123 Ecos Redação
A equipe editorial da 123 Ecos produz os textos com apoio de inteligência artificial, seguindo rigorosamente regras editoriais definidas por pessoas e fontes oficiais citadas. Cada postagem passa por auditoria e checagem de fontes antes de ser publicada.
Atualizado em: 02/11/2026
Nesta página
O Holoaden bradei é um sapinho que só vivia no alto do Parque Nacional do Itatiaia, na divisa de Minas Gerais com o Rio de Janeiro. O último exemplar guardado em coleção foi coletado em 1979, e, apesar de várias buscas, ninguém o encontra há décadas. Na lista nacional de 2026, ele está Criticamente em Perigo, possivelmente extinto.
| Ficha | Dados |
|---|---|
| Nome comum | Sapinho-manicure (também rãzinha-verrugosa-da-serra-de-brade) |
| Nome científico | Holoaden bradei B. Lutz, 1958 |
| Família | Strabomantidae (na Portaria) |
| Tamanho | Não informado nesta versão |
| Onde vivia | Um ponto no Parque Nacional do Itatiaia, acima de 2.000 m |
| Situação na IUCN | Criticamente em Perigo, segundo a avaliação global de 2004 citada pelo ICMBio (2018) |
| Situação no Brasil | criticamente em perigo, possivelmente extinta (Portaria MMA 1.704/2026) |
Os nomes populares vêm da ficha do ICMBio no Livro Vermelho (2018). A Portaria põe a espécie na família Strabomantidae; o Livro Vermelho e o catálogo Amphibian Species of the World (ASW) a põem em Craugastoridae.
A descoberta
A espécie foi descrita em 1958 pela cientista Bertha Lutz, no artigo “Anfíbios novos e raros das serras costeiras do Brasil“, nas Memórias do Instituto Oswaldo Cruz. Na época, segundo o resumo do artigo, ela era “muito abundante na localidade-tipo” e parecia “endêmica no Alto Itatiaia”. Localidade-tipo é o lugar de onde vêm os exemplares usados para descrever a espécie.
Onde vivia
Segundo o ICMBio (2018), o Holoaden bradei é conhecido de um só ponto no parque nacional do Itatiaia, na Serra da Mantiqueira, acima de 2.000 metros de altitude, no município de Itamonte (MG), na divisa com o Rio de Janeiro. O ASW situa a espécie nas partes altas do Itatiaia, no Rio de Janeiro, de 2.400 a 2.600 metros.
Ele vivia no chão, debaixo de folhas mortas e detritos, e se escondia sob pedras e em bromélias que crescem no solo. Os ovos eram postos no próprio chão, entre as folhas, segundo o ICMBio. O parque está em Parque Nacional do Itatiaia.
O último registro e as buscas
As fontes dão duas datas:
- segundo o ICMBio (2018), “nenhum indivíduo novo foi coletado desde 1979”, apesar de várias buscas na área;
- segundo a avaliação de necessidades de conservação feita em 2020 por especialistas do Brasil (AArk/ASG), o último exemplar foi coletado em 1979; alguns indivíduos foram registrados em 1985, e nenhum outro foi encontrado a partir de 1991.
Houve buscas depois disso. Entre 2004 e 2006, foram feitos levantamentos de campo extensos na área original da espécie, segundo a mesma avaliação de 2020. Em 2021, um projeto da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) procurou no parque espécies que, segundo o relatório, “não são registrados na região nos últimos 30 anos, pelo menos”, entre elas o Holoaden bradei. O relatório, publicado pelo parque, conta o reencontro de outras duas espécies, mas não o deste sapinho.
Nas fontes consultadas, até 2 de novembro de 2026, não encontramos registro posterior ao de 1985 citado pela avaliação de 2020.
Por que sumiu
As fontes não concordam:
- para o ICMBio (2018), “as causas da redução da população são desconhecidas”. A avaliação de 2020 diz o mesmo;
- a Pesquisa FAPESP (2017), numa legenda de foto, diz que o Holoaden bradei foi “eliminado pelo quitrídio nos anos 1980”. A reportagem trata de um estudo que ligou o fungo quitrídio aos sumiços de Anfíbios na Mata Atlântica, inclusive em Itatiaia.
O papel do quitrídio nesses sumiços está na página Anfíbios do Brasil.
Você sabia?
O Holoaden bradei não sumiu sozinho. Na ficha da perereca Scinax duartei, que se reproduz numa lagoa do Brejo da Lapa, no Itatiaia, o ICMBio (2018) conta que, no mesmo corpo d’água, o Holoaden bradei e a rãzinha Paratelmatobius lutzii “não foram mais encontradas desde a década de 1970, apesar de esforços de procura”.
Conservação no Brasil
Na lista nacional, atualizada pela Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026, o Holoaden bradei está criticamente em perigo, possivelmente extinto. Na avaliação publicada no Livro Vermelho de 2018, ele já era criticamente em perigo, com uma redução estimada de 80% da população.
Segundo o mesmo Livro Vermelho, a espécie era alvo do Plano de Ação Nacional para a Conservação da Herpetofauna Ameaçada da Mata Atlântica da Região Sudeste do Brasil, e o ICMBio recomendava novas buscas no parque nacional do Itatiaia e no entorno.
Fontes
- ICMBio. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, volume V, Anfíbios. Brasília, 2018. Ficha de Holoaden bradei, p. 43–44.
- Carvalho-e-Silva, A. M. P. T.; Toledo, L. F.; Carvalho-e-Silva, S. P. Conservation Needs Assessment de Holoaden bradei. AArk/ASG Brazil Assessment Workshop, 2020.
- Garcia, P. C. A.; Zaidan, B. F. Diversidade desaparecida: procura de espécies de anfíbios consideradas desaparecidas no Parque Nacional do Itatiaia. Relatório de atividades, UFMG, 2021.
- Lutz, B. Anfíbios novos e raros das serras costeiras do Brasil. Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, 56(2), 1958.
- Frost, D. R. Amphibian Species of the World: Holoaden bradei. Consultado em 2 nov. 2026.
- Pesquisa FAPESP. Epidemiologia retroativa. Maria Guimarães, ed. 253, mar. 2017.
- Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026. Anexo I, nº 59.
Impresso de https://123ecos.com.br/docs/holoaden-bradei-o-sapinho-do-itatiaia-que-nao-e-encontrado-ha-decadas/ · Atualizado em 02/11/2026 · 123 Ecos

