123 Ecos Redação
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Atualizado em: 02/11/2026
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arenização é “o processo de retrabalhamento de depósitos areníticos não consolidados”, que deixa a areia exposta e móvel quando falta vegetação para protegê-la (Rovedder e outros, Revista Brasileira de Agrociência, 2005). O resultado são os areais, manchas de areia sem plantas no meio do campo. O termo foi proposto em 1987 pela pesquisadora Suertegaray, numa tese de doutorado sobre os areais de Quaraí (mesma fonte).
Onde ficam os areais
No Brasil, os areais mais estudados ficam no sudoeste do Rio Grande do Sul, no bioma Pampa. A nota técnica de 2005 cita Alegrete, São Francisco de Assis, Itaqui, Cacequi, Quaraí e Manoel Viana (Rovedder e outros, 2005). Um estudo de 2025 da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) diz que Alegrete tem a maior ocorrência de areais do estado (Silva, Carneiro e Rolim, Pesquisas em Geociências, 2025).
Como se forma
Pelo estudo da UFRGS, a arenização é “um tipo de degradação ambiental que afeta o solo e sua cobertura”. Ela começa com a erosão causada pela chuva, em ravinas e voçorocas ligadas a chuvas fortes. A areia exposta é depois levada e acumulada pelo vento nas áreas de relevo baixo (Silva, Carneiro e Rolim, 2025). Como se formam as voçorocas está em voçoroca.
| Fator | O que dizem as fontes |
|---|---|
| Solo frágil | os areais estão sobre arenito e solos arenosos (Neossolo Quartzarênico), fáceis de erodir (Rovedder e outros, 2005) |
| Chuva e vento | a chuva abre ravinas e voçorocas; o vento leva e acumula a areia (Silva, Carneiro e Rolim, 2025) |
| Uso do solo | em terreno plano, a nota de 2005 aponta o pastejo acima da capacidade do campo e a lavoura sem práticas de conservação como causa principal; nos platôs de arenito, a fragilidade natural pesa mais (Rovedder e outros, 2005) |
O estudo de 2025 descreve a arenização como um processo que ocorre naturalmente, movido pela chuva e pelo vento, e não trata do uso do solo como causa (Silva, Carneiro e Rolim, 2025). As duas fontes, portanto, dão ênfases diferentes.
arenização não é desertificação
A desertificação, pela definição da ONU usada no estudo da UFRGS, é a degradação da terra em regiões de clima árido e semiárido. Os areais gaúchos ficam em clima subtropical úmido, e por isso os pesquisadores usam outro nome, arenização (Silva, Carneiro e Rolim, 2025). Na área estudada em 2005, a chuva anual ficava entre 1.200 e 1.500 mm (Rovedder e outros, 2005). A convenção internacional sobre desertificação e a participação do Brasil estão em Convenção de Combate à Desertificação.
Um engano comum
“Os areais do Rio Grande do Sul são um deserto que está crescendo.” Não é assim que os pesquisadores descrevem. Os areais ficam em clima úmido, com muita chuva, e por isso não são chamados de deserto nem de desertificação, e sim de arenização (Silva, Carneiro e Rolim, 2025).
Resumo: principais perguntas e respostas
É a formação de áreas de areia exposta, sem vegetação, a partir de depósitos de arenito pouco consolidados retrabalhados pela chuva e pelo vento.
O caso mais estudado é o sudoeste do Rio Grande do Sul, no Pampa, em municípios como Alegrete, Quaraí e São Francisco de Assis.
A pesquisadora Suertegaray, em 1987, numa tese sobre os areais de Quaraí.
Não. A desertificação ocorre em clima árido e semiárido; a arenização gaúcha ocorre em clima úmido.
Solo arenoso frágil, chuvas fortes e vento. Uma das fontes também aponta o pastejo excessivo e a lavoura sem conservação em terreno plano.
Fontes
- Rovedder, A. P.; Eltz, F. L. F.; Girardi-Deiro, A. M.; Deble, L. Análise da composição florística do campo nativo afetado pelo fenômeno da arenização no sudoeste do Rio Grande do Sul. Revista Brasileira de Agrociência, v. 11, n. 4, p. 501-503, 2005.
- Silva, M. O. R.; Carneiro, M.; Rolim, S. B. A. Análise da dinâmica entre a arenização e silvicultura em Alegrete-RS, a partir do NDVI. Pesquisas em Geociências, v. 52, n. 3, 2025.
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