As plantas que não precisam de animais para serem polinizadas usam principalmente o vento e, mais raramente, a água para levar o pólen. Segundo a IPBES, quase 90% das plantas silvestres com flores dependem, ao menos em parte, de animais; a maior parte das restantes faz polinização pelo vento. Entre elas estão os grãos que mais alimentam o mundo: milho, trigo e arroz.
Polinização pelo vento #
Plantas polinizadas pelo vento, chamadas anemófilas, têm flores muito diferentes das que atraem animais:
- Flores pequenas, verdes ou pardas, sem perfume e sem néctar, porque não precisam atrair ninguém.
- Muito pólen, leve e seco, solto em nuvens. Um único pé de milho libera milhões de grãos de pólen.
- Estigmas grandes e plumosos, como o “cabelo” da espiga de milho, que funcionam como rede para pegar o pólen no ar.
- Flores expostas, acima das folhas ou antes de as folhas nascerem, para o vento passar livre.
Exemplos: gramíneas (milho, trigo, arroz, cevada, cana-de-açúcar e capins), muitas árvores de clima frio (carvalho, bétula), além das coníferas, como pinheiros e a araucária, que não têm flores, mas também espalham pólen pelo vento.
Polinização pela água #
É rara. Acontece em algumas plantas aquáticas e nas gramas marinhas, que vivem submersas no mar raso. O pólen é levado pela corrente até as flores femininas.
Autopolinização #
Muitas plantas também conseguem se polinizar com o próprio pólen, dentro da mesma flor. A soja e o feijão fazem isso. Mesmo assim, várias delas produzem um pouco mais quando recebem visitas de abelhas. Veja A soja depende de abelhas?.
Por que isso importa #
- Alimentação: como os grãos são polinizados pelo vento, a falta de polinizadores não acabaria com as calorias da humanidade, mas reduziria frutas, castanhas e sementes ricas em vitaminas. Veja Como a falta de polinizadores afeta a segurança alimentar global?.
- Saúde: o pólen solto no ar pelas plantas anemófilas, como gramíneas, é o que mais causa alergia respiratória. O pólen das flores visitadas por abelhas é pesado e pegajoso e quase não fica no ar.
Ver também: Polinização e O que são síndromes de polinização?.
Fontes #
- IPBES. Assessment report on pollinators, pollination and food production, 2016. Comunicado da FAO.
- Klein, A.-M. e outros. Importance of pollinators in changing landscapes for world crops. Proceedings of the Royal Society B, 2007.
