123 Ecos Redação
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Atualizado em: 03/11/2026
Nesta página
- Focos: o que o Inpe contou
- Área queimada: cada método dá um número
- Os animais: o estudo dos 17 milhões
- As causas: o que a ciência e o Senado disseram
- Investigação e responsabilidade
- A comissão do Senado e o que veio depois
- O que foi medido e o que é só promessa
- Resumo: principais perguntas e respostas
- Fontes
Os incêndios no Pantanal em 2020 deram ao bioma o maior número de focos de fogo da série do Inpe, iniciada em 1998. O Pantanal é a grande planície alagável do Centro-Oeste, descrita em Bioma Pantanal. Esta página reúne o que foi medido sobre aquele ano: a área queimada, os focos, os animais mortos e as causas. A diferença entre queimada e incêndio está em Diferença entre queimadas e incêndios.
Focos: o que o Inpe contou
Foco de calor é um ponto quente que o satélite detecta. Ele mostra onde há fogo, mas não mede quanto queimou. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) publicados pela imprensa em 4 de janeiro de 2021, o Pantanal teve 22.119 focos em 2020, cerca de 120% a mais que em 2019 (10.025 focos). Foi a “maior quantidade de focos de incêndio desde o início da série histórica, em 1998” (Brasil de Fato, 4/1/2021). Até então, o ano com mais focos era 2005, com 12.536 (MPF, apresentação à comissão do Senado, 16/10/2020).
Área queimada: cada método dá um número
A área queimada depende do satélite e do método usado para separar o que queimou do que não queimou. As principais medições de 2020 são estas:
| Quem mediu | Método | Período | Área queimada |
|---|---|---|---|
| Lasa-UFRJ (Sistema Alarmes) | imagens de satélite | 1/1 a 15/11/2020 | 4,35 milhões de hectares, mais de 29% do Bioma |
| Shimabukuro e outros (Inpe), 2023 | satélite Sentinel-2, 10 m de resolução | ano de 2020 | 44.998 km² |
| Mesmo estudo, produto MCD64A1 | satélite Modis | ano de 2020 | 35.837 km² |
| Mesmo estudo, produto Fire_cci | satélite Modis | ano de 2020 | 36.017 km² |
| Mesmo estudo, MapBiomas Fogo | satélites Landsat | ano de 2020 | 23.372 km² |
| Mesmo estudo, produto GABAM | satélites Landsat | ano de 2020 | 14.307 km² |
O número do Lasa-UFRJ está no relatório final da comissão do Senado sobre o fogo no Pantanal (Senado, relatório final da CTEPANTANAL, 10/12/2020, p. 5 e p. 14). Pela nossa conta, 4,35 milhões de hectares são 43.500 km². Os demais números são do estudo de Yosio Shimabukuro e colegas, do Inpe, publicado na revista Fire. Os autores concluíram que a área medida com o Sentinel-2 foi maior que a de todos os outros produtos (Shimabukuro e outros, Fire, 2023).
Os animais: o estudo dos 17 milhões
O estudo publicado que estimou os animais mortos é de Walfrido Moraes Tomas e outros 29 pesquisadores. A equipe percorreu trilhas nas áreas queimadas, contou as carcaças e usou um método estatístico chamado amostragem por distância para estimar o total. A conclusão foi que “at least 16.952 million vertebrates were killed immediately by the fires in the Pantanal”, ou seja, ao menos 16,952 milhões de vertebrados morreram na hora, nos 39.030 km² atingidos pelo fogo (Tomas e outros, Scientific Reports, 2021, tradução nossa). A estimativa conta só as mortes imediatas.
As causas: o que a ciência e o Senado disseram
Segundo o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), “em 2020 não houve cheia no Pantanal”, e o Corpo de Bombeiros do estado relatou “muita vegetação extremamente seca” (Governo de MS, 11/9/2020). Um estudo liderado por Renata Libonati mostrou que seca extrema e onda de calor aconteceram juntas naquele ano. Esses episódios “accounted for 55% of the burned area of 2020”, responderam por 55% da área queimada, em um período curto. Nos dias de calor, a temperatura máxima ficou em média cerca de 6 °C acima do normal (Libonati e outros, Environmental Research Letters, 2022, tradução nossa).
O relatório final da comissão do Senado aponta “a seca extrema no ano de 2020, a intensidade dos ventos” e o desmatamento dos biomas vizinhos (p. 5). Diz que as causas podem ser “antrópicas e naturais” (p. 14) e que é “enorme o desafio de se atribuir responsabilização civil e criminal aos autores” (p. 15).
Investigação e responsabilidade
Em 16 de outubro de 2020, o Ministério Público Federal (MPF) relatou à comissão do Senado a Operação Matáá: com autorização judicial, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em fazendas da região, e o material passava por perícia na Polícia Federal. O MPF também citou o procedimento nº 1.21.004.000202/2019-54, de Corumbá e Ladário (MS), sobre a “responsabilização dos indivíduos que geram focos de incêndio por ato voluntário” (MPF, apresentação à comissão do Senado, 16/10/2020). Nas fontes consultadas, até 2/11/2026, não encontramos decisão judicial com número de processo que atribua a alguém a responsabilidade pelos incêndios de 2020.
A comissão do Senado e o que veio depois
O Senado criou em 2020 a Comissão Temporária Externa para acompanhar as ações de enfrentamento aos incêndios no Pantanal (CTEPANTANAL). O presidente foi o senador Wellington Fagundes, e o relator, o senador Nelsinho Trad. O relatório final foi aprovado em 10 de dezembro de 2020 e trouxe a minuta de um Estatuto do Pantanal (p. 7 e 8).
O senador Wellington Fagundes apresentou o Projeto de Lei nº 5.482/2020, o Estatuto do Pantanal, que se tornou a Lei nº 15.228/2025, publicada em 1º de outubro de 2025. Segundo a Agência Senado, o presidente da República vetou o capítulo sobre manejo integrado do fogo e combate a incêndios, com o argumento de que o tema já está na Lei nº 14.944/2024, da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (Agência Senado, 1/10/2025). As queimadas em geral e os números mais recentes estão em Queimadas no Brasil.
O que foi medido e o que é só promessa
- Medido: os focos do Inpe (22.119 em 2020); a área queimada por seis métodos, de 14.307 km² a 4,35 milhões de hectares; ao menos 16,952 milhões de vertebrados mortos na hora, segundo um estudo de campo.
- Lei aprovada: o Estatuto do Pantanal (Lei 15.228/2025), com o capítulo do fogo vetado, segundo a Agência Senado.
- Em aberto: nas fontes consultadas, até 2/11/2026, não encontramos decisão judicial que responsabilize alguém pelos incêndios de 2020.
Resumo: principais perguntas e respostas
Depende do método. O Lasa-UFRJ contou 4,35 milhões de hectares até 15 de novembro, mais de 29% do bioma. Um estudo do Inpe com o satélite Sentinel-2 mediu 44.998 km² no ano.
Os satélites enxergam com detalhes diferentes (10 metros no Sentinel-2), e cada produto usa um método próprio para separar a área queimada.
Um estudo publicado em 2021 estimou ao menos 16,952 milhões de vertebrados mortos na hora, em 39.030 km² atingidos pelo fogo.
Pesquisadores ligaram 55% da área queimada a episódios de seca extrema com onda de calor. O relatório do Senado fala em causas humanas e naturais.
Houve investigação da Polícia Federal e um procedimento do MPF. Nas fontes consultadas, não encontramos decisão judicial sobre a autoria.
Fontes
- Brasil de Fato. No ano da boiada, Brasil encerra 2020 com recorde de queimadas em uma década, 4/1/2021 (dados do Inpe).
- Ministério Público Federal. Ações do MPF para o enfrentamento aos incêndios no bioma Pantanal, apresentação à comissão do Senado, 16/10/2020.
- Senado Federal. Relatório final da CTEPANTANAL, aprovado em 10/12/2020.
- Shimabukuro, Y. E. e outros. Assessment of Burned Areas during the Pantanal Fire Crisis in 2020 Using Sentinel-2 Images. Fire, v. 6, n. 7, art. 277, 2023.
- Tomas, W. M. e outros. Distance sampling surveys reveal 17 million vertebrates directly killed by the 2020’s wildfires in the Pantanal, Brazil. Scientific Reports, v. 11, 2021.
- Libonati, R. e outros. Assessing the role of compound drought and heatwave events on unprecedented 2020 wildfires in the Pantanal. Environmental Research Letters, v. 17, art. 015005, 2022.
- Governo de Mato Grosso do Sul (Semadesc). Governo enfrenta incêndios no Pantanal em ano atípico sem cheias e com número recorde de focos de calor, 11/9/2020.
- Agência Senado. Estatuto do Pantanal agora é lei, 1/10/2025.
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