acumulam no solo está em Contaminação do solo.

O chumbo no sangue das crianças

O mesmo estudo reúne três medições do chumbo no sangue de crianças de Santo Amaro:

AnoCriançasMédia de chumbo no sangue
1980555, de 1 a 9 anos, a até 900 m da fundição59,1 µg/dL
198553, depois de medidas de controle36,9 µg/dL
199847, de 1 a 4 anos17,1 µg/dL

A média caiu ao longo dos anos. Em 1998, cinco anos depois do fechamento da fábrica, os valores das 47 crianças iam de 2,0 a 36,2 µg/dL (Carvalho e outros, 2003).

O que a Justiça decidiu

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), a empresa Plumbum Comércio e Representações de Produtos Minerais e Industriais Ltda. “encerrou as atividades na região em 1993”. Em fevereiro de 2003, uma liminar da Justiça Federal mandou cercar e sinalizar a área contaminada, vigiá-la e construir uma barreira para proteger o rio Subaé, com multa diária de R$ 5 mil, depois aumentada para R$ 10 mil. A sentença de 2014 confirmou a liminar. Em março de 2017, o MPF pediu que a empresa pagasse R$ 59.332.082,50 de multa pelo descumprimento, no processo 17531-06.2015.4.01.3300, da Seção Judiciária da Bahia (MPF, 13/3/2017, reproduzido pelo IHU).

Numa ação de indenização contra a União, a 11ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região manteve a decisão que negou o pedido. Para o relator, a União “não pode ser responsabilizada civilmente por eventual contaminação da área” (Bahia Notícias, 9/1/2025).

Em novembro de 2025, a imprensa noticiou uma sentença da 12ª Vara Federal da Bahia sobre indenizações aos moradores (Jornal Grande Bahia, novembro de 2025). Nas fontes consultadas, até 2/11/2026, não encontramos o número desse processo nem se a sentença é definitiva.

O que foi medido e o que é só promessa

  • Medido em estudo publicado: a queda da média de chumbo no sangue das crianças, de 59,1 µg/dL em 1980 para 17,1 µg/dL em 1998.
  • Decidido pela Justiça: a liminar de 2003 e a sentença de 2014, segundo o MPF.
  • Em aberto: nas fontes consultadas, até 2/11/2026, não encontramos dado oficial de quanto da escória foi retirada da cidade nem medição mais recente do chumbo no sangue da população.

Resumo: principais perguntas e respostas

O que aconteceu em Santo Amaro?

Uma fundição de chumbo funcionou de 1960 a 1993 e deixou cerca de 500 mil toneladas de escória na área da empresa e na cidade.

O chumbo chegou às pessoas?

Estudos mediram chumbo no sangue das crianças em 1980, 1985 e 1998; a média caiu, mas não zerou.

O que a Justiça mandou fazer?

Em 2003, cercar, sinalizar e vigiar a área e proteger o rio Subaé; a sentença de 2014 confirmou, segundo o MPF.

A União foi responsabilizada?

Não. O TRF1 manteve a decisão que negou indenização contra a União.

Fontes

Impresso de https://123ecos.com.br/docs/santo-amaro-ba-e-o-chumbo-a-fundicao-os-estudos-e-a-justica/ · Atualizado em 03/11/2026 · 123 Ecos

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