Polinização e Serviços Ecossistêmicos

Polinização agrícola: o papel das abelhas no Brasil

Nível de leitura: Ensino Médio

Eliane Camara

Bióloga, professora de Ciências, ativista ambiental - acredito em um mundo mais justo e sustentável! Vamos embarcar juntos nessa jornada?

Atualizado em: 24/10/2026

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Campos agrícolas com flores e abelhas polinizadoras em colméias, representando a polinização agrícola.
A polinização agrícola mostra como a agricultura familiar e a conservação de abelhas podem caminhar juntas, promovendo assim energia limpa e inclusão social.
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A polinização agrícola é o trabalho que abelhas e outros animais fazem nas lavouras ao levar o pólen de uma flor para outra. Em muitas culturas, como café, maçã, maracujá e melão, essa visita aumenta a quantidade de frutos e sementes e melhora o tamanho e a forma deles.

É um serviço gratuito da natureza, mas com valor econômico alto. No Brasil, ele foi estimado em R$ 43 bilhões em 2018.

O que é polinização

A polinização é a transferência do pólen da parte masculina para a parte feminina das flores, o que permite a formação de frutos e sementes. Ela pode ser feita por animais, pelo vento ou pela água.

Nem toda lavoura depende de animais. Os grãos mais plantados no mundo, como trigo, arroz e milho, são polinizados pelo vento. Mesmo assim, um estudo internacional de 2007 mostrou que 87 das 115 principais culturas alimentares do mundo (cerca de 75%) se beneficiam da polinização por animais. Juntas, elas somam cerca de 35% do volume de alimentos produzido no planeta.

A polinização agrícola no Brasil

O retrato mais completo é o Relatório Temático sobre Polinização, Polinizadores e Produção de Alimentos no Brasil, lançado em fevereiro de 2019 pela Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES) e pela Rede Brasileira de Interações Planta-Polinizador (REBIPP). Ele mostra que:

  • Das 191 culturas usadas na produção de alimentos no Brasil, 114 (60%) são visitadas por polinizadores.
  • O valor da polinização para a agricultura brasileira foi estimado em cerca de R$ 43 bilhões em 2018.
  • A soja responde por cerca de 60% desse valor, seguida pelo café (12%), pela laranja (5%) e pela maçã (4%).
  • Mais de 600 espécies de insetos visitam as lavouras, e pelo menos 250 têm potencial de polinizar. As abelhas são 66% delas.

O peso da soja chama atenção porque ela pode se autopolinizar. Ainda assim, a visita de abelhas aumenta a produção, e como a área plantada é enorme, o ganho total também é.

Por que as abelhas são as principais aliadas

As abelhas visitam muitas flores seguidas da mesma espécie e carregam pólen no corpo e em estruturas próprias nas pernas. Isso as torna polinizadoras eficientes. Além da abelha-europeia (Apis mellifera), criada para mel, o Brasil tem grande diversidade de abelhas nativas, como as abelhas sem ferrão e as mamangavas, importantes para culturas como o maracujá.

Quando faltam polinizadores, a produção cai ou o agricultor precisa pagar pela polinização à mão, como acontece em muitas plantações de maracujá.

Estudo de caso: a mamona

A mamona (Ricinus communis) é plantada principalmente no Nordeste e seu óleo tem usos na indústria e no biodiesel. Ela é polinizada sobretudo pelo vento, e por isso parecia não precisar de abelhas.

Um estudo feito em uma plantação de cerca de 3.150 hectares em Canto do Buriti (PI), publicado em 2012, mostrou o contrário. As flores da mamona não produzem néctar: as abelhas coletam pólen nas flores masculinas e néctar em glândulas que ficam fora das flores. Ao circular pela planta, elas espalham o pólen e fazem as flores soltarem mais pólen no ar. Com colmeias de Apis mellifera na área, a produção de sementes subiu de 298 para 389 quilos por hectare, um aumento de cerca de 31%.

O caso mostra que até culturas polinizadas pelo vento podem ganhar com a presença de abelhas, o que interessa à agricultura familiar da região, que pode combinar a lavoura com a criação de abelhas.

O que ameaça a polinização agrícola

O relatório brasileiro aponta o desmatamento e o uso de agrotóxicos mais tóxicos como as principais causas do declínio dos polinizadores no país. Os agrotóxicos são classificados como o poluente mais preocupante. Também pesam as mudanças climáticas, a perda de habitat, a poluição, as espécies invasoras e as doenças. Veja mais em Perda de polinizadores.

Como proteger os polinizadores nas lavouras

  • Manter áreas de vegetação nativa perto das plantações, que servem de abrigo e alimento para abelhas nativas.
  • Evitar aplicar inseticidas durante a floração e preferir produtos menos tóxicos para abelhas.
  • Combinar lavoura e criação de abelhas, com acordo entre agricultor e apicultor.
  • Apoiar a agricultura sustentável, com cultivos variados e faixas de flores.

Ver também: Animais polinizadores e Apicultura sustentável.

Resumo: principais perguntas e respostas

O que é polinização agrícola?

É a polinização feita por abelhas e outros animais nas lavouras, que aumenta a quantidade e a qualidade de frutos e sementes.

Quanto vale a polinização para a agricultura brasileira?

Cerca de R$ 43 bilhões em 2018, segundo o relatório da BPBES e da REBIPP, publicado em 2019.

Todas as culturas dependem de polinizadores?

Não. Trigo, arroz e milho são polinizados pelo vento. Mas 114 das 191 culturas usadas na produção de alimentos no Brasil são visitadas por polinizadores.

As abelhas ajudam até plantas polinizadas pelo vento?

Sim. Na mamona, a presença de colmeias aumentou a produção de sementes em cerca de 31%, segundo estudo feito no Piauí.

O que ameaça a polinização agrícola no Brasil?

Principalmente o desmatamento e o uso de agrotóxicos mais tóxicos, além das mudanças climáticas, da poluição e das doenças.

Fontes

Impresso de https://123ecos.com.br/docs/polinizacao-agricola-importancia-abelhas/ · Atualizado em 24/10/2026 · 123 Ecos

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