Poluição do Solo e Atividades Extrativas

Extrativismo mineral: o que é e a mineração no mundo

Nível de leitura: Ensino Médio

123 Ecos Redação

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Atualizado em: 04/11/2026

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Em poucas palavras

O mundo passou de 30 para 106 bilhões de toneladas de recursos extraídos por ano desde 1970, segundo o PNUMA. A Austrália lidera o minério de ferro, o Chile, o cobre, e o Brasil, o nióbio, pelo USGS. A IEA mostra que a China é a maior refinadora de 19 dos 20 minerais estratégicos que analisou.

Nesta página

O extrativismo mineral é a extração de minérios e rochas do solo, do subsolo e do fundo de rios e mares, como o minério de ferro, o cobre, o ouro e o lítio. Diferente da madeira ou da castanha, o minério não se renova na escala da vida humana: a jazida que sai não volta. Por isso a extração mineral entra entre os recursos não renováveis. O que é um mineral está em Minerais, e o recorte do Brasil, com a lei e os números do país, está em Extrativismo mineral no Brasil.

Quanto o mundo extrai

O Painel Internacional de Recursos, ligado ao Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), soma tudo o que a humanidade tira da natureza por ano: minérios, rochas e areia, combustíveis fósseis e biomassa. Pelo relatório de 2024, esse total passou de 30 bilhões de toneladas em 1970 para 106 bilhões, e a previsão é de mais 60% até 2060 se nada mudar (Painel Internacional de Recursos, Global Resources Outlook 2024).

O mesmo relatório diz que a extração e o processamento de recursos, somados todos os tipos, respondem por mais de 60% das emissões que aquecem o planeta. Os combustíveis fósseis, os metais e os minerais não metálicos juntos ficam com 35% das emissões do mundo (Painel Internacional de Recursos, 2024).

Quem produz os principais minérios

Minério (produção de mina, 2025, estimativa)MundoMaiores produtores
Minério de ferro2,6 bilhões de toneladasAustrália (980 milhões), Brasil (420 milhões), Índia (310 milhões), China (290 milhões)
Cobre (metal contido)23 milhões de toneladasChile (5,3 milhões), Congo (3,2 milhões), Peru (2,7 milhões), China (1,8 milhão)
Lítio (metal contido)290 mil toneladasAustrália (92 mil), China (62 mil), Chile (56 mil), Zimbábue (28 mil)
Nióbio112 mil toneladasBrasil (104 mil), Canadá (6 mil)

Fonte: USGS, Mineral Commodity Summaries 2026, capítulos de minério de ferro, cobre, lítio e nióbio. O USGS é o serviço geológico do governo dos Estados Unidos e publica todo ano os números de cada minério no mundo.

A tabela mostra que cada minério tem o seu mapa. O ferro sai sobretudo da Austrália e do Brasil; o cobre, dos Andes e da África Central; o nióbio, quase todo de um país só.

Você sabia?

Quase todo o minério de ferro do mundo vira aço. Em 2025, o mundo fez cerca de 1,9 bilhão de toneladas de aço bruto, e a China sozinha fez 980 milhões, mais da metade, segundo o USGS (Mineral Commodity Summaries 2026, ferro e aço).

Por que a procura por alguns minérios cresce

Carros elétricos, baterias, painéis solares, turbinas eólicas e redes elétricas usam mais metal do que as tecnologias que substituem. Pelo USGS, as baterias já são 88% do uso final do lítio no mundo (USGS, 2026, lítio). A Agência Internacional de Energia (IEA) registrou que a procura por lítio cresceu quase 30% em 2024 (IEA, Global Critical Minerals Outlook 2025).

Esses minerais são chamados de críticos ou estratégicos: importantes para a economia e com risco de faltar. O que são e o que o Brasil tem deles está em Lítio e minerais críticos, e o papel deles na troca de energia está em Transição energética.

Minerar não é refinar

Tirar o minério do chão é uma etapa; transformá-lo em metal puro, pronto para uma bateria, é outra, chamada refino. As duas não acontecem no mesmo lugar. A IEA analisou 20 minerais estratégicos e encontrou a China como a maior refinadora de 19 deles, com uma participação média de cerca de 70%. Para cobre, lítio, níquel, cobalto, grafita e terras raras, os três maiores produtores de cada um somavam 86% do mercado em 2024, contra cerca de 82% em 2020 (IEA, 2025).

Isso explica um fato que parece contraditório: países como o Chile, a Austrália ou o Brasil podem estar entre os maiores mineradores e, mesmo assim, comprar de fora o metal refinado ou o produto pronto. Quando poucos países concentram uma etapa, um problema num deles afeta o mundo todo; por isso a IEA trata a diversificação como questão de segurança energética.

Os impactos, medidos no mundo

Clima. Como visto acima, a extração e o processamento de todos os recursos, somados os combustíveis fósseis e a biomassa, respondem por mais de 60% das emissões, segundo o PNUMA; metais, minerais e combustíveis fósseis juntos ficam com 35%. A mineração usa muita energia para quebrar, moer e transportar rocha.

Mercúrio. O garimpo de ouro de pequena escala usa mercúrio para separar o ouro. Pelo PNUMA, ele foi responsável por quase 38% das emissões de mercúrio para o ar causadas pelo ser humano no mundo, em 2015 (PNUMA, Global Mercury Assessment 2018, pelo IISD). O mercúrio se acumula nos peixes e chega a quem os come.

Rejeitos e barragens. A mineração gera grandes volumes de material sem valor, o rejeito, muitas vezes guardado em barragens. Depois do rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho (Minas Gerais), em 25 de janeiro de 2019, o PNUMA, o Conselho Internacional de Mineração e Metais (ICMM) e a rede de investidores PRI organizaram uma revisão mundial. Dela saiu, em 5 de agosto de 2020, o Padrão Global da Indústria para a Gestão de Rejeitos: 15 princípios e 77 exigências que podem ser auditadas, com a meta declarada de “dano zero às pessoas e ao meio ambiente”. As empresas do ICMM têm três anos para adequar as barragens de risco “extremo” ou “muito alto” e cinco anos para as demais (PNUMA, 5/8/2020). Os tipos de rejeito estão em Resíduos de mineração, e o que acontece quando uma barragem cede, em Rompimento de barragens.

Terra e água. A mina abre área, desvia e usa água e pode contaminar rios com metais e sedimentos. Os efeitos, com números, estão em Mineração.

Quem ganha com o minério: a transparência

O minério é de um país, mas quem o extrai costuma ser uma empresa, e o país recebe impostos e royalties. Para que a população saiba quanto entra, existe a Iniciativa de Transparência nas Indústrias Extrativas (EITI), um padrão internacional em que governos e empresas publicam o que pagam e o que recebem. Pela lista da EITI consultada em 4/11/2026, 56 países aplicam o padrão. O Brasil não está entre eles; a EITI o cita como um país rico em recursos que demonstrou interesse (EITI, países).

Minerar menos: reciclagem e mineração urbana

Como o minério não se renova, a outra saída é reaproveitar o metal que já foi extraído. Celulares, computadores e baterias velhas guardam cobre, ouro, lítio e outros metais. Recuperá-los tem nome: mineração urbana. O caminho dos metais de um celular está em Mineração de metais para celulares, e a ideia geral, em Economia circular.

No Brasil

O Brasil é o segundo maior produtor de minério de ferro do mundo e produz cerca de 93% do nióbio, pelas estimativas do USGS para 2025. Pela Constituição, os recursos minerais do país são bens da União. A mineração faturou R$ 298,8 bilhões em 2025, segundo o Ibram. A lei, os números por estado e os tipos de mineração estão em Extrativismo mineral no Brasil.

Termos vizinhos

  • Extrativismo mineral no Brasil (link).
  • Mineração (link).
  • Lítio e minerais críticos (link).
  • Resíduos de mineração (link).
  • Recursos não renováveis (link).

Resumo: principais perguntas e respostas

O que é extrativismo mineral?

É a extração de minérios e rochas do solo, do subsolo e do fundo de rios e mares, como o ferro, o cobre, o ouro e o lítio. O minério não se renova.

Quanto o mundo extrai de recursos por ano?

Cerca de 106 bilhões de toneladas, somando minérios, combustíveis fósseis e biomassa, contra 30 bilhões em 1970, segundo o Painel Internacional de Recursos do PNUMA.

Quem mais produz minério de ferro?

A Austrália, com cerca de 980 milhões de toneladas em 2025, seguida pelo Brasil, com 420 milhões, pelas estimativas do USGS.

Quem mais produz cobre e lítio?

O Chile lidera o cobre, e a Austrália, o lítio, pelo USGS (2025).

Por que se fala tanto em minerais críticos?

Porque baterias, carros elétricos e energia renovável usam mais metal, e o refino de 19 de 20 minerais estratégicos é liderado pela China, segundo a IEA.

O que mudou depois de Brumadinho?

Em 2020, o PNUMA, o ICMM e a rede PRI lançaram um padrão mundial para barragens de rejeito, com 77 exigências auditáveis.

Fontes

Impresso de https://123ecos.com.br/docs/extrativismo-mineral-o-que-e-e-a-mineracao-no-mundo/ · Atualizado em 04/11/2026 · 123 Ecos

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