Anfíbios

Anfíbios possivelmente extintos: o que significa e quais são no Brasil

Nível de leitura: Ensino Médio

123 Ecos Redação

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Atualizado em: 02/11/2026

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Em poucas palavras

Na lista nacional de 2026, 15 anfíbios estão marcados como "possivelmente extintos". Isso quer dizer que há sinais de que sumiram, mas ainda não houve busca suficiente para afirmar que o último morreu. Por precaução, eles ficam como Criticamente em Perigo. Muitos viviam em serras da Mata Atlântica, onde um fungo, o quitrídio, é apontado como causa de sumiços nos anos 1980.

Nesta página

Alguns anfíbios brasileiros não são vistos há décadas, mas ainda não foram declarados extintos. Na lista nacional de espécies ameaçadas de 2026, eles aparecem com a marca CR (PE): Criticamente em Perigo, possivelmente extinta. Pela nossa conta no Anexo I da Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026, 15 anfíbios têm essa marca. Os outros grupos e as categorias da lista estão em Anfíbios: o que são, os grupos e as espécies do Brasil.

O que quer dizer “possivelmente extinta”

A Portaria só traz a sigla: “CR (PE) = Criticamente em Perigo (Possivelmente Extinta)”. A explicação está no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, do ICMBio (2018). Segundo ele:

  • uma espécie só é considerada Extinta quando “não restam quaisquer dúvidas de que o último indivíduo tenha morrido”, depois de buscas exaustivas em toda a área onde ela vivia;
  • quando “há indícios de extinção da espécie, mas ainda não houve esforço de busca suficiente para afirmar que o último indivíduo tenha morrido, por precaução” ela fica como criticamente em perigo, com a indicação de possivelmente extinta.

Em outras palavras, a marca PE é uma forma de cautela. A espécie continua na lista das ameaçadas, e não na das extintas, porque ainda pode haver algum grupo escondido. Por isso, o certo é dizer “possivelmente extinta”, e não “extinta”.

Os 15 anfíbios possivelmente extintos

Todos são sapos, rãs ou pererecas (ordem Anura).

Nº na listaEspécieFamíliaOnde vivia
2Anomaloglossus tepequemAromobatidaeEncostas da serra do Tepequém, acima de 500 m, em Roraima
6Ischnocnema epipedaBrachycephalidaeArredores de Santa Teresa (ES)
19Ceratophrys ornataCeratophryidaeLitoral sul do Rio Grande do Sul; também Argentina e Uruguai
22Cycloramphus stejnegeriCycloramphidaeSerra dos Órgãos (RJ)
23Thoropa lutziCycloramphidaeEstado do Rio de Janeiro, de 200 a 800 m
24Thoropa petropolitanaCycloramphidaeSerra dos Órgãos (RJ), acima de 800 m
34Ololygon peixotoiHylidaeIlha da Queimada Grande, litoral de São Paulo (ICMBio, 2018)
39Crossodactylus boulengeriHylodidaeFaixa da Serra do Mar entre Angra dos Reis (RJ) e São Paulo
41Crossodactylus disparHylodidaeNorte da Serra do Mar, em São Paulo e no Rio de Janeiro; também Misiones (Argentina)
42Crossodactylus franciscanusHylodidaeSão Roque de Minas, no Parque Nacional da Serra da Canastra, e Passos (MG)
43Hylodes glaberHylodidaeRegião de Itatiaia (RJ)
49Paratelmatobius lutziiLeptodactylidaeBrejo da Lapa, no Alto do Itatiaia, acima de 2.000 m (ICMBio, 2018)
55Phrynomedusa marginataPhyllomedusidaeSanta Teresa (ES)
56Phrynomedusa vanzoliniiPhyllomedusidaeEstação Biológica de Boracéia (SP) e Teresópolis (RJ)
59Holoaden bradeiStrabomantidaeUm ponto no Parque Nacional do Itatiaia, acima de 2.000 m (ICMBio, 2018)

Os números, os nomes e as famílias vêm da Portaria. Os lugares vêm do catálogo Amphibian Species of the World, do Museu Americano de História Natural, consultado em 2 de novembro de 2026, salvo onde a tabela indica o ICMBio. Em alguns casos, as fontes dão áreas um pouco diferentes; as fichas explicam.

Pela nossa conta na tabela, três dessas espécies viviam na região de Itatiaia e duas em Santa Teresa, no Espírito Santo. A maioria vivia em serras da Mata Atlântica. As exceções são Anomaloglossus tepequem, de uma serra de Roraima; Ololygon peixotoi, de uma ilha; Crossodactylus franciscanus, do Cerrado, segundo o ASW; e Ceratophrys ornata, do litoral do extremo sul. Esta última ainda vive na Argentina e no Uruguai, segundo o ASW, mas a lista nacional avalia só a situação no Brasil.

Por que tantos sumiram

Nos anos 1980, várias espécies de anfíbios desapareceram de serras da Mata Atlântica, inclusive de lugares com a mata preservada. Segundo a Pesquisa FAPESP (março de 2017):

  • o cenário foi “principalmente o trecho da Mata Atlântica entre o Paraná e o Espírito Santo”, e incluiu “áreas onde a floresta está intacta”, como a Estação Biológica de Boraceia e o Parque Nacional do Itatiaia;
  • um estudo de Tamilie Carvalho, Luís Felipe Toledo (Unicamp) e Guilherme Becker (Unesp), publicado em 2017, examinou a boca de cerca de 33 mil girinos guardados em museus. A análise mostrou coincidência entre a presença do fungo Batrachochytrium dendrobatidis, o quitrídio, e a maior parte das extinções e dos declínios registrados, e o estudo aponta o fungo como causa;
  • para Toledo, “ao menos 65 espécies foram afetadas, levando a 49 extinções locais e ao desaparecimento de 15 espécies”. Essa é a conta do pesquisador para os anos 1980; não é a mesma lista dos 15 possivelmente extintos de 2026.

O quitrídio ataca a pele dos anfíbios. O que ele é e como age está em Patógenos: curiosidades e impactos ambientais. Na mesma reportagem, Becker levanta a hipótese de que as mudanças climáticas tenham ajudado o fungo. Antes do estudo, as suspeitas sobre os sumiços em Itatiaia giravam em torno da atividade humana, como uma estrada ou a poluição.

O quitrídio é uma explicação geral, não a resposta para cada espécie. Para várias das 15, as avaliações do ICMBio dizem que as causas do sumiço são desconhecidas. As fichas trazem o que as fontes dizem de cada uma.

Você sabia?

Espécies dadas como perdidas às vezes reaparecem. A perereca Phrynomedusa appendiculata, que não está na lista de 2026, não era vista havia 51 anos quando pesquisadores encontraram uma população se reproduzindo em florestas do planalto paulista, segundo o artigo de Moraes e colegas na revista Zootaxa (2022).

Possivelmente extinta x extinta

A lista de 2026 tem um anexo separado só para as espécies extintas. Nele há dois anfíbios: Boana cymbalum e Phrynomedusa fimbriata, marcados “EX” (Extinta). Pela definição do ICMBio, isso quer dizer que não restam dúvidas de que o último indivíduo morreu. Quais são as espécies brasileiras declaradas extintas está em Quais espécies brasileiras já foram declaradas extintas?.

Possivelmente extinta, CR (PE)Extinta, EX
Onde fica na PortariaAnexo I, das ameaçadasAnexo II, das extintas
O que se sabeHá indícios de que sumiuNão há dúvida de que o último morreu
anfíbios em 2026152

Resumo: principais perguntas e respostas

O que quer dizer “possivelmente extinta”?

Quer dizer que há indícios de que a espécie sumiu, mas ainda não houve busca suficiente para afirmar que o último indivíduo morreu. Por precaução, ela fica como criticamente em perigo, segundo o ICMBio.

Quantos anfíbios do Brasil são possivelmente extintos?

Pela nossa conta na lista nacional de 2026 (Portaria MMA nº 1.704), são 15. Outros 2 anfíbios estão no anexo das espécies extintas.

Por que esses anfíbios desapareceram?

O fungo quitrídio é apontado como causa de muitos sumiços na Mata Atlântica nos anos 1980, segundo um estudo de 2017. Para várias espécies, porém, a causa ainda é desconhecida.

Fontes

Impresso de https://123ecos.com.br/docs/anfibios-possivelmente-extintos-o-que-significa-e-quais-sao-no-brasil/ · Atualizado em 02/11/2026 · 123 Ecos

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