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Atualizado em: 02/11/2026
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O mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus), também chamado de sauim-preto, é um pequeno primata da Mata Atlântica que só existe no estado de São Paulo, entre os rios Paranapanema e Tietê. Na lista nacional de 2026, está Em Perigo de extinção.
| Ficha | Dados |
|---|---|
| Nome comum | Mico-leão-preto, sauim-preto |
| Nome científico | Leontopithecus chrysopygus (Mikan, 1823) |
| Família | Callitrichidae (micos e saguis) |
| Peso | Cerca de 600 g (ICMBio, 2018) |
| Onde vive | Só no Brasil: interior do estado de São Paulo, entre os rios Paranapanema e Tietê |
| Situação na IUCN | Em Perigo, na avaliação global de 2008 citada pela ficha do ICMBio (2018) |
| Situação no Brasil | Em Perigo (Portaria MMA 1.704/2026) |
Os micos-leões
Existem quatro espécies de micos-leões, todas só no Brasil e todas da Mata Atlântica. São primatas da família dos micos e saguis, que o site apresenta em Primatas do Brasil.
| Espécie | Onde vive | Situação em 2026 |
|---|---|---|
| Mico-leão-dourado (L. rosalia) | Rio de Janeiro | Em Perigo |
| Mico-leão-da-cara-preta (L. caissara) | Litoral norte do Paraná e sul de São Paulo | Em Perigo |
| Mico-leão-preto (L. chrysopygus) | Interior de São Paulo | Em Perigo |
| Mico-leão-da-cara-dourada (L. chrysomelas) | Sul da Bahia | Vulnerável |
A situação de cada uma vem da Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026. Segundo um estudo genético de Perez-Sweeney e colegas (2008), citado pelo ICMBio, o mico-leão-preto e o mico-leão-dourado formam um mesmo ramo na árvore da família.
Onde vive
Segundo a ficha da espécie no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (ICMBio, 2018), o mico-leão-preto vive entre os rios Paranapanema e Tietê, sem passar do rio Paraná. As populações conhecidas estão:
- no Pontal do Paranapanema, no Parque Estadual do Morro do Diabo, com 37.000 hectares e a maior população, e na Estação Ecológica Mico-Leão-Preto;
- no centro do estado, na Estação Ecológica dos Caetetus e na Fazenda Rio Claro, em Lençóis Paulista;
- no leste, nas matas ao longo dos rios de Buri e na Estação Ecológica de Angatuba.
A área onde a espécie vive de fato foi estimada em 444 km². A ficha diz que a distribuição atual é menor que a do passado.
A ficha cita ainda um registro recente por fotos no Parque Estadual Carlos Botelho, em dados não publicados de Rodrigues e colegas. O registro confirma a espécie numa grande unidade de conservação. Segundo o ICMBio, isso pode significar uma melhora na situação da espécie, mas mostra que faltam informações sobre essa população.
Como vive e o que come
O mico-leão-preto vive na floresta estacional semidecidual, a mata do interior que perde parte das folhas na seca. Segundo o ICMBio (2018), ele sobrevive em florestas secundárias, desde que haja ocos de árvores para dormir e alimento o ano todo.
A dieta tem frutos, exsudados (a goma que sai do tronco das árvores), néctar, flores e pequenos animais, como sapos e rãs, lagartos, aves e insetos. Os grupos têm de 3 a 6 animais. A área de vida ficou entre 64 e 127 hectares em estudos no Morro do Diabo e chegou a 277 hectares na Estação Ecológica dos Caetetus, segundo a ficha.
Você sabia?
O mico-leão-preto ajuda a plantar a floresta. Segundo a ficha do ICMBio (2018), é comum ver sementes nas fezes desses animais, e testes de germinação mostraram que elas continuam capazes de brotar depois de passar pelo intestino. Assim, o papel da espécie como dispersora de sementes foi comprovado (Passos, 1997).
Reprodução
O sistema é de um casal por grupo. Há um parto por ano, em geral de dois filhotes, e a gestação dura cerca de quatro meses, medida do gênero. Os animais chegam à idade de reprodução com cerca de um ano e meio (ICMBio, 2018).
Quantos são
Segundo a ficha de 2018, a população total é de cerca de 1.400 animais, com cerca de 380 adultos em idade de reprodução. Esses números são uma inferência de um dos autores da ficha (Knogge, observação pessoal, 2012). Só uma população tem mais de 250 adultos.
As estimativas por lugar são:
- cerca de 1.000 animais no Morro do Diabo (Paranhos e colegas, 2003);
- 23 na Estação Ecológica dos Caetetus;
- 60 na Estação Ecológica Mico-Leão-Preto.
A própria ficha diz que, pelas datas dessas estimativas, é preciso atualizar os dados. Ela considera a população em declínio, embora uma avaliação futura no Parque Estadual Carlos Botelho possa mudar essa tendência.
Ameaças
O ICMBio (2018) lista incêndios, assentamentos rurais, agricultura, pecuária, desmatamento e a separação e redução dos pedaços de floresta. Para a ficha, as maiores ameaças hoje são os problemas das populações pequenas e isoladas em fragmentos de mata que se degradam.
A ficha cita ainda duas ameaças possíveis: a febre amarela, que atingiu o Sul e o Sudeste com alta mortalidade de bugios e “também pode ser uma ameaça às populações de mico-leão-preto”, e as mudanças do clima nos ambientes onde a espécie vive.
Conservação
Na avaliação nacional anterior, a lista do Ministério do Meio Ambiente de 2003, o mico-leão-preto estava Criticamente em Perigo. Na avaliação publicada em 2018, passou a Em Perigo, por “novas ou melhores informações disponíveis”. Na lista de 2026, continua Em Perigo.
Segundo o ICMBio (2018), a conservação trata todas as populações, inclusive as de cativeiro, como um conjunto só, com troca de animais entre elas. A população de cativeiro começou com animais retirados do Morro do Diabo na década de 1970 e, entre 1983 e 1985, no resgate da área inundada pela barragem da hidrelétrica de Rosana. A primeira translocação de um grupo selvagem foi feita em 1995. A primeira reintrodução, em julho de 1999, juntou um macho nascido no Zoológico de Jersey, no Reino Unido, a duas fêmeas selvagens.
A espécie está no Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Mamíferos da Mata Atlântica Central. A ficha aponta como ações chave esse manejo conjunto das populações e o reflorestamento, que liga os pedaços de mata.
Fontes
- ICMBio. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, volume II, Mamíferos. Brasília, 2018. Ficha de Leontopithecus chrysopygus, p. 229–234.
- Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026. Anexo I, nº 618 a 621.
Impresso de https://123ecos.com.br/docs/mico-leao-preto-leontopithecus-chrysopygus-como-e-onde-vive-e-por-que-esta-ameacado/ · Atualizado em 02/11/2026 · 123 Ecos

