123 Ecos Redação
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Atualizado em: 03/11/2026
Nesta página
- Como se mede uma gestão ruim da água
- O mundo em números
- A água que se perde no caminho
- Para onde vai a água doce
- estresse hídrico
- O esgoto que volta sem tratamento
- Gestão integrada: o que falta é dinheiro
- Rios que cruzam fronteiras
- Rios mais secos
- Dois casos fora do Brasil
- No Brasil
- O que reduz a ineficiência
- Termos vizinhos
- Resumo: principais perguntas e respostas
- Fontes
A gestão ineficiente dos recursos hídricos é quando a água de um país, de uma cidade ou de uma bacia é planejada, distribuída ou protegida de um jeito que gera perda, poluição ou falta. Não é a mesma coisa que pouca chuva: um lugar com muita água pode ter gestão ruim, e um lugar seco pode ter gestão boa. A diferença aparece em números que a Organização das Nações Unidas (ONU) acompanha em todos os países pelo Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 6 (ODS 6), “água potável e saneamento”. O recorte do Brasil, com os números do país, está em Gestão ineficiente dos recursos hídricos no Brasil.
Como se mede uma gestão ruim da água
A ONU não dá uma nota única para “gestão ineficiente”. Ela acompanha vários indicadores, cada um com uma agência responsável, e cada um mostra uma parte do problema (ONU, Relatório Estendido dos ODS 2026, Objetivo 6):
- Acesso: quantas pessoas têm água potável e esgoto geridos com segurança (indicadores 6.1.1 e 6.2.1).
- Esgoto tratado: quanto do esgoto das casas é tratado antes de voltar à natureza (6.3.1).
- Eficiência: quanto valor econômico se produz com cada metro cúbico de água retirada (6.4.1).
- Estresse hídrico: quanto da água doce disponível é retirada para uso (6.4.2).
- Gestão integrada: se o país tem leis, instituições, instrumentos e dinheiro para gerir a água em conjunto (6.5.1).
- Rios que cruzam fronteiras: se os países que dividem rios e aquíferos têm acordos em funcionamento (6.5.2).
Quando vários desses números vão mal ao mesmo tempo, a gestão é ineficiente: a água existe, mas se perde, se suja ou não chega a quem precisa.
O mundo em números
| Indicador | Mundo | Ano | Fonte |
|---|---|---|---|
| Pessoas sem água potável gerida com segurança | 2,1 bilhões (1 em cada 4) | 2024 | OMS e Unicef |
| Pessoas sem saneamento gerido com segurança | 3,4 bilhões | 2024 | OMS e Unicef |
| Esgoto doméstico tratado com segurança | 56% | 2024 | ONU, ODS 6.3.1 |
| Esgoto doméstico que não é coletado | 17% | 2024 | ONU, ODS 6.3.1 |
| Estresse hídrico médio | 18% | 2023 | ONU, ODS 6.4.2 |
| Água doce retirada pela agricultura | 72% | 2023 | ONU, ODS 6.4.2 |
| Gestão integrada da água (0 a 100) | 57 | 2023 | ONU, ODS 6.5.1 |
Fontes: OMS, 26/8/2025 e ONU, Relatório Estendido dos ODS 2026, Objetivo 6 (PDF).
Dos 2,1 bilhões sem água segura, 106 milhões bebem água direto de rios, lagos ou açudes, sem tratamento (OMS, 2025). Quem fica sem cada serviço, e onde, está em Desigualdade no acesso à água.
A água que se perde no caminho
Parte da água que as companhias tratam nunca chega à torneira, ou chega e não é medida nem cobrada. O nome técnico é água não faturada: inclui vazamentos nos canos, ligações clandestinas e erros de medição. Um estudo de Roland Liemberger e Alan Wyatt estimou que as cidades do mundo perdem assim cerca de 126 bilhões de metros cúbicos por ano, 30% da água que entra nos sistemas, o equivalente a US$ 39 bilhões (The Source, revista da Associação Internacional da Água, 26/4/2018).
Esse número é uma estimativa feita a partir de dados de cidades e é de 2018. Não há, no ODS 6, um indicador mundial oficial de perda de água nas redes. Por isso, o número de perdas de cada país, como o do Brasil, medido por outro método, não deve ser comparado direto com os 30% do mundo.
Para onde vai a água doce
Em 2023, a agricultura retirou 72% da água doce usada no mundo; a indústria, 15%; e os serviços, que incluem o abastecimento das cidades, 13% (ONU, ODS 2026). Isso muda o foco do problema: a torneira de casa importa, mas a maior parte da água passa pelos campos irrigados.
A ONU também mede a eficiência no uso da água, em dólares produzidos por metro cúbico retirado. Entre 2015 e 2023, a média do mundo subiu de US$ 17,4 para US$ 21,5 por metro cúbico, 24% a mais. Na agricultura, foi de US$ 0,5 para US$ 0,7; na indústria, de US$ 28,6 para US$ 38,0; nos serviços, de US$ 104,9 para US$ 115,5. Em 2023, 54% dos países ainda estavam abaixo de US$ 20 por metro cúbico (ONU, ODS 2026).
O valor baixo da agricultura não quer dizer, sozinho, desperdício: o indicador mede dinheiro por metro cúbico, e comida custa menos por litro de água do que um produto industrial. Ele serve para comparar o mesmo setor ao longo do tempo. Os métodos que gastam menos água no campo estão em Irrigação eficiente.
estresse hídrico
O estresse hídrico é a parte da água doce disponível que é retirada para uso. Em 2023, a média do mundo foi de 18%, mas regiões do Norte da África e da Ásia passaram de 75% (ONU, ODS 2026). O conceito, as regiões e o porquê da média estão em Estresse hídrico.
O esgoto que volta sem tratamento
Em 2024, as casas do mundo geraram 332 bilhões de metros cúbicos de esgoto, e 185 bilhões foram tratados com segurança, os 56% da tabela. O caminho do esgoto faz diferença (ONU, ODS 2026):
| Para onde vai o esgoto das casas (mundo, 2024) | Parte do total | Quanto é tratado com segurança |
|---|---|---|
| Rede coletora | 55% | 81% |
| Fossa séptica | 27% | 46% |
| Não é coletado | 17% | não se aplica |
Esgoto sem tratamento polui rios e lagos e torna a água mais cara de tratar para quem está rio abaixo. Em 2023, só cerca de metade dos corpos de água monitorados tinha boa qualidade, e 120 países enviaram dados (ONU, ODS 2026). O tratamento e o reúso estão em Reúso de água.
Gestão integrada: o que falta é dinheiro
A gestão integrada dos recursos hídricos é a ideia de gerir a água em conjunto, por bacia, juntando agricultura, cidades, indústria e natureza, em vez de cada setor decidir sozinho. A meta 6.5 da ONU pede que todos os países a implantem até 2030. O indicador 6.5.1 dá uma nota de 0 a 100 em quatro partes (UN-Water, SDG 6 Data Portal, indicador 6.5.1):
| Parte da gestão integrada (mundo, 2023) | Nota |
|---|---|
| Ambiente favorável (leis, políticas e planos) | 61 |
| Instituições e participação | 61 |
| Instrumentos de gestão (medição, outorga, monitoramento) | 58 |
| Financiamento | 49 |
| Média | 57 |
A parte mais fraca é o dinheiro. Pelo relatório da ONU, 85% dos países precisam arrecadar mais para a água, e cerca de 70% dizem que o financiamento não basta no nível das bacias, dos aquíferos e dos governos locais. Em 2023, 73 países estavam nos níveis “médio-baixo” ou “baixo” (ONU, ODS 2026). Ter lei e órgão de água não basta: sem recurso para medir, fiscalizar e consertar a rede, a gestão fica no papel.
Como funciona a gestão por bacia está em Gestão integrada de bacias hidrográficas.
Rios que cruzam fronteiras
Muitos rios e aquíferos passam por mais de um país. Uma decisão tomada rio acima, como uma barragem ou um desvio para irrigação, muda a água de quem está rio abaixo. Por isso a ONU mede se há acordos em funcionamento entre os países. Dos 153 Estados-membros que dividem bacias, só 43 têm acordos que cobrem 90% ou mais da área dessas bacias, e pelo menos 20 não têm nenhum (ONU, ODS 2026).
Rios mais secos
A ONU compara a vazão mínima dos rios de 2019 a 2023 com a de 2000 a 2019. Em 46% dos 193 Estados-membros, a vazão mínima caiu; em 21%, a queda passou de 10% (ONU, ODS 2026). Rio com menos água na seca deixa menos margem para erro de gestão.
Dois casos fora do Brasil
O mar de Aral
O mar de Aral, entre o Cazaquistão e o Uzbequistão, já foi o quarto maior lago do mundo. Nos anos 1960, a União Soviética desviou os rios Amu Darya e Syr Darya para irrigar o deserto, principalmente para o algodão. A NASA resume assim: “a irrigação fez o deserto florescer, mas devastou o mar de Aral” (NASA Earth Observatory, World of Change: Shrinking Aral Sea). É o exemplo mais citado de água retirada além do que a bacia repõe, decidida por um setor só.
Você sabia?
Em 2014, a parte leste do mar de Aral do Sul desapareceu por completo, segundo as imagens de satélite da NASA. As maiores perdas ocorreram entre 2005 e 2009, com seca e menos água chegando pelo rio Amu Darya (NASA Earth Observatory).
A Cidade do Cabo e o “Dia Zero”
Na Cidade do Cabo, na África do Sul, depois de anos de seca, a prefeitura anunciou em janeiro de 2018 que, a partir de 1º de fevereiro, cada morador deveria usar no máximo 50 litros de água por dia, por 150 dias. A prefeita Patricia de Lille previu para 21 de abril de 2018 o “Dia Zero”, o dia em que as torneiras seriam fechadas e os moradores buscariam água em pontos de coleta (SAnews, agência de notícias do governo sul-africano, 19/1/2018). O caso mostrou que uma grande cidade pode chegar perto de ficar sem água encanada e que o corte de consumo também é ferramenta de gestão.
No Brasil
No Brasil, a nota de gestão integrada foi 51 em 2023, abaixo da média do mundo, de 57, no mesmo indicador da ONU. Em 2024, 39,5% da água tratada se perdeu na distribuição, e 51,8% do esgoto gerado foi tratado, pelo sistema nacional de informações sobre saneamento (SINISA). Esses números, a lei brasileira e a crise do Cantareira estão em Gestão ineficiente dos recursos hídricos no Brasil.
O que reduz a ineficiência
Os próprios indicadores da ONU apontam onde agir: medir a água retirada e a perdida; consertar redes e combater ligações clandestinas; coletar e tratar o esgoto; gerir por bacia, com os usuários à mesa; financiar a gestão; e fazer acordos entre países vizinhos. Em 2024, 89% dos países tinham regras para a participação das comunidades no planejamento da água, mas só 20% relataram participação alta (ONU, ODS 2026). As medidas e os casos estão em Gestão eficiente da água.
Termos vizinhos
- Gestão ineficiente dos recursos hídricos no Brasil (link).
- Gestão eficiente da água (link).
- estresse hídrico (link).
- Escassez de água (link).
- Segurança hídrica (link).
Resumo: principais perguntas e respostas
É quando a água é planejada, distribuída ou protegida de um jeito que gera perda, poluição ou falta. A ONU a acompanha pelos indicadores do ODS 6.
2,1 bilhões em 2024, uma em cada quatro, segundo a OMS e o Unicef.
56% do esgoto doméstico foi tratado com segurança em 2024, segundo a ONU.
Cerca de 126 bilhões de metros cúbicos por ano, 30% da água que entra nos sistemas, pela estimativa de Liemberger e Wyatt (2018).
57 de 100 em 2023; o financiamento foi a parte mais fraca, com 49.
Os rios que o alimentavam foram desviados para irrigação a partir dos anos 1960, e em 2014 a parte leste do Aral do Sul secou por completo, segundo a NASA.
Fontes
- ONU. The Sustainable Development Goals Report 2026, Extended Report, Goal 6 (PDF).
- UN-Water. SDG 6 Data Portal, indicador 6.5.1.
- OMS. 1 in 4 people globally still lack access to safe drinking water – WHO, UNICEF. 26/8/2025 (JMP 2025).
- The Source (Associação Internacional da Água). Bursting at the seams: new study highlights the realities of water loss. 26/4/2018 (estudo de Liemberger e Wyatt).
- NASA Earth Observatory. World of Change: Shrinking Aral Sea.
- SAnews. Cape residents limited to 50 litres of water. 19/1/2018.
Impresso de https://123ecos.com.br/docs/gestao-ineficiente-dos-recursos-hidricos-o-que-e-e-os-sinais-no-mundo/ · Atualizado em 03/11/2026 · 123 Ecos

