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O que é DNA ambiental e como ele ajuda a encontrar espécies?

Atualizado em: 24/10/2026 · Nível de leitura: Ensino Médio

DNA ambiental, ou eDNA, é o material genético que os seres vivos deixam no ambiente: na água, no solo e até no ar. Peixes, sapos e mamíferos soltam o tempo todo células, muco, fezes e restos de pele. Coletando uma amostra de água de um rio, por exemplo, os cientistas conseguem ler esse DNA e descobrir quais espécies passaram por ali, sem precisar ver nem capturar nenhum animal.

Como funciona #

No caso dos peixes, o processo segue quatro passos:

  1. coletar e filtrar a água, às vezes só cerca de 100 mililitros;
  2. misturar o material filtrado a uma solução que impede o DNA de se estragar;
  3. extrair o DNA no laboratório;
  4. ler um pequeno trecho do DNA, como um “código de barras”, e comparar com uma biblioteca de referência, que diz a qual espécie cada código pertence.

Para que serve #

  • descobrir espécies raras ou difíceis de ver;
  • detectar cedo a chegada de espécies invasoras;
  • acompanhar se uma espécie ameaçada ainda está num lugar;
  • fazer inventários com menos impacto, sem redes nem armadilhas.

Um teste na Amazônia #

Em 2021, uma equipe de pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos, com apoio da FAPESP, testou o método na bacia do rio Javari, na fronteira do Brasil com a Colômbia e o Peru. Com redes e outros métodos tradicionais, eles encontraram 443 espécies de peixes, mais de 60 delas novas para a ciência.

Nos três pontos onde também coletaram água, o resultado foi:

  • os métodos tradicionais acharam 201 espécies;
  • o DNA ambiental identificou até o nível de espécie só 58, cerca de um quarto.

O motivo é que muitas espécies amazônicas ainda não têm o seu “código de barras” registrado, e muitas nem foram descritas. Mesmo assim, o DNA ambiental conseguiu separar bem os grupos de peixes e distinguir as comunidades dos rios das dos igarapés.

O limite do método #

O DNA ambiental só identifica o que já está nas bibliotecas de referência. Para isso, é preciso que alguém tenha coletado e estudado exemplares da espécie antes. Por isso os pesquisadores defendem que o método complementa, e não substitui, o trabalho tradicional e as coleções dos museus. Veja por que tantas espécies ainda não têm nome em Quantas espécies existem no planeta e quantas já conhecemos?.

Ver também: Perda de biodiversidade aquática e Diversidade genética.

Fontes #

Pastas Ecopédia

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