Mamíferos Terrestres

Cachorro-do-mato-de-orelhas-curtas: o canídeo raro e pouco estudado da Amazônia

Nível de leitura: Ensino Médio

123 Ecos Redação

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Atualizado em: 01/11/2026

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O cachorro-do-mato-de-orelhas-curtas (Atelocynus microtis) é “a única espécie de canídeo endêmica da Amazônia”, ou seja, que só existe ali, segundo a Pesquisa FAPESP (2020). É raro, vive em floresta fechada e é tão pouco estudado que não há estimativa da população. Está Vulnerável na lista nacional de espécies ameaçadas de 2026, sobretudo por causa do desmatamento.

FichaDados
Nome comumCachorro-do-mato-de-orelhas-curtas (também cachorro-de-orelha-curta)
Nome científicoAtelocynus microtis
FamíliaCanidae
Tamanho e pesoCerca de 1,15 m de comprimento total; 9 a 10 kg
Onde viveAmazônia: no Brasil, no Acre, em Rondônia, em Mato Grosso, no Pará e no Amazonas; também na Colômbia, no Equador, no Peru e na Bolívia
Situação na IUCNQuase Ameaçada, segundo o ICMBio (2013)
Situação no BrasilVulnerável (Portaria MMA 1.704/2026)

Os dados vêm da avaliação da espécie, feita pelo ICMBio e publicada em 2013, e do material do PAN Canídeos (ICMBio, 2020).

Como é

Segundo o material do PAN Canídeos (2020), é um canídeo de porte médio, com:

  • focinho longo e fino;
  • orelhas relativamente curtas e arredondadas, que dão o nome à espécie;
  • cabeça grande, pernas longas e cauda longa e grossa;
  • pelagem grossa, que pode ser preta, castanha ou cinza-arruivada, com variações de um animal para outro;
  • membranas entre os dedos.

Não é o cachorro-do-mato comum

O nome engana. O cachorro-do-mato comum (Cerdocyon thous) vive em quase todo o Brasil e não está ameaçado. O cachorro-do-mato-de-orelhas-curtas é outra espécie, de outro gênero, que só vive na Amazônia. A avaliação do ICMBio (2013) descreve as marcas que o distinguem do cachorro-do-mato e do cachorro-vinagre, com os quais pode viver na mesma área. A diferença entre os canídeos do Brasil e os seus nomes populares está em Canídeos do Brasil.

Onde vive

Segundo o material do PAN Canídeos (2020), a distribuição da espécie “ainda não é perfeitamente conhecida”. Ela vive em florestas pouco perturbadas das terras baixas da Amazônia, inclusive florestas de terra firme, florestas alagadas, florestas de bambu e matas na beira dos rios, e parece preferir as margens dos rios. Avistamentos em rios sugerem uma ligação forte com a água.

Na região de Alta Floresta (MT), no arco do desmatamento, a espécie foi registrada sete vezes, mas só em áreas de floresta contínua, segundo o mesmo material.

Como vive

Segundo o material do PAN Canídeos (2020):

  • vive sozinho e é ativo de dia e de noite;
  • come de tudo um pouco: frutos, insetos, mamíferos pequenos e médios, aves, répteis, anfíbios, caranguejos, peixes e carniça;
  • nascem de 2 a 3 filhotes; a duração da gestação é desconhecida;
  • a longevidade registrada em cativeiro é de 11,9 anos.

Uma espécie pouco conhecida

Segundo a avaliação do ICMBio (2013), a espécie “é muito pouco conhecida e estudada para permitir estimativas de densidade populacional”. Entrevistas com moradores da Amazônia sugerem que ela vive em densidade baixa. Em 2008, ela era classificada no Brasil como Dados Insuficientes, a categoria das espécies sobre as quais não há informação para avaliar o risco.

Nas fontes consultadas, até 2 de novembro de 2026, não encontramos estimativa de população.

Um estudo liderado pelo biólogo brasileiro Daniel Rocha, da Universidade da Califórnia em Davis e do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, reuniu 307 registros da espécie em cerca de 20 anos, 191 deles novos, com dados de armadilhas fotográficas espalhadas por quase toda a Amazônia, segundo a Pesquisa FAPESP (2020). O estudo foi publicado na revista Royal Society Open Science.

Ameaças

Segundo a avaliação do ICMBio (2013):

  • a perda do hábitat é a principal ameaça, porque a espécie precisa de floresta pouco perturbada. Cerca de 40% da área da espécie fica exatamente sobre o arco do desmatamento, e, em 18 anos, a expansão do desmatamento reduziu cerca de 28% dessa área;
  • animais são mortos por vingança, quando atacam aves domésticas, e alguns são caçados sem esse motivo;
  • já houve mortes por atropelamento;
  • doenças levadas por cães domésticos, como a parvovirose e a cinomose, são um risco. Na região de Cocha Cashu, na Amazônia peruana, a espécie “praticamente desapareceu” de 1970 a 1990, “possivelmente devido a alguma enfermidade”.

O estudo de 2020 prevê que cerca de 30% da área atual da espécie seja perdida ou fique muito menos adequada até 2027 por causa do desmatamento. Nas áreas sem proteção, a perda pode chegar a cerca de 40%, segundo o resumo do estudo. Os autores recomendaram passar a espécie de Quase Ameaçada para Vulnerável na classificação internacional, segundo a Pesquisa FAPESP (2020).

Você sabia?

No sul da Amazônia brasileira, quanto mais floresta havia, mais o cachorro-do-mato-de-orelhas-curtas usava a área, e quanto mais bordas de mata, menos ele usava, segundo o resumo do estudo de 2020.

Conservação no Brasil

Na lista nacional, atualizada pela Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026, a espécie está Vulnerável, como já estava na lista anterior. Ela está no Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Canídeos Silvestres, cujo 2º ciclo vai de 2025 a 2030, segundo a página do PAN Canídeos, e ocorre em várias unidades de conservação do Brasil, segundo a avaliação do ICMBio.

Fontes

Impresso de https://123ecos.com.br/docs/cachorro-do-mato-de-orelhas-curtas-o-canideo-raro-e-pouco-estudado-da-amazonia/ · Atualizado em 01/11/2026 · 123 Ecos

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