Mamíferos Aquáticos e Vida Marinha

Pinípedes no Brasil: focas, leões e lobos-marinhos que chegam ao litoral

Nível de leitura: Ensino Médio

123 Ecos Redação

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Atualizado em: 02/11/2026

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Em poucas palavras

Pinípedes são os mamíferos marinhos de nadadeiras, como as focas, os leões-marinhos e os lobos-marinhos. O Brasil não tem colônias de reprodução de nenhuma espécie, mas todo ano centenas deles chegam ao litoral do Sul, vindos do Uruguai e da Argentina. Os mais comuns são o lobo-marinho-sul-americano e o leão-marinho-sul-americano, que está Vulnerável na lista nacional de 2026.

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Pinípedes são os mamíferos marinhos que têm os quatro membros em forma de nadadeira, como as focas, os leões-marinhos e os lobos-marinhos. O Brasil não tem colônias de reprodução de nenhuma espécie. Mesmo assim, todo ano centenas de pinípedes chegam ao litoral do Sul, segundo um estudo publicado em 2020 na revista Scientific Reports.

Duas famílias

Os pinípedes que aparecem no Brasil pertencem a duas famílias. Segundo o Animal Diversity Web, da Universidade de Michigan:

  • leões-marinhos e lobos-marinhos (família Otariidae) têm uma orelha externa pequena, nadadeiras da frente longas e nadadeiras de trás que giram para baixo do corpo. Com isso, as nadadeiras ajudam a sustentar o corpo e a andar em terra. Os lobos-marinhos têm, além do pelo, uma camada de pelos finos e densos por baixo;
  • focas (família Phocidae) não têm orelha externa. As nadadeiras de trás ficam sempre esticadas para trás e não servem para andar: em terra, as focas se arrastam, dobrando o corpo. Uma camada grossa de gordura fica embaixo da pele e pode passar de 25% do peso do animal.

O elefante-marinho, apesar do nome, é da família das focas. Os machos do elefante-marinho-do-sul podem passar de 6 metros e 3.700 kg, segundo o Animal Diversity Web.

Os pinípedes no Brasil

Segundo o estudo de Natália Procksch e colegas, publicado em 2020 na Scientific Reports, o Brasil não tem colônias de reprodução de pinípedes e só tem dois pontos de descanso dentro de áreas protegidas, os dois no Rio Grande do Sul:

  • o Refúgio de Vida Silvestre da Ilha dos Lobos, em Torres, a única ilha da costa gaúcha;
  • o Refúgio de Vida Silvestre do Molhe Leste, em São José do Norte, onde leões e lobos-marinhos descansam na ponta de um molhe de 4 km, na saída da Lagoa dos Patos, cerca de 400 km ao sul da Ilha dos Lobos.

Os dois são refúgios de vida silvestre, um tipo de unidade de conservação de proteção integral.

Os animais vêm das colônias mais próximas, no Uruguai e na Argentina, sobretudo no outono e na primavera. O estudo diz que essa viagem para o norte provavelmente é ajudada pela Corrente das Malvinas, uma corrente fria que fica mais forte no litoral do Sul no inverno e na primavera.

EspécieFamíliaComo aparece no BrasilFonte do registro
Lobo-marinho-sul-americano (Arctocephalus australis)OtariidaeComum no litoral do SulProcksch et al. (2020), citando estudos de 1990 a 2013
Leão-marinho-sul-americano (Otaria flavescens)OtariidaeComum no litoral do SulProcksch et al. (2020), citando estudos de 1990 a 2013
Lobo-marinho-antártico (Arctocephalus gazella)OtariidaeOcasional ou raroOliveira et al. (2001), citado por Procksch et al. (2020)
Lobo-marinho-subantártico (Arctocephalus tropicalis)OtariidaeOcasional ou raroProcksch et al. (2020)
Foca-leopardo (Hydrurga leptonyx)PhocidaeOcasional ou raroProcksch et al. (2020)
Elefante-marinho-do-sul (Mirounga leonina)PhocidaeOcasional ou raroProcksch et al. (2020); Mayorga et al. (2018)
Foca-de-weddell (Leptonychotes weddellii)PhocidaeUm registro, na Ilha da TrindadeFrainer, Heissler e Moreno (2017), citado por Procksch et al. (2020)
Lobo-marinho (Arctocephalus sp., espécie não identificada)OtariidaeUm registro, no Arquipélago de São Pedro e São Paulo, a cerca de 1.010 km do continenteMilmann et al. (2019), citado por Procksch et al. (2020)

A Ilha dos Lobos

Entre 2010 e 2018, os pesquisadores analisaram 20 contagens por fotos aéreas na Ilha dos Lobos, sempre entre julho e novembro. O maior número foi de 304 pinípedes ao mesmo tempo, em setembro de 2018, contando as três espécies vistas na ilha: leão-marinho, lobo-marinho e elefante-marinho. Setembro foi o mês com a maior média.

O folder do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) sobre o refúgio diz que ele protege “o único ambiente natural do Brasil onde é historicamente recorrente avistar grupos de lobos e leões-marinhos no inverno”. A ilha fica em frente a Torres, cidade que também tem o Parque Estadual de Itapeva.

O estudo recomenda que pesquisas em terra e atividades de lazer em volta da ilha aconteçam de preferência no verão, quando quase não há pinípedes, e que o turismo de observação seja regulamentado no inverno e na primavera.

O elefante-marinho do Espírito Santo

O elefante-marinho-do-sul vive nos mares frios do hemisfério sul e só vai à terra para ter filhotes, se reproduzir e trocar o pelo, segundo o Animal Diversity Web. No Brasil, aparece de vez em quando.

Na Ilha dos Lobos, as contagens de 2010 a 2018 registraram um elefante-marinho em três ocasiões (julho de 2012, setembro de 2013 e setembro de 2018), sempre um macho subadulto, reconhecido pelo tamanho do corpo e pela tromba, segundo Procksch e colegas.

Bem mais ao norte, no litoral do Espírito Santo, um mesmo macho jovem foi visto quatro anos seguidos, de 2012 a 2015. Os pesquisadores o reconheceram pelas cicatrizes de mordidas do tubarão-charuto, segundo o artigo de Luis Felipe Mayorga e colegas, publicado em 2018 no Latin American Journal of Aquatic Mammals. Em 2015, eles acharam cracas presas ao pelo, sobretudo nas nadadeiras de trás e na parte baixa das costas, e ovos de vermes parasitas nas fezes.

Você sabia?

Os pinípedes que chegam ao Brasil são, na maioria, machos e animais jovens. Na Ilha dos Lobos, 88% dos leões-marinhos contados de 2010 a 2018 eram machos subadultos, e 82% dos lobos-marinhos eram filhotes de cerca de um ano, segundo Procksch e colegas (2020). Segundo o estudo, isso provavelmente acontece porque os machos não cuidam dos filhotes, enquanto as fêmeas precisam amamentá-los em terra, nas colônias, por pelo menos oito meses.

Os pinípedes na lista de 2026

Na lista nacional, atualizada pela Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026, o único pinípede é o leão-marinho-sul-americano, classificado como Vulnerável. O nome dele vem com um asterisco, que a própria Portaria explica assim: “(*) Espécies que não constavam na Lista anterior – Portaria MMA nº 148, de 7 de junho de 2022”. As outras espécies da tabela não estão na lista.

Os pinípedes são mamíferos marinhos como os cetáceos (baleias, golfinhos e botos), mas de outro grupo: são parentes dos carnívoros terrestres, como mostra a classificação do Animal Diversity Web, que os põe na ordem Carnivora.

Resumo: principais perguntas e respostas

Existem focas no Brasil?

Não há colônias de focas nem de outros pinípedes no país. Algumas focas, como o elefante-marinho-do-sul e a foca-leopardo, aparecem de vez em quando no litoral, segundo um estudo de 2020 na Scientific Reports.

Onde ver leões e lobos-marinhos no Brasil?

No refúgio de vida silvestre da Ilha dos Lobos, em Torres (RS), sobretudo no inverno e na primavera. Segundo o folder do refúgio, o passeio de barco só pode ser feito com empresas autorizadas pelo ICMBio, e é proibido desembarcar na ilha e alimentar os animais.

Qual a diferença entre foca e leão-marinho?

O leão-marinho tem uma pequena orelha externa e usa as nadadeiras para andar em terra. A foca não tem orelha externa e se arrasta em terra, porque as nadadeiras de trás não dobram para baixo do corpo, segundo o Animal Diversity Web.

Fontes

Impresso de https://123ecos.com.br/docs/pinipedes-no-brasil-focas-leoes-e-lobos-marinhos-que-chegam-ao-litoral/ · Atualizado em 02/11/2026 · 123 Ecos

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