123 Ecos Redação
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Atualizado em: 02/11/2026
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O golfinho-nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus) é um golfinho grande, de focinho curto, que vive em mares tropicais e temperados do mundo todo, da costa às ilhas oceânicas. No Brasil, segundo o ICMBio, também é chamado de golfinho-flíper ou boto. Ele não está na lista nacional de espécies ameaçadas de 2026. Quem está, como Criticamente em Perigo, é um parente próximo do Sul do país, o boto-de-lahille.
| Ficha | Dados |
|---|---|
| Nome comum | Golfinho-nariz-de-garrafa (também golfinho-flíper ou boto) |
| Nome científico | Tursiops truncatus (Montagu, 1821) |
| Família | Delphinidae |
| Tamanho e peso | 2,4 a 3,8 m nos machos e 2,4 a 3,7 m nas fêmeas; cerca de 250 a 500 kg (ICMBio, 2011) |
| Onde vive | Mares tropicais e temperados do mundo; no Brasil, da costa às ilhas oceânicas |
| Situação na IUCN | Não informada nesta versão |
| Situação no Brasil | Não consta na lista nacional de 2026 (Portaria MMA 1.704/2026) |
Como é
Segundo o Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Pequenos Cetáceos, do ICMBio (2011), o nariz-de-garrafa pode ser considerado um golfinho “arquetípico”, isto é, com o jeito típico da família dos golfinhos:
- corpo robusto, focinho (rostro) curto e um melão bem marcado, que é a parte arredondada da testa;
- cor cinza-escura no dorso, que vai clareando nos lados até a barriga, cinza-clara ou rosada;
- machos e fêmeas quase do mesmo tamanho.
Ainda segundo o plano, a espécie vive cerca de 40 anos, e há fêmeas registradas com mais de 50. A gestação dura cerca de um ano, e o filhote nasce com 84 a 140 cm.
Os estudos sobre “nomes” (assobios próprios), o teste do espelho e o uso de esponjas como ferramenta foram feitos com essa espécie e estão em Inteligência dos cetáceos.
Onde vive no Brasil
Segundo o plano do ICMBio (2011), a espécie ocupa ambientes muito diferentes: costas, lagoas, estuários, mares internos, mar aberto e ilhas oceânicas. No Atlântico Sul Ocidental, vai do Caribe até a província de Chubut, na Argentina. No mar aberto, o limite norte da distribuição no Brasil chega ao Arquipélago de São Pedro e São Paulo. Estudos genéticos citados pelo plano indicam que os golfinhos de São Pedro e São Paulo são uma população isolada das outras da costa brasileira.
O plano registra que o tamanho e a situação das populações no litoral brasileiro “são desconhecidos”. Há só estimativas para populações locais, de poucos animais e que ficam muito tempo no mesmo lugar. Por isso, segundo o ICMBio, essas populações são especialmente sensíveis à ação humana.
Nariz-de-garrafa e boto-de-lahille
No Sul do Brasil vivem golfinhos do mesmo gênero, Tursiops, que por muito tempo foram tratados como nariz-de-garrafa. O plano de 2011 já registrava duas formas, com limites de distribuição ligados à área da Convergência Subtropical, no Atlântico Sul, e dizia que a forma do sul provavelmente era outra espécie, Tursiops gephyreus. Em 2016, um estudo com 280 crânios propôs que ela voltasse a ser espécie própria, e a lista nacional de 2026 a trata assim:
| Espécie | Nome científico | Lista nacional de 2026 |
|---|---|---|
| Golfinho-nariz-de-garrafa | Tursiops truncatus | Não consta |
| Boto-de-lahille | Tursiops gephyreus | Criticamente em Perigo (nº 575) |
A história da separação e a pesca com os pescadores de Laguna (SC) estão em Boto-de-lahille.
Ressalva
Nem todas as listas científicas separam as duas espécies. A lista de espécies da Society for Marine Mammalogy, atualizada em abril de 2026, trata o boto-de-lahille como subespécie do nariz-de-garrafa, com o nome Tursiops truncatus gephyreus. A lista nacional brasileira o trata como espécie. Os dados antigos sobre “nariz-de-garrafa” no Sul do Brasil, como os do plano de 2011, podem se referir aos animais que hoje a lista nacional chama de boto-de-lahille.
Ameaças
O plano do ICMBio (2011) diz que, por viver em ambientes muito diferentes, a espécie “provavelmente está sujeita a diferentes pressões” ao longo da costa. Cita:
- a captura acidental em redes de pesca, registrada em vários estados, e em menor escala na pesca industrial;
- a degradação do ambiente costeiro, com metais pesados encontrados em tecidos de golfinhos do Atlântico Sul Ocidental;
- o tráfego de embarcações;
- a pesca excessiva dos peixes de que a espécie se alimenta.
Você sabia?
Na avaliação nacional de 2012, publicada no Livro Vermelho do ICMBio (2018), o golfinho-nariz-de-garrafa ficou como Dados Insuficientes (DD): não havia informação bastante para dizer se estava ameaçado ou não.
Conservação no Brasil
O golfinho-nariz-de-garrafa não está no Anexo I da Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026, a lista nacional de espécies ameaçadas. Ele era espécie-alvo do PAN Pequenos Cetáceos, de 2010 a 2015, já encerrado. Os golfinhos do país que estão na lista estão em Golfinhos do Brasil.
Fontes
- ICMBio. Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Mamíferos Aquáticos: Pequenos Cetáceos. Brasília, 2011. Ficha de Tursiops truncatus, p. 27–29.
- ICMBio. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. Brasília, 2018. Vol. I, lista das espécies avaliadas.
- Society for Marine Mammalogy, Committee on Taxonomy. List of Marine Mammal Species and Subspecies. Versão de abril de 2026, consultada em 2 nov. 2026.
- Wickert, J. C.; Von Eye, S. M.; Oliveira, L. R.; Moreno, I. B. Revalidation of Tursiops gephyreus Lahille, 1908 (Cetartiodactyla: Delphinidae) from the southwestern Atlantic Ocean. Journal of Mammalogy, 97(6): 1728–1737, 2016.
- Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026. Anexo I, nº 575.
Impresso de https://123ecos.com.br/docs/golfinho-nariz-de-garrafa-como-e-onde-vive-e-a-diferenca-para-o-boto-de-lahille/ · Atualizado em 02/11/2026 · 123 Ecos

