123 Ecos Redação
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Atualizado em: 02/11/2026
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Os bugios, também chamados de guaribas ou barbados, são macacos do gênero Alouatta, da família Atelidae, a mesma dos muriquis. São conhecidos pela voz alta, que pode ser ouvida a vários quilômetros. Pela nossa conta na lista nacional de 2026, cinco bugios estão ameaçados de extinção no Brasil. A família e os outros primatas do país estão em Primatas do Brasil.
A voz dos bugios
O som mais conhecido dos bugios é o ronco. As vocalizações mais intensas “podem ser ouvidas a vários quilômetros”, e a força delas se deve “parcialmente” ao desenvolvimento do osso hioide, um osso da garganta que nos bugios é muito desenvolvido, segundo a dissertação de Carla Costa, da Universidade Federal de Alfenas (2016). Essas vocalizações de longo alcance parecem ligadas à defesa do território: a maior parte dos registros acontece quando um grupo encontra outro ou percebe a presença dele, segundo o mesmo trabalho.
O que comem
Como todas as espécies do gênero, os bugios comem folhas e frutos, segundo a avaliação do ICMBio da guariba (A. ululata), que usa o termo “folívoro-frugívoro”. O bugio-preto, por exemplo, prefere “frutos maduros e folhas novas”, disse o primatólogo Júlio César Bicca-Marques, e, quando eles faltam, já foi visto roubando ovos de ninhos e de galinheiros, segundo a Pesquisa FAPESP (2009).
As folhas são um alimento pesado. Num estudo da Unesp no Parque Estadual Carlos Botelho (SP), os pesquisadores observaram que as folhas muito fibrosas pedem um longo tempo de digestão e que, com essa dieta e com o calor, os bugios-ruivos descansam mais e andam menos, segundo a Agência FAPESP (2026).
Os bugios na lista de 2026
Pela nossa conta no Anexo I da Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026, estão ameaçados:
| Espécie | Nome popular (ICMBio) | Onde vive | Categoria em 2026 |
|---|---|---|---|
| Alouatta guariba | Bugio-ruivo | Mata Atlântica, do sul da Bahia ao Rio Grande do Sul | Em Perigo (*) |
| Alouatta ululata | Guariba | Nordeste: Maranhão, Piauí e Ceará | Em Perigo |
| Alouatta belzebul | Guariba-de-mãos-ruivas | Leste da Amazônia e Mata Atlântica do Nordeste | Vulnerável |
| Alouatta caraya | Bugio-preto | Cerrado, Pantanal, Caatinga, Mata Atlântica e Pampa | Vulnerável (*) |
| Alouatta discolor | Guariba-de-mãos-ruivas | Amazônia ao sul do rio Amazonas, no Pará e em Mato Grosso | Vulnerável |
Os nomes populares e as áreas vêm das avaliações do ICMBio de 2012. O asterisco (*) é a marca que a Portaria explica assim: “Espécies que não constavam na Lista anterior – Portaria MMA nº 148, de 7 de junho de 2022”. A Portaria não explica o asterisco caso a caso. Na avaliação de 2012, o bugio-ruivo aparecia em duas subespécies, e o bugio-preto era Quase Ameaçado.
O nome “guariba-de-mãos-ruivas” aparece em duas espécies, porque A. discolor e A. ululata já foram tratadas como partes de A. belzebul. A história está na ficha da guariba-de-mãos-ruivas.
Os bugios e a febre amarela
A avaliação do ICMBio diz que o bugio-ruivo é “altamente suscetível” à febre amarela. Segundo a Pesquisa FAPESP (2018):
- no Rio Grande do Sul, o surto de 2008 e 2009 matou mais de 2 mil bugios-ruivos e bugios-pretos;
- no Sudeste, o surto que começou em 2016 matou milhares de macacos. Em dezembro de 2017, o ecólogo Márcio Port Carvalho recolheu 65 bugios-ruivos mortos pelo vírus no Horto Florestal de São Paulo.
Os macacos não transmitem a febre amarela: quem transmite são mosquitos. Quando aparecem macacos doentes ou mortos numa região, é sinal de que o vírus está circulando ali, e por isso eles são chamados de sentinelas. A explicação, com as fontes, está em Febre amarela: o ciclo silvestre e por que os macacos são sentinelas.
As ameaças
As avaliações do ICMBio (2012) do bugio-ruivo, do bugio-preto e da guariba-de-mãos-ruivas apontam ameaças em comum:
- a perda e a divisão das matas, pela expansão da agricultura, da pecuária e das cidades;
- a caça, que nas três avaliações aparece entre as principais ameaças;
- as epidemias, sobretudo a febre amarela.
Há também ameaças citadas para uma espécie só. Para o bugio-ruivo, a avaliação cita os cães domésticos, perto de áreas urbanas e rurais, e os acidentes na rede elétrica. Para o bugio-preto, cita os incêndios e a captura de filhotes para o tráfico de animais. Os detalhes estão nas fichas.
Você sabia?
O Parque Estadual da Cantareira e as áreas próximas, em São Paulo, abrigam “uma das maiores populações de bugios (Alouatta clamitans) do país”, segundo a reportagem A redescoberta de uma floresta, da Pesquisa FAPESP (2013). O parque tem ficha no site: Parque Estadual da Cantareira.
Os bugios com ficha no site
| Espécie | Onde vive | Situação no Brasil (2026) |
|---|---|---|
| Bugio-ruivo (Alouatta guariba) | Mata Atlântica | Em Perigo |
| Bugio-preto (Alouatta caraya) | Cerrado, Pantanal, Caatinga, Mata Atlântica e Pampa | Vulnerável |
| Guariba-de-mãos-ruivas (Alouatta belzebul) | Leste da Amazônia e Mata Atlântica do Nordeste | Vulnerável |
Resumo: principais perguntas e respostas
É um macaco do gênero Alouatta, também chamado de guariba ou barbado, conhecido pela voz alta e pela dieta de folhas e frutos.
Segundo um estudo da Unifal-MG (2016), a força da voz se deve em parte ao osso hioide, que é muito desenvolvido nos bugios. O som pode ser ouvido a vários quilômetros.
Não. A febre amarela é transmitida por mosquitos. Os bugios adoecem e morrem da doença, e por isso a morte deles é um sinal de alerta.
Fontes
- Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026. Anexo I, nº 605 a 609, e legenda do asterisco.
- ICMBio. Avaliações do risco de extinção de Alouatta guariba clamitans, A. guariba guariba, A. caraya, A. belzebul, A. discolor e A. ululata. Oficina de primatas, 2012.
- Costa, C. A. Descrição do repertório vocal e análise da função das vocalizações de curto alcance do bugio-ruivo. Dissertação, Unifal-MG, 2016.
- Pesquisa FAPESP. Ameaças aos macacos. Ed. 270, ago. 2018.
- Pesquisa FAPESP. Vizinhos próximos demais. Maria Guimarães, ed. 165, nov. 2009.
- Pesquisa FAPESP. A redescoberta de uma floresta. Ed. 207, maio 2013.
- Agência FAPESP. Calor e dieta pesada fazem o bugio-ruivo descansar. 8 jul. 2026.
Impresso de https://123ecos.com.br/docs/bugios-como-vivem-a-voz-alta-e-os-ameacados-do-brasil/ · Atualizado em 02/11/2026 · 123 Ecos

