Em 2026, a lista nacional de animais ameaçados de extinção foi trocada por duas portarias do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. A primeira, de abril, reúne os peixes e invertebrados aquáticos. A segunda, de junho, reúne os demais grupos: mamíferos, aves, répteis, anfíbios e invertebrados terrestres. Antes delas, valia a lista de 2022.
As duas portarias #
A Portaria GM/MMA nº 1.667, de 27 de abril de 2026, lista 490 espécies e subespécies de peixes e invertebrados aquáticos ameaçados: 154 criticamente em perigo, 176 em perigo e 160 vulneráveis. Ela revogou a Portaria MMA nº 445, de 2014.
A Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026, lista 790 dos demais animais no anexo I: 168 criticamente em perigo (25 deles com a marca “possivelmente extinta”), 285 em perigo, 336 vulneráveis e 1 extinto na natureza. O anexo II traz 9 espécies extintas, 6 no mundo todo e 3 só no Brasil.
As contas acima foram feitas nas cópias das portarias publicadas no site do ICMBio.
O que entrou #
Na Portaria 1.704, 184 nomes vêm marcados com um asterisco, que a própria portaria explica como “espécies que não constavam na Lista anterior”, a de 2022. Isso inclui espécies avaliadas pela primeira vez como ameaçadas, mas também pode incluir nomes científicos que mudaram, por isso o número não é o mesmo que “espécies novas ameaçadas”.
Dois exemplos marcados com o asterisco:
- Anodorhynchus hyacinthinus, a arara-azul-grande da reportagem da Folhapress (9/9/2026), agora vulnerável. Ouvido pela Folhapress, o pesquisador Luís Fábio Silveira, do Museu de Zoologia da USP, diz que as maiores populações da espécie, no Pantanal, “sofreram enormemente com os seguidos incêndios no bioma”;
- Sotalia fluviatilis, o tucuxi da mesma reportagem, agora em perigo; a Folhapress o descreve como um dos animais mais conhecidos da Amazônia.
Quem mudou de categoria #
A comparação completa com a lista de 2022 não está nas portarias de 2026. As mudanças abaixo foram noticiadas e a categoria nova foi conferida na Portaria 1.704:
- Antilophia bokermanni, o soldadinho-do-araripe da reportagem do Diário do Nordeste (4/7/2026): passou de criticamente em perigo para em perigo, segundo o jornal, que liga a mudança à estimativa atual da população, de 436 a 540 adultos;
- o sauim-de-coleira (Saguinus bicolor): de criticamente em perigo para em perigo, e Eubalaena australis, a baleia-franca-austral da reportagem: de em perigo para vulnerável, segundo a Folhapress;
- o peixe-boi-marinho (Trichechus manatus), que aparece como criticamente em perigo na Portaria 1.704, e Tursiops gephyreus, o boto-de-lahille da reportagem, também criticamente em perigo, estão entre os que pioraram, segundo a Folhapress.
O que muda na prática #
Estar na lista dá proteção legal à espécie e pode levar a um plano de ação para reduzir as ameaças. Como uma espécie é avaliada e chega à lista está explicado em Como uma espécie entra na lista de ameaçadas de extinção?. As espécies que o Brasil já perdeu estão em Quais espécies brasileiras já foram declaradas extintas?.
Fontes #
- Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Portaria GM/MMA nº 1.667, de 27 de abril de 2026. Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção: Peixes e Invertebrados Aquáticos (cópia no site do ICMBio).
- Ministério do Meio Ambiente e Mudança do clima. Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026. Lista Nacional Oficial das Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção (anexo I) e das extintas (anexo II) (cópia no site do ICMBio).
- Diário do Nordeste. Soldadinho-do-araripe tem ameaça de extinção reduzida em lista nacional e mudança gera divergências. 4 de julho de 2026.
- Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Plano de Ação Nacional para a Conservação do Sauim-de-coleira: sumário. Consultado em 26 de outubro de 2026.
- Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Parque Nacional do Cabo Orange (lista de espécies ameaçadas, com o peixe-boi-marinho). Consultado em 26 de outubro de 2026.
- Folhapress, em Bahia Notícias. Arara-azul e boto-tucuxi entram na lista de espécies brasileiras ameaçadas de extinção. 9 de setembro de 2026.
