Mamíferos Terrestres

Mico-leão-da-cara-preta (Leontopithecus caissara): como é, onde vive e por que está ameaçado

Nível de leitura: Ensino Médio

123 Ecos Redação

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Atualizado em: 02/11/2026

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O mico-leão-da-cara-preta (Leontopithecus caissara) é um pequeno primata da Mata Atlântica que só existe no Brasil, numa faixa estreita do litoral norte do Paraná e do sul de São Paulo. Foi descrito pela ciência em 1990. Na lista nacional de 2026, está Em Perigo de extinção.

FichaDados
Nome comumMico-leão-da-cara-preta
Nome científicoLeontopithecus caissara Lorini & Persson, 1990
FamíliaCallitrichidae (micos e saguis)
PesoCerca de 650 g nas fêmeas e 685 g nos machos, em média (dados citados pelo ICMBio, 2018)
Onde viveSó no Brasil: litoral norte do Paraná, com a Ilha do Superagui, e litoral sul de São Paulo
Situação na IUCNCriticamente em Perigo, na avaliação global de 2008 citada pela ficha do ICMBio (2018)
Situação no BrasilEm Perigo (Portaria MMA 1.704/2026)

Os micos-leões

Existem quatro espécies de micos-leões, todas só no Brasil e todas da Mata Atlântica. São primatas da família dos micos e saguis, que o site apresenta em Primatas do Brasil.

EspécieOnde viveSituação em 2026
Mico-leão-dourado (L. rosalia)Rio de JaneiroEm Perigo
Mico-leão-da-cara-preta (L. caissara)Litoral norte do Paraná e sul de São PauloEm Perigo
Mico-leão-preto (L. chrysopygus)Interior de São PauloEm Perigo
Mico-leão-da-cara-dourada (L. chrysomelas)Sul da BahiaVulnerável

A situação de cada uma vem da Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026.

Segundo a ficha da espécie no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (ICMBio, 2018), já se sugeriu que o mico-leão-da-cara-preta seria só uma variação de cor do mico-leão-preto. Estudos de anatomia e de genética não confirmaram essa ideia e o mantiveram como espécie própria.

Onde vive

O ICMBio (2018) divide os micos-leões-da-cara-preta em pelo menos duas populações:

A espécie vive em planícies quase no nível do mar e evita as encostas das serras. A área conhecida onde ela vive de fato é de 244 km², segundo a ficha, e cerca de metade da população está em unidade de conservação de proteção integral.

Como vive

Segundo o ICMBio (2018):

  • na ilha, os grupos preferem florestas maduras em terreno plano e restingas com árvores; no continente, preferem brejos e florestas alagadiças;
  • a espécie não tolera bem mudanças no ambiente, porque usa sobretudo florestas maduras ou em estágio avançado de recuperação;
  • dois grupos da ilha usavam, em média, 70 hectares cada; no continente, as áreas de uso variam de 130 a quase 300 hectares.

Você sabia?

O lugar de dormir muda com o ambiente. Segundo a ficha do ICMBio (2018), na Ilha do Superagui os micos-leões-da-cara-preta passam a noite sobretudo em ocos de árvores. No continente, dormem em palmeiras e bromélias.

Reprodução

O sistema mais comum é o de um casal por grupo, com registro de uma fêmea com mais de um macho. Em geral, nasce uma ninhada por ano, entre outubro e fevereiro, em geral de dois filhotes, às vezes de um. A gestação dura cerca de quatro meses, medida do gênero (ICMBio, 2018).

Quantos são

A ficha de 2018 traz duas estimativas, feitas por métodos diferentes:

  • 260 animais, no trabalho de Lorini e Persson publicado em 1994;
  • 392 animais, no trabalho de Nascimento e colegas publicado em 2011, com dados coletados em 2000 e 2001.

Os dois números ficam próximos: o de 1994 cabe na margem de erro do estudo de 2011. Mesmo com a estimativa mais alta, o ICMBio supõe que os animais adultos em idade de reprodução não passem de 250. A ficha considera a população em declínio e diz que é preciso uma nova estimativa, porque os dados mais recentes são de 2000 e 2001.

Ameaças

O ICMBio (2018) lista a expansão das cidades, o desmatamento, a redução e a separação dos pedaços de floresta, a falta de proteção onde a espécie pode ocorrer, a especulação imobiliária e o turismo mal planejado. A ficha cita ainda a falta de fiscalização das unidades de conservação onde a espécie vive.

A população da ilha ficou isolada da do continente. A ficha diz que a construção de um canal separou a ilha do continente; segundo um dos autores da ficha (Nascimento, observação pessoal), o fluxo de genes entre as duas populações, pelo Canal do Varadouro, foi rompido na década de 1950. Um estudo genético de 2011, citado pela ficha, achou pouca variedade genética nas populações do Ariri e do Superagui.

Outra ameaça possível é a subida do nível do mar com o aquecimento global. Segundo dados não publicados citados pela ficha, a espécie vive perto da cota zero e boa parte dela está na Ilha do Superagui, então a área onde vive pode ser afetada.

Conservação

Na avaliação nacional anterior, a lista do Ministério do Meio Ambiente de 2003, o mico-leão-da-cara-preta estava Criticamente em Perigo. Na avaliação publicada em 2018, passou a Em Perigo, por “novas ou melhores informações disponíveis”. Na lista de 2026, continua Em Perigo.

Segundo o ICMBio (2018), a ação prioritária é religar o norte da Ilha do Superagui à região do Ariri, no Canal do Varadouro, para restabelecer o fluxo de genes entre as populações. A espécie está no Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Mamíferos da Mata Atlântica Central, e o Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) mantém, desde 1995, um programa de conservação na região. Não há animais desta espécie em cativeiro, segundo a ficha.

Fontes

Impresso de https://123ecos.com.br/docs/mico-leao-da-cara-preta-leontopithecus-caissara-como-e-onde-vive-e-por-que-esta-ameacado/ · Atualizado em 02/11/2026 · 123 Ecos

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