123 Ecos Redação
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Atualizado em: 04/11/2026
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O terraceamento é a construção de terraços: estruturas de terra feitas atravessando o declive do terreno, cada uma com um canal que recolhe a água e um dique de terra, o camalhão. O terraço freia a enxurrada, diminui a força com que ela arranca o solo e dá tempo para a água entrar na terra. É uma das práticas mais antigas da agricultura em morros e encostas, usada em vários continentes. As medidas e as recomendações para os solos brasileiros estão em Terraceamento no Brasil.
Por que terraços: a erosão
Num terreno inclinado, a chuva que não entra no solo escorre e leva a camada de cima, a mais fértil. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) resumiu o tamanho do problema assim: o equivalente a um campo de futebol de solo é erodido a cada cinco segundos no mundo, e a erosão pode causar perdas de colheita de até 50% (FAO, 15/5/2019). O que é a erosão e os seus tipos estão em Erosão do solo.
Duas formas comuns
Os terraços mudam conforme a inclinação do terreno e o que se planta. Duas formas comuns são:
| Forma | Onde se usa | Como funciona |
|---|---|---|
| Terraços em degraus (bancadas) | encostas íngremes, como as da Cordilheira das Filipinas (UNESCO) | o morro vira uma escada de patamares planos, cada um sustentado por uma parede de terra ou de pedra |
| Terraços de camalhão | terrenos de declive suave, como os do Cerrado (Embrapa) | um dique de terra corta a lavoura em faixas e recolhe a enxurrada; no Brasil, a base vai de estreita (até 3 m) a larga (6 a 12 m) |
Fontes: UNESCO e Embrapa Cerrados, Circular Técnica 22, 2002 (PDF). As duas fazem a mesma coisa: dividem a encosta para que a água não ganhe velocidade. A classificação completa usada no Brasil, pela função (retenção ou escoamento) e pela largura da base, está em Terraceamento no Brasil.
Uma técnica antiga que hoje falha por outro motivo
A FAO chama o terraceamento de “uma abordagem que exige muito capital e é muito eficaz, praticada há milhares de anos”, e diz que hoje ele está “sujeito a falhar por má gestão e desenho ruim, e também por abandono” (FAO, 2019). Ou seja: o terraço não deixou de funcionar; o que falha é o terraço mal calculado, sem manutenção ou largado quando as pessoas deixam o campo.
Por isso o terraço não trabalha sozinho. Ele rende mais junto de outras práticas, como o plantio em nível, a cobertura do solo e o plantio direto. O conjunto está em Conservação do solo.
Filipinas: os terraços de arroz dos Ifugao
Nas montanhas da Cordilheira, na ilha de Luzon, o povo Ifugao planta arroz em terraços construídos em encostas íngremes, alimentados por um sistema de irrigação que traz água das florestas no alto dos morros. Pela UNESCO, a técnica é usada na região há cerca de 2.000 anos, e a manutenção é comunitária, apoiada em conhecimento ecológico detalhado, em ciclos agrícolas guiados pela Lua e em rituais religiosos. Os terraços estão na Lista do Patrimônio Mundial, com cinco conjuntos protegidos, e entraram na lista do Patrimônio em Perigo em 2001 (UNESCO, Rice Terraces of the Philippine Cordilleras).
Você sabia?
A UNESCO descreve os terraços de arroz das Filipinas como uma “paisagem cultural viva”: eles não são ruína, continuam sendo cultivados pelas famílias Ifugao, e é esse uso que os mantém de pé (UNESCO).
China: o Planalto de Loess
O Planalto de Loess, no centro-norte da China, tem um solo fino que o vento acumulou e que a chuva leva com facilidade para o rio Amarelo. Lá vivem mais de 50 milhões de pessoas. Com dois projetos apoiados pelo Banco Mundial, que combinaram terraços, replantio e proibição do pastoreio nas encostas, a cobertura vegetal nas áreas do projeto passou de 17% para 34%, e o sedimento que chegava ao rio Amarelo caiu mais de 100 milhões de toneladas por ano. Mais de 2,5 milhões de pessoas, nas províncias de Shanxi, Shaanxi e Gansu e na Mongólia Interior, saíram da pobreza, e a renda por pessoa subiu de cerca de US$ 70 para cerca de US$ 200 por ano (Banco Mundial, 15/3/2007). Pelo mesmo relatório, o terraceamento aumentou a produtividade média das lavouras e também a deixou mais estável de um ano para o outro.
O caso mostra o terraço como parte de um plano para a bacia inteira, e não como obra isolada numa propriedade.
No Brasil
No Brasil, a Embrapa Cerrados recomenda terraço de base larga e em nível nos Latossolos e nas Areias Quartzosas e indica o terraço também no plantio direto, porque mesmo nesse sistema há perda de água pela enxurrada. Os tipos, as larguras e quando usar cada um estão em Terraceamento no Brasil.
Termos vizinhos
- Terraceamento no Brasil (link).
- Erosão do solo (link).
- Conservação do solo (link).
- Plantio direto (link).
Resumo: principais perguntas e respostas
A construção de terraços, estruturas de terra com canal e camalhão feitas atravessando o declive para frear a enxurrada e fazer a água entrar no solo.
Para diminuir a erosão. A FAO diz que a erosão pode reduzir as colheitas em até 50%.
Sim. A FAO diz que ele é muito eficaz, mas que hoje falha muitas vezes por mau desenho, má gestão e abandono.
Os terraços de arroz das Cordilheiras das Filipinas, feitos pelos Ifugao há cerca de 2.000 anos e protegidos pela UNESCO.
Terraços, replantio e controle do pastoreio, com apoio do Banco Mundial: o sedimento no rio Amarelo caiu mais de 100 milhões de toneladas por ano.
Fontes
- FAO. Save Our Soils: Finding ways to stop erosion. 15/5/2019.
- UNESCO. Rice Terraces of the Philippine Cordilleras (Patrimônio Mundial).
- Embrapa Cerrados. A conservação da água via terraceamento em sistemas de plantio direto e convencional no Cerrado, Circular Técnica 22 (PDF). 2002.
- Banco Mundial. Restoring China’s Loess Plateau. 15/3/2007.
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