123 Ecos Redação
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Atualizado em: 02/11/2026
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Os porcos-do-mato são mamíferos de focinho de porco que vivem nas matas, nos cerrados e nos campos das Américas. Apesar da aparência, não são porcos: formam outra família, a Tayassuidae. No Brasil vivem duas espécies, o queixada e o caititu, também chamado de cateto. Só o queixada está na lista nacional de espécies ameaçadas de 2026.
O que são
Segundo o Animal Diversity Web (ADW), da Universidade de Michigan, os taiassuídeos são animais parecidos com porcos que vivem do sudoeste dos Estados Unidos ao centro da Argentina (Fox e Myers, 2000). Têm o pelo grosso, cinzento ou acastanhado, e todas as espécies têm áreas de pelo branco ou amarelado no peito, nas costas ou no rosto. O focinho tem o mesmo disco móvel dos porcos.
O ADW conta três espécies vivas, cada uma no seu gênero: o caititu (Pecari tajacu), o queixada (Tayassu pecari) e o Catagonus wagneri, do Chaco. Na avaliação do ICMBio publicada em 2018, só as duas primeiras aparecem para o Brasil.
Não são javalis. O javali (Sus scrofa) e o porco-monteiro, o porco doméstico que voltou a viver solto, são de outra família e foram trazidos de fora. A ficha do queixada no Livro Vermelho (ICMBio, 2018) trata o javali e o cruzamento dele com o porco-monteiro, o “java-porco”, como “uma potencial ameaça” aos porcos-do-mato. O javali está entre as espécies invasoras do Brasil.
Queixada e caititu: as diferenças
| Queixada | Caititu (cateto) | |
|---|---|---|
| Nome científico | Tayassu pecari | Pecari tajacu |
| Peso dos adultos | De 25 a 40 kg (Csomos, ADW, 2001) | De 15 a 28 kg, em geral (Benson, ADW, 2023) |
| Cor | Marrom-escuro a preto, com áreas brancas (Csomos, ADW) | Cinzento, com uma faixa clara em volta do pescoço, como um colar (Benson, ADW) |
| Bandos | Grandes, “podendo chegar a centenas de animais” (ICMBio, 2018) | Pequenos, de 5 a 10 animais em regiões de floresta como o Brasil (Benson, ADW) |
| Situação em 2018 (ICMBio) | Vulnerável | Menos Preocupante |
| Lista de 2026 | Vulnerável | Não está na lista |
O tamanho dos bandos é a diferença que mais aparece nas fontes. Segundo a ficha do ICMBio (2018), o queixada se distingue dos outros ungulados das Américas, os mamíferos de casco, por formar grupos grandes: no Parque Nacional das Emas, um estudo achou bandos de 15 a 150 animais, com média de 83.
Como vivem
- Queixada: é ativo de dia, sobretudo de manhã cedo e no fim da tarde. Mais da metade da dieta é de frutos, e ele também come sementes, raízes, larvas de insetos e minhocas. Precisa de áreas grandes: a área de uso de um bando vai de 19 a 200 km², conforme o bioma (ICMBio, 2018).
- Caititu: é onívoro, mas come sobretudo plantas. Na Amazônia brasileira, a área de uso de um grupo vai de 50 a 700 hectares (Benson, ADW, 2023). Tem uma glândula de cheiro nas costas, perto da cauda, que usa para marcar o território.
Você sabia?
Onde vivem juntos, os dois porcos-do-mato dividem o espaço de jeitos diferentes. Segundo a ficha do queixada (ICMBio, 2018), na Caatinga os dois têm dietas que em parte coincidem e em parte se separam. Em Roraima, na Amazônia, um estudo registrou que, na seca, os queixadas excluíam totalmente os caititus dos mesmos ambientes.
Os ameaçados
Na avaliação do ICMBio publicada em 2018, o caititu ficou como Menos Preocupante e o queixada como Vulnerável. Na lista nacional atualizada pela Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026, o queixada continua Vulnerável, e o caititu não aparece.
Segundo a ficha de 2018, o queixada é “extremamente suscetível à sobrecaça”: diante de caçadores e cães, o bando se junta, e várias dezenas de animais podem ser mortos de uma vez.
Resumo: principais perguntas e respostas
O cateto, ou caititu, é menor e vive em grupos pequenos, de 5 a 10 animais nas florestas do Brasil, e tem uma faixa clara em volta do pescoço. O queixada é maior e vive em bandos grandes, que podem chegar a centenas de animais.
Não. Os porcos-do-mato do Brasil, o queixada e o caititu, são da família Tayassuidae e nativos das Américas. O javali é de outra família, foi trazido de fora e é uma espécie invasora no Brasil.
Sim. Está Vulnerável na lista nacional de 2026 (Portaria MMA 1.704). O caititu não está na lista.
Fontes
- Benson, A. Pecari tajacu. Animal Diversity Web, Universidade de Michigan, 2023.
- Csomos, R. Tayassu pecari. Animal Diversity Web, Universidade de Michigan, 2001.
- Fox, D. & Myers, P. Tayassuidae. Animal Diversity Web, Universidade de Michigan, 2000.
- ICMBio. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, volume I. Brasília, 2018. Lista das espécies avaliadas, família Tayassuidae.
- ICMBio. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, volume II, Mamíferos. Brasília, 2018. Ficha de Tayassu pecari, p. 88–98.
- Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026. Anexo I, nº 580.
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