123 Ecos Redação
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Atualizado em: 04/11/2026
Nesta página
- Quanto o mundo extrai
- Quem produz os principais minérios
- Por que a procura por alguns minérios cresce
- Minerar não é refinar
- Os impactos, medidos no mundo
- Quem ganha com o minério: a transparência
- Minerar menos: reciclagem e mineração urbana
- No Brasil
- Termos vizinhos
- Resumo: principais perguntas e respostas
- Fontes
O extrativismo mineral é a extração de minérios e rochas do solo, do subsolo e do fundo de rios e mares, como o minério de ferro, o cobre, o ouro e o lítio. Diferente da madeira ou da castanha, o minério não se renova na escala da vida humana: a jazida que sai não volta. Por isso a extração mineral entra entre os recursos não renováveis. O que é um mineral está em Minerais, e o recorte do Brasil, com a lei e os números do país, está em Extrativismo mineral no Brasil.
Quanto o mundo extrai
O Painel Internacional de Recursos, ligado ao Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), soma tudo o que a humanidade tira da natureza por ano: minérios, rochas e areia, combustíveis fósseis e biomassa. Pelo relatório de 2024, esse total passou de 30 bilhões de toneladas em 1970 para 106 bilhões, e a previsão é de mais 60% até 2060 se nada mudar (Painel Internacional de Recursos, Global Resources Outlook 2024).
O mesmo relatório diz que a extração e o processamento de recursos, somados todos os tipos, respondem por mais de 60% das emissões que aquecem o planeta. Os combustíveis fósseis, os metais e os minerais não metálicos juntos ficam com 35% das emissões do mundo (Painel Internacional de Recursos, 2024).
Quem produz os principais minérios
| Minério (produção de mina, 2025, estimativa) | Mundo | Maiores produtores |
|---|---|---|
| Minério de ferro | 2,6 bilhões de toneladas | Austrália (980 milhões), Brasil (420 milhões), Índia (310 milhões), China (290 milhões) |
| Cobre (metal contido) | 23 milhões de toneladas | Chile (5,3 milhões), Congo (3,2 milhões), Peru (2,7 milhões), China (1,8 milhão) |
| Lítio (metal contido) | 290 mil toneladas | Austrália (92 mil), China (62 mil), Chile (56 mil), Zimbábue (28 mil) |
| Nióbio | 112 mil toneladas | Brasil (104 mil), Canadá (6 mil) |
Fonte: USGS, Mineral Commodity Summaries 2026, capítulos de minério de ferro, cobre, lítio e nióbio. O USGS é o serviço geológico do governo dos Estados Unidos e publica todo ano os números de cada minério no mundo.
A tabela mostra que cada minério tem o seu mapa. O ferro sai sobretudo da Austrália e do Brasil; o cobre, dos Andes e da África Central; o nióbio, quase todo de um país só.
Você sabia?
Quase todo o minério de ferro do mundo vira aço. Em 2025, o mundo fez cerca de 1,9 bilhão de toneladas de aço bruto, e a China sozinha fez 980 milhões, mais da metade, segundo o USGS (Mineral Commodity Summaries 2026, ferro e aço).
Por que a procura por alguns minérios cresce
Carros elétricos, baterias, painéis solares, turbinas eólicas e redes elétricas usam mais metal do que as tecnologias que substituem. Pelo USGS, as baterias já são 88% do uso final do lítio no mundo (USGS, 2026, lítio). A Agência Internacional de Energia (IEA) registrou que a procura por lítio cresceu quase 30% em 2024 (IEA, Global Critical Minerals Outlook 2025).
Esses minerais são chamados de críticos ou estratégicos: importantes para a economia e com risco de faltar. O que são e o que o Brasil tem deles está em Lítio e minerais críticos, e o papel deles na troca de energia está em Transição energética.
Minerar não é refinar
Tirar o minério do chão é uma etapa; transformá-lo em metal puro, pronto para uma bateria, é outra, chamada refino. As duas não acontecem no mesmo lugar. A IEA analisou 20 minerais estratégicos e encontrou a China como a maior refinadora de 19 deles, com uma participação média de cerca de 70%. Para cobre, lítio, níquel, cobalto, grafita e terras raras, os três maiores produtores de cada um somavam 86% do mercado em 2024, contra cerca de 82% em 2020 (IEA, 2025).
Isso explica um fato que parece contraditório: países como o Chile, a Austrália ou o Brasil podem estar entre os maiores mineradores e, mesmo assim, comprar de fora o metal refinado ou o produto pronto. Quando poucos países concentram uma etapa, um problema num deles afeta o mundo todo; por isso a IEA trata a diversificação como questão de segurança energética.
Os impactos, medidos no mundo
Clima. Como visto acima, a extração e o processamento de todos os recursos, somados os combustíveis fósseis e a biomassa, respondem por mais de 60% das emissões, segundo o PNUMA; metais, minerais e combustíveis fósseis juntos ficam com 35%. A mineração usa muita energia para quebrar, moer e transportar rocha.
Mercúrio. O garimpo de ouro de pequena escala usa mercúrio para separar o ouro. Pelo PNUMA, ele foi responsável por quase 38% das emissões de mercúrio para o ar causadas pelo ser humano no mundo, em 2015 (PNUMA, Global Mercury Assessment 2018, pelo IISD). O mercúrio se acumula nos peixes e chega a quem os come.
Rejeitos e barragens. A mineração gera grandes volumes de material sem valor, o rejeito, muitas vezes guardado em barragens. Depois do rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho (Minas Gerais), em 25 de janeiro de 2019, o PNUMA, o Conselho Internacional de Mineração e Metais (ICMM) e a rede de investidores PRI organizaram uma revisão mundial. Dela saiu, em 5 de agosto de 2020, o Padrão Global da Indústria para a Gestão de Rejeitos: 15 princípios e 77 exigências que podem ser auditadas, com a meta declarada de “dano zero às pessoas e ao meio ambiente”. As empresas do ICMM têm três anos para adequar as barragens de risco “extremo” ou “muito alto” e cinco anos para as demais (PNUMA, 5/8/2020). Os tipos de rejeito estão em Resíduos de mineração, e o que acontece quando uma barragem cede, em Rompimento de barragens.
Terra e água. A mina abre área, desvia e usa água e pode contaminar rios com metais e sedimentos. Os efeitos, com números, estão em Mineração.
Quem ganha com o minério: a transparência
O minério é de um país, mas quem o extrai costuma ser uma empresa, e o país recebe impostos e royalties. Para que a população saiba quanto entra, existe a Iniciativa de Transparência nas Indústrias Extrativas (EITI), um padrão internacional em que governos e empresas publicam o que pagam e o que recebem. Pela lista da EITI consultada em 4/11/2026, 56 países aplicam o padrão. O Brasil não está entre eles; a EITI o cita como um país rico em recursos que demonstrou interesse (EITI, países).
Minerar menos: reciclagem e mineração urbana
Como o minério não se renova, a outra saída é reaproveitar o metal que já foi extraído. Celulares, computadores e baterias velhas guardam cobre, ouro, lítio e outros metais. Recuperá-los tem nome: mineração urbana. O caminho dos metais de um celular está em Mineração de metais para celulares, e a ideia geral, em Economia circular.
No Brasil
O Brasil é o segundo maior produtor de minério de ferro do mundo e produz cerca de 93% do nióbio, pelas estimativas do USGS para 2025. Pela Constituição, os recursos minerais do país são bens da União. A mineração faturou R$ 298,8 bilhões em 2025, segundo o Ibram. A lei, os números por estado e os tipos de mineração estão em Extrativismo mineral no Brasil.
Termos vizinhos
- Extrativismo mineral no Brasil (link).
- Mineração (link).
- Lítio e minerais críticos (link).
- Resíduos de mineração (link).
- Recursos não renováveis (link).
Resumo: principais perguntas e respostas
É a extração de minérios e rochas do solo, do subsolo e do fundo de rios e mares, como o ferro, o cobre, o ouro e o lítio. O minério não se renova.
Cerca de 106 bilhões de toneladas, somando minérios, combustíveis fósseis e biomassa, contra 30 bilhões em 1970, segundo o Painel Internacional de Recursos do PNUMA.
A Austrália, com cerca de 980 milhões de toneladas em 2025, seguida pelo Brasil, com 420 milhões, pelas estimativas do USGS.
O Chile lidera o cobre, e a Austrália, o lítio, pelo USGS (2025).
Porque baterias, carros elétricos e energia renovável usam mais metal, e o refino de 19 de 20 minerais estratégicos é liderado pela China, segundo a IEA.
Em 2020, o PNUMA, o ICMM e a rede PRI lançaram um padrão mundial para barragens de rejeito, com 77 exigências auditáveis.
Fontes
- USGS. Mineral Commodity Summaries 2026: minério de ferro, ferro e aço, cobre, lítio e nióbio (PDF). Fevereiro de 2026.
- Painel Internacional de Recursos (PNUMA). Global Resources Outlook 2024, comunicado. 2024.
- IEA. Global Critical Minerals Outlook 2025: Diversification is the cornerstone of energy security. Maio de 2025.
- PNUMA. New global industry standard on tailings management aims to improve safety. 5/8/2020.
- IISD. UNEP publishes 2018 Global Mercury Assessment.
- EITI. Países. Consultado em 4/11/2026.
Impresso de https://123ecos.com.br/docs/extrativismo-mineral-o-que-e-e-a-mineracao-no-mundo/ · Atualizado em 04/11/2026 · 123 Ecos

