Anfíbios

Sapo-cururu: as espécies, o que come e o que é verdade sobre o veneno

Nível de leitura: Ensino Médio

123 Ecos Redação

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Atualizado em: 02/11/2026

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O sapo-cururu é um dos sapos mais conhecidos do Brasil: grande, pardo, de pele cheia de verrugas e com duas glândulas de veneno atrás dos olhos. “Cururu”, porém, não é o nome de uma espécie só. É o nome popular de vários sapos grandes do gênero Rhinella, da família dos sapos verdadeiros (Bufonidae). Os mais comuns são o Rhinella diptycha, no Cerrado, na Caatinga e no Pantanal, e o Rhinella marina, na Amazônia.

FichaRhinella diptychaRhinella marina
Nome comumSapo-cururuSapo-cururu, sapo-boi
FamíliaBufonidaeBufonidae
Tamanho e pesoSem medida na fonte consultadaEm geral 15 a 17,5 cm, até 23,8 cm; peso médio de 106 g
Onde viveDo Pará e do Maranhão ao Rio Grande do Sul e ao Espírito Santo, e no interior; também Argentina, Bolívia, Paraguai e UruguaiDo vale do Rio Grande, no Texas (Estados Unidos), até a Amazônia central e o sudeste do Peru
Situação na IUCNNão informada nesta versãoPouco Preocupante
Situação no BrasilNão ameaçado (fora da Portaria MMA 1.704/2026)Não ameaçado (fora da Portaria MMA 1.704/2026)

A distribuição do R. diptycha vem do Amphibian Species of the World, do Museu Americano de História Natural. Os dados do R. marina vêm do Animal Diversity Web, da Universidade de Michigan.

Um nome, várias espécies

O nome científico do cururu do Brasil central mudou há pouco tempo. Por muitos anos, ele foi chamado de Rhinella schneideri. Em 2018, os argentinos Esteban Lavilla e Francisco Brusquetti concluíram, na revista Zootaxa, que um sapinho jovem descrito em 1862 com o nome de Bufo diptychus era da mesma espécie. Pela regra da zoologia, vale o nome mais antigo, e o cururu passou a ser Rhinella diptycha. O Amphibian Species of the World registra que um estudo de 2022 levantou dúvidas sobre essa troca, e a questão ainda não está encerrada.

Como é

O cururu é um sapo grande, de pele seca e cheia de verrugas. Atrás de cada olho, há uma glândula grande e saliente, a glândula paratoide, que concentra muitas glândulas da pele e guarda o veneno, segundo o Instituto Butantan (2017). No R. marina, segundo o Animal Diversity Web, as costas são de um pardo-oliva acinzentado, com verrugas de ponta escura; as glândulas paratoides vão da frente do tímpano até o meio das costas; e a barriga é branco-amarelada com manchas escuras. Machos e fêmeas são parecidos, e a pupila é horizontal, como em outras espécies que caçam à noite.

Onde vive

O R. diptycha vive do Pará e do Maranhão ao Rio Grande do Sul e ao Espírito Santo, também no interior, de 15 a 1.500 metros de altitude, segundo o Amphibian Species of the World. O R. marina prefere matas com água por perto, segundo o Animal Diversity Web, e busca comida à noite também em estradas. Nas épocas frias ou secas, fica parado em buracos rasos, embaixo da vegetação.

O R. diptycha foi levado pelo ser humano ao arquipélago de Fernando de Noronha, onde não existia, segundo o Amphibian Species of the World.

Alimentação

O cururu caça à noite. No R. marina, o Animal Diversity Web cita formigas, besouros e tesourinhas, observados no sul da Flórida, além de libélulas, gafanhotos, crustáceos e caracóis. O livro Animais venenosos, do Instituto Butantan (2017), cita cobras, lagartos e ratos entre as presas do cururu. O Animal Diversity Web registra R. marina com restos de plantas e até ração de cães e gatos no estômago.

Reprodução

O cururu tem girino, como a maioria dos anuros. Segundo o Animal Diversity Web, no R. marina:

  • os machos se juntam em água parada ou de corrente fraca e cantam para atrair as fêmeas;
  • a fecundação é externa, e a fêmea põe os ovos em longos cordões de gelatina, presos a pedras ou plantas, com mais de 30 mil ovos de uma vez;
  • os ovos eclodem de 2 a 7 dias depois, e os girinos, pequenos e pretos, ficam em grupos;
  • a metamorfose leva de 45 a 55 dias;
  • não há cuidado com os filhotes.

O veneno

O cururu é um animal venenoso, e não peçonhento: ele não tem como injetar o veneno, que só age quando alguém o aperta ou morde. A diferença está em Qual é a diferença entre animal venenoso e peçonhento?.

Segundo o livro do Instituto Butantan (2017), quando as glândulas paratoides são apertadas, por exemplo pela mordida de um cachorro, elas soltam uma secreção branca e pastosa. O Animal Diversity Web explica que a secreção, a bufotoxina, age principalmente sobre o coração.

Cães e pessoas

  • Cães: segundo o Butantan, o cachorro que morde um sapo pode se intoxicar, e, se a secreção atinge as mucosas dos olhos, do nariz ou da boca, o efeito pode ser grave e até matar. O Animal Diversity Web cita salivação forte, espasmos, vômito e paralisia temporária em predadores que engolem a toxina.
  • Pessoas: o Butantan diz que praticamente não há casos registrados de intoxicação de pessoas por anfíbios.

O que é mito

  • “O xixi do sapo cega.” Não é verdade, segundo o Butantan. O líquido que o sapo solta quando é pego é uma solução de água muito diluída, guardada na bexiga, e é inofensivo, mesmo quando lançado longe.
  • “O sapo espirra veneno.” O cururu não lança o veneno: a secreção sai quando a glândula é apertada. Existe, porém, um sapo amazônico de outro gênero, o Rhaebo guttatus, que lança jatos de veneno quando é ameaçado. Foi o primeiro caso descrito em anfíbios do Brasil, por pesquisadores do Instituto Butantan, em 2011, segundo a Revista Pesquisa FAPESP.

Você sabia?

O Rhinella marina é o anfíbio mais levado pelo ser humano para fora da sua região no mundo: foi solto no Caribe, na Flórida, no Havaí e na Austrália. Na Austrália, a ideia era que comesse um besouro que atacava a cana-de-açúcar. Segundo o Animal Diversity Web, não há prova de que tenha controlado alguma praga ali, e hoje ele é que é considerado praga: compete com os anfíbios nativos e faz cair o número de predadores, que não têm defesa contra a sua toxina.

Conservação

Nenhum sapo-cururu está ameaçado. As duas espécies principais estão fora da lista nacional de 2026, a Portaria MMA nº 1.704, e a IUCN classifica o R. marina como Pouco Preocupante, segundo o Animal Diversity Web. Na região de origem, ele é comum. Do mesmo gênero, só o Rhinella casconi, outra espécie, aparece na lista nacional, como Criticamente em Perigo. Os grupos de anfíbios e as espécies ameaçadas do país estão em Anfíbios do Brasil.

Fontes

Impresso de https://123ecos.com.br/docs/sapo-cururu-as-especies-o-que-come-e-o-que-e-verdade-sobre-o-veneno/ · Atualizado em 02/11/2026 · 123 Ecos

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