123 Ecos Redação
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Atualizado em: 02/11/2026
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Os campos de altitude são formações de vegetação aberta, com capim e arbustos, que ficam no alto das serras, acima da floresta. No Brasil, a Lei da Mata Atlântica os lista entre as formações que fazem parte do bioma, ao lado de “manguezais, as vegetações de restingas, campos de altitude, brejos interioranos e encraves florestais” (Lei nº 11.428/2006, art. 2º, texto atualizado da Câmara). Mais sobre o bioma em Mata Atlântica.
O nome também é usado para campos de montanha de outros lugares, como o páramo e a puna dos Andes, que estão em biomas montanos. Na regra brasileira, porém, o termo se refere aos campos das serras da Mata Atlântica: a Resolução Conama 423/2010 trata dos campos de altitude “situados nos ambientes montano e alto-montano na Mata Atlântica” (Resolução Conama nº 423/2010, art. 1º, no site do Ibama).
Onde ficam
Um estudo de 2024 da Universidade Federal de Juiz de Fora diz que, nas terras altas do Sudeste, esses campos aparecem a partir de cerca de 1.600 metros, e mais marcadamente acima de 1.800 metros. Nessa altura, as condições de temperatura ficam “cada vez mais restritivas ao desenvolvimento florestal”, e a floresta dá lugar a arbustos e campos (Marques Neto, Geosul, 2024, p. 25).
O estudo separa cinco unidades nas terras altas do Sudeste, conforme o tipo de rocha (Marques Neto, 2024):
| Unidade | Rocha principal | Mais na Ecopédia |
|---|---|---|
| Maciço do Itatiaia | nefelina-sienito | Parque Nacional do Itatiaia |
| Maciço do Caparaó | gnaisses e migmatitos | Parque Nacional do Caparaó |
| Serra do Ibitipoca | quartzitos | Parque Estadual do Ibitipoca |
| Serra do Papagaio | sobretudo gnaisse e granito | |
| Planalto de Campos do Jordão | sobretudo gnaisses | Parque Estadual de Campos do Jordão |
Os anexos da Conama 423/2010 trazem listas de espécies dos campos de altitude para três regiões: Sul, Sudeste e Nordeste (Resolução Conama nº 423/2010, Anexo I).
Como é o ambiente
Os campos ficam em áreas de clima tropical de altitude, com “nebulosidade e incidência de geadas” e condições que o estudo chama de extremas para a faixa tropical (Marques Neto, 2024, p. 22). A vegetação vai de formações de arbustos a “campos mais abertos onde predomina o estrato herbáceo”, isto é, a camada de capins e ervas (p. 25).
Há espécies que só existem ali, o que os biólogos chamam de endemismo. O estudo cita, entre outras, o roedor Akodon mystax no Caparaó, o roedor Juliomys rimofrons no Itatiaia e o sapo Melanophryniscus moreirae nas rochas do Itatiaia e de Passa Quatro (Marques Neto, 2024, p. 30). Outros ambientes de montanha do país estão em ecossistemas de montanha.
campos de altitude e campos rupestres
Os dois são campos de serra, mas os autores os separam pela rocha. Pela classificação de Ferri (1980) e Eiten (1983), citada no estudo de 2024, os campos sobre quartzito são os rupestres, e os demais campos do alto das serras são os campos de altitude (Marques Neto, 2024, p. 15). Por esse critério, os campos sobre quartzito da Serra do Ibitipoca seriam rupestres; o estudo de 2024 os inclui entre as cinco unidades de campos das terras altas do Sudeste. Os campos rupestres da Serra do Espinhaço estão em ecossistemas de montanha.
A regra que os protege
| Regra | O que diz |
|---|---|
| Lei nº 11.428/2006 (Lei da Mata Atlântica), art. 2º | inclui os campos de altitude no bioma; a lei cuida da vegetação nativa “no estágio primário e nos estágios secundário inicial, médio e avançado de regeneração” (texto atualizado da Câmara) |
| Resolução Conama nº 423/2010 | dá os “parâmetros básicos para identificação e análise da vegetação primária e dos estágios sucessionais da vegetação secundária” nos campos de altitude da Mata Atlântica (ementa) |
Vegetação primária é a que quase não sofreu ação humana; secundária é a que cresce de novo depois de uma alteração. A resolução define, por exemplo, que a vegetação primária de campo de altitude tem “índice de cobertura vegetal nativa viva superior a 80%” (art. 3º). Ela também lista plantas que ajudam a reconhecer os estágios. Na lista da Região Sul, por exemplo, a macela (Achyrocline satureioides) e a Baccharis dracunculifolia indicam vegetação primária ou em estágio médio e avançado de regeneração (Anexo I). Cabe aos estados, pelos seus conselhos de meio ambiente, definir os procedimentos para aplicar esses parâmetros (art. 7º).
A resolução foi publicada no Diário Oficial de 13 de abril de 2010 e entrou em vigor na publicação (art. 8º). Em dezembro de 2025, o Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais ainda a usava para classificar vegetação de campo (IEF-MG, ato de 1/12/2025).
O que ameaça os campos
O estudo de 2024 aponta como ameaça as “atividades de pastoreio, agrícolas e silviculturais” que chegam até as áreas mais altas das serras (Marques Neto, 2024, p. 22). Silvicultura é o plantio de árvores para madeira ou celulose.
Um engano comum
“Se não tem árvore, não é Mata Atlântica.” Não é assim na lei. A Lei 11.428/2006 inclui no bioma formações sem floresta, como os campos de altitude, as restingas e os brejos interioranos (art. 2º).
Resumo: principais perguntas e respostas
Formações de vegetação baixa, com capim e arbustos, no alto das serras, acima da floresta.
No alto das serras da Mata Atlântica. No Sudeste, um estudo de 2024 descreve campos das terras altas no Itatiaia, no Caparaó, no Ibitipoca, na Serra do Papagaio e em Campos do Jordão.
Nas terras altas do Sudeste, a partir de cerca de 1.600 metros, e mais marcadamente acima de 1.800 metros, pelo estudo de 2024.
Sim. A Lei 11.428/2006 os inclui no bioma.
Pela classificação citada no estudo de 2024, os campos sobre quartzito são os rupestres, e os demais campos do alto das serras são os de altitude.
A regra que dá os critérios para reconhecer se a vegetação dos campos de altitude da Mata Atlântica é primária ou em que estágio de regeneração está.
Fontes
- Brasil. Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006 (Lei da Mata Atlântica), art. 2º. Texto atualizado, Câmara dos Deputados.
- Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Resolução nº 423, de 12 de abril de 2010. Diário Oficial da União, 13/4/2010. Cópia no site do Ibama.
- Marques Neto, R. Campos altimontanos em montanhas tropicais: unidades biogeográficas de enclave nas terras altas do Brasil sudeste. Geosul, v. 39, n. 90, p. 13-41, 2024.
- Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais (IEF). Ato de intervenção ambiental, Núcleo de Conselheiro Lafaiete, 1/12/2025.
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