Mamíferos Terrestres

Gato-mourisco ou jaguarundi: como é, onde vive e por que está ameaçado

Nível de leitura: Ensino Médio

123 Ecos Redação

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Atualizado em: 02/11/2026

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O gato-mourisco, também chamado de jaguarundi, é um felino selvagem que vive em todos os biomas do Brasil. É ativo de dia, e por isso é visto com mais frequência, segundo o ICMBio (2018). Por muito tempo, isso deu a impressão de que era comum, mas estudos mostraram que ele é bem menos numeroso do que se pensava. Na lista nacional de 2026, está Vulnerável à extinção.

FichaDados
Nome comumGato-mourisco, jaguarundi, gato-vermelho (ICMBio, 2018)
Nome científicoHerpailurus yagouaroundi (É. Geoffroy, 1803), na Portaria MMA 1.704/2026; Puma yagouaroundi, no Livro Vermelho (ICMBio, 2018)
FamíliaFelidae
PesoDe 3 a 7 kg, em média (PAN Pequenos Felinos)
Onde viveDo sul dos Estados Unidos à Argentina; em todo o Brasil
Situação na IUCNMenos Preocupante, na avaliação global de 2015, segundo o ICMBio (2018)
Situação no BrasilVulnerável (Portaria MMA 1.704/2026)

Os nomes

O ICMBio usa “jaguarundi” no Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Pequenos Felinos. A ficha da espécie no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (ICMBio, 2018) lista três nomes: jaguarundi, gato-mourisco e gato-vermelho.

O nome científico também aparece de dois jeitos:

  • no Livro Vermelho de 2018, a espécie está como Puma yagouaroundi, no mesmo gênero da onça-parda. A ficha explica que dois estudos a colocaram em Puma e que antes ela ficava no gênero Herpailurus, como única espécie;
  • na lista nacional de 2026 (Portaria MMA 1.704) e no plano de ação, está como Herpailurus yagouaroundi.

As duas formas se referem ao mesmo animal.

Onde vive

Segundo o ICMBio (2018), o gato-mourisco vive da América do Norte à América do Sul, do sul do Texas, nos Estados Unidos, até a província de Buenos Aires, na Argentina. No Texas, não há registro desde 1986, quando um animal foi encontrado atropelado. No Rio Grande do Sul, há exemplares de cidades da fronteira, como Bagé, Quaraí e Dom Pedrito, e por isso a ficha diz que é de se esperar que ele também viva no Uruguai.

No Brasil, ele vive em todos os biomas, segundo o plano de ação: florestas primárias e secundárias, savanas, matas e arbustos secos da Caatinga, restingas e manguezais. Segundo a ficha de 2018, também usa plantações de eucalipto e, desde que haja vegetação natural por perto, lavouras de cana, soja e milho. Mas não é encontrado em áreas transformadas em grandes pastagens ou monoculturas. A espécie vive, por exemplo, no Parque Estadual do Mirador, no Maranhão.

Como vive e o que come

Segundo o ICMBio (2018):

  • é ativo de dia e usa ambientes mais abertos;
  • caça no chão, mas também anda com agilidade nas árvores;
  • come mamíferos pequenos e médios, que vivem no chão ou nas árvores, além de aves, cobras, lagartos e anfíbios;
  • anda bastante: cerca de 7 km em 24 horas, segundo um estudo citado pela ficha.

A área de vida varia muito de um lugar para outro. No Brasil, a ficha cita, entre outras, as medidas de um macho e uma fêmea no Parque Nacional do Iguaçu (17,6 km² e 6,8 km²) e de um macho e uma fêmea no Cerrado do Tocantins (25,3 km² e 18 km²).

Comum ou raro?

Por ser ativo de dia e usar áreas mais abertas, o gato-mourisco “tende a ser o mais frequentemente avistado” dos felinos, e por isso “sempre era considerado fora de perigo”, segundo a ficha do ICMBio (2018). Mas estudos de população mostraram que a espécie “é muito menos abundante do que se acreditava”.

Segundo a mesma ficha, ele “não é a espécie mais abundante ou comum de felinos em quase nenhuma área”. Entre os felinos de porte médio, costuma ficar em terceiro lugar em número de animais. Como os gatos-do-mato, ele é prejudicado pela jaguatirica, que pode caçar os felinos menores (o chamado “efeito pardalis”).

Quantos são

Na avaliação publicada em 2018, o ICMBio estimou a população multiplicando a área de vegetação natural que resta em cada bioma brasileiro pelas densidades conhecidas da espécie, de 0,01 a 0,05 animais por km². O resultado foi de 52.000 a 264.000 animais.

Para a conservação, importa a população efetiva, a dos animais que de fato se reproduzem. Pela conta de um décimo da população, ela ficou entre 5.200 e 26.400. Como a conta incluiu até pedaços muito pequenos de mata onde a espécie certamente não vive, a ficha considera mais seguro o número menor: a população efetiva seria de “apenas 5.200 indivíduos, e certamente inferior a 10.000”.

Ameaças

Segundo o ICMBio (2018):

  • a principal ameaça é a perda e a fragmentação da vegetação natural, causada sobretudo pela expansão da agropecuária;
  • a caça, por tradição ou em retaliação em conflitos com proprietários rurais, é outra ameaça;
  • os atropelamentos e as queimadas perto das áreas onde a espécie vive também pesam.

A ficha estima que, somadas essas causas, a população deve diminuir 10% em 15 anos.

Você sabia?

O gato-mourisco não estava na lista nacional anterior à avaliação publicada em 2018. Foi nessa avaliação que ele entrou como Vulnerável, segundo a ficha do ICMBio, pela população efetiva pequena e pela perda de habitat prevista para os 15 anos seguintes.

Conservação no Brasil

Na lista nacional, atualizada pela Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026, o gato-mourisco está Vulnerável. No Rio Grande do Sul, também está na lista estadual como Vulnerável, segundo a ficha de 2018.

Ele é uma das espécies do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Pequenos Felinos, no 2º ciclo, de 2022 a 2027 (Portaria ICMBio nº 493/2022). A ficha do ICMBio recomenda usar os felinos como “espécies bandeira” na educação ambiental no meio rural, com crianças e trabalhadores rurais, além de manter a ligação entre as matas e ampliar as unidades de conservação.

Fontes

Impresso de https://123ecos.com.br/docs/gato-mourisco-ou-jaguarundi-como-e-onde-vive-e-por-que-esta-ameacado/ · Atualizado em 02/11/2026 · 123 Ecos

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