123 Ecos Redação
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Atualizado em: 03/11/2026
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Em 5 de novembro de 2015, a barragem de Fundão, da mineradora Samarco, em Mariana (MG), se rompeu. Ela guardava rejeitos, que são as sobras do beneficiamento do minério de ferro. Segundo o Ibama, a barragem tinha 50 milhões de metros cúbicos de rejeitos, e “trinta e quatro milhões de m³ desses rejeitos foram lançados no meio ambiente” (Ibama, Laudo Técnico Preliminar, 26/11/2015, p. 3). As controladoras da Samarco são a Vale e a BHP Billiton, segundo o STF. O que é rejeito de mineração está em Resíduos de mineração.
O que o Ibama mediu em 2015
| Medição | Número | Página do laudo |
|---|---|---|
| Rejeitos lançados no ambiente | 34 milhões de m³ | p. 3 |
| Rios e córregos atingidos diretamente | 663,2 km | p. 3 |
| Área destruída ao longo de 77 km de cursos d’água | cerca de 1.469 hectares | p. 10 |
| Chegada da lama ao mar | 21/11/2015, em Linhares (ES) | p. 3 |
| Municípios atingidos na pesca | 41, de Mariana (MG) a Linhares (ES) | p. 29–30 |
A lama desceu pelos rios da bacia do rio Doce até o oceano. O laudo é preliminar, como diz o título, e tem data de 26/11/2015, três semanas depois do rompimento. Como as barragens se rompem está em Rompimento de barragens.
As mortes
Morreram 19 pessoas, segundo o Supremo Tribunal Federal (STF, 6/11/2024). O STF também registra mais de 40 municípios afetados e três reservas indígenas atingidas. A análise de quem foi mais atingido está em Injustiças socioambientais.
O acordo de 2024
Em 6/11/2024, o plenário do STF referendou por unanimidade a homologação do acordo de reparação, na Petição 13.157. O pedido foi apresentado pela União, por Minas Gerais e Espírito Santo, pelo Ministério Público Federal e pelos Ministérios Públicos estaduais, pelas Defensorias Públicas, pela Samarco e pelas duas empresas que a controlam, a Vale e a BHP Billiton (STF, 6/11/2024).
| Parte do acordo | Valor | Para quê |
|---|---|---|
| Entes públicos (União, MG, ES e municípios que aderirem) | R$ 100 bilhões | projetos ambientais e socioeconômicos |
| Obrigações da Samarco | R$ 32 bilhões | recuperação de áreas, retirada de sedimentos, reassentamento e indenizações |
| Total | R$ 170 bilhões | o restante, segundo o STF, já foi gasto |
O mesmo acordo aparece, com o mesmo valor e a mesma data, em Acidentes ambientais.
A ação penal
Na ação penal 0002725-15.2016.4.01.3822, na Justiça Federal em Ponte Nova (MG), a primeira instância absolveu em novembro de 2024 a Samarco, a Vale, a BHP e 21 pessoas, entre ex-executivos e técnicos (sentença, publicada pela Conjur; Forbes Brasil, 17/12/2024). O Ministério Público Federal recorreu em dezembro de 2024. Segundo notícia do MPF de 4/9/2026, a 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 6ª Região condenou por unanimidade a Samarco e três ex-gerentes por inundação com resultado morte e por crimes ambientais; a Vale, a BHP, a VOGBR e outros réus continuaram absolvidos. O MPF disse que ainda vai analisar novos recursos sobre as absolvições. Nas fontes consultadas, até 2/11/2026, não encontramos se a condenação já é definitiva (MPF, 4/9/2026).
O que foi medido e o que é só promessa
- Medido: os 34 milhões de m³ de rejeitos e os 663,2 km de rios atingidos, no laudo preliminar do Ibama de 2015.
- Decidido: o acordo de R$ 170 bilhões, homologado pelo STF em 6/11/2024; a condenação da Samarco e de três ex-gerentes pelo TRF6, em segunda instância, segundo notícia do MPF de 4/9/2026; não encontramos se ela já é definitiva.
- Ainda em curso: a aplicação dos R$ 100 bilhões e das obrigações da Samarco. Nas fontes consultadas, até 2/11/2026, não encontramos um balanço oficial do que já foi pago dentro do acordo.
Resumo: principais perguntas e respostas
Em 5/11/2015, a barragem de rejeitos da Samarco se rompeu em Mariana (MG), e a lama desceu o rio Doce até o mar.
34 milhões de metros cúbicos, segundo o laudo preliminar do Ibama.
19, segundo o STF.
R$ 170 bilhões, homologado pelo STF em 6/11/2024.
Fontes
- Ibama. Laudo Técnico Preliminar: impactos ambientais decorrentes do desastre envolvendo o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais, 26/11/2015.
- Supremo Tribunal Federal. Notícia sobre a homologação do acordo de Mariana, Pet 13.157, 6/11/2024.
- Justiça Federal, Subseção de Ponte Nova (MG). Sentença na ação penal 0002725-15.2016.4.01.3822, publicada pela Conjur, novembro de 2024.
- Forbes Brasil. Reportagem sobre o recurso do MPF contra a sentença, 17/12/2024.
- Ministério Público Federal. Notícia sobre a condenação no TRF6, 4/9/2026. Consultado em 2/11/2026.
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