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Atualizado em: 02/11/2026
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O mico-leão-da-cara-dourada (Leontopithecus chrysomelas) é um pequeno primata que só existe no Brasil, na Mata Atlântica do sul da Bahia. Vive nas matas e também nas plantações de cacau feitas à sombra das árvores, as cabrucas. Na lista nacional de 2026, está Vulnerável à extinção.
| Ficha | Dados |
|---|---|
| Nome comum | Mico-leão-da-cara-dourada |
| Nome científico | Leontopithecus chrysomelas (Kuhl, 1820) |
| Família | Callitrichidae (micos e saguis) |
| Peso e tamanho | De cerca de 585 a 670 g em média, conforme o ambiente; corpo de cerca de 26 cm, sem a cauda (ICMBio, 2018) |
| Onde vive | Só no Brasil: sul da Bahia, entre os rios de Contas e Pardo |
| Situação na IUCN | Em Perigo, na avaliação global de 2008 citada pela ficha do ICMBio (2018) |
| Situação no Brasil | Vulnerável (Portaria MMA 1.704/2026) |
Os micos-leões
Existem quatro espécies de micos-leões, todas só no Brasil e todas da Mata Atlântica. São primatas da família dos micos e saguis, que o site apresenta em Primatas do Brasil.
| Espécie | Onde vive | Situação em 2026 |
|---|---|---|
| Mico-leão-dourado (L. rosalia) | Rio de Janeiro | Em Perigo |
| Mico-leão-da-cara-preta (L. caissara) | Litoral norte do Paraná e sul de São Paulo | Em Perigo |
| Mico-leão-preto (L. chrysopygus) | Interior de São Paulo | Em Perigo |
| Mico-leão-da-cara-dourada (L. chrysomelas) | Sul da Bahia | Vulnerável |
A situação de cada uma vem da Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026.
Você sabia?
Na árvore da família dos micos-leões, o da cara dourada fica na base. Segundo o estudo genético de Perez-Sweeney e colegas (2008), citado pelo ICMBio (2018), ele foi o primeiro a se separar dos outros, num refúgio de floresta na Bahia, e é citado como a espécie mais divergente das quatro.
Onde vive
Segundo a ficha da espécie no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (ICMBio, 2018), o limite norte é o rio de Contas e o limite sul é o rio Pardo, no sul da Bahia. A espécie já foi registrada também ao sul do rio Pardo, até o Jequitinhonha. A oeste, o limite é a mata de cipó, na transição para a Caatinga. Em Minas Gerais, a ficha a considera extinta.
A área onde a espécie vive de fato é menor que 1.000 km². Ela é registrada em unidades de conservação como a Reserva Biológica de Una e o Parque Nacional da Serra das Lontras, além de reservas particulares.
Fora da área natural. A ficha registra “populações invasoras” da espécie em Niterói (RJ), inclusive na Reserva Ecológica Darcy Ribeiro e no Parque Estadual da Serra da Tiririca, “atualmente sob manejo”. A fonte citada é um artigo de Kierulff publicado em 2010, cujo título apresenta esses animais introduzidos como “uma nova ameaça aos micos-leões-dourados” (tradução nossa), que vivem no mesmo estado.
Como vive
O mico-leão-da-cara-dourada vive na floresta úmida perto do litoral e nas matas mais secas do interior. Segundo o ICMBio (2018), também ocupa florestas secundárias, áreas degradadas e cabrucas, e é capaz de viver e se reproduzir só em cabrucas. Precisa de ocos de árvores para os grupos dormirem e de bromélias e outras plantas sobre os troncos, onde procura insetos.
Os grupos têm de 3 a 15 animais. A área de vida variou de 40 hectares, num fragmento de mata, a uma média de 123 hectares na Reserva Biológica de Una.
A vida nas cabrucas
As cabrucas são plantações de cacau sob as árvores da mata. Segundo o ICMBio (2018), elas variam de cultivos muito manejados a mosaicos de cacaueiros com árvores nativas, e nem todas servem igualmente para os micos.
Um estudo de Oliveira e colegas publicado em 2011, citado pela ficha, mediu os animais em três ambientes. Os micos eram mais pesados nas cabrucas:
| Ambiente | Peso médio das fêmeas | Peso médio dos machos |
|---|---|---|
| Floresta madura (Reserva Biológica de Una) | 587 g | 585 g |
| Mosaico de floresta e cabruca | 624 g | 604 g |
| Cabruca | 659 g | 668 g |
No mesmo estudo, todas as fêmeas das cabrucas tiveram gêmeos em cada parto.
Reprodução
O sistema mais comum é o de um casal por grupo, com registros de outros arranjos na natureza. A gestação dura cerca de 125 dias. Em vida livre, um estudo citado pela ficha observou 13 partos de sete fêmeas: em 54% nasceram gêmeos, e no resto, um filhote (ICMBio, 2018).
Quantos são
Segundo a ficha de 2018, a população total é estimada entre 6.000 e 15.000 animais, com base nos estudos de Pinto (1994) e de Pinto e Rylands (1997). Os adultos em idade de reprodução foram estimados entre 2.000 e 5.000. Como a população está muito dividida e em declínio, o ICMBio usou os menores valores e supõe que esses adultos sejam menos de 2.500, com no máximo 250 em cada população.
A ficha considera a população em declínio. Em lugares onde a espécie tinha sido registrada antes, um levantamento mais recente não confirmou a presença dela, sobretudo no oeste da área.
Ameaças
O ICMBio (2018) lista assentamentos rurais, agricultura, pecuária, expansão das cidades, desmatamento, aumento das estradas e a separação e redução dos pedaços de mata. No oeste, a mata é mais fragmentada e cercada de áreas que os micos dificilmente atravessam. No leste, a ficha diz que o cacau plantado a pleno sol, o raleamento da sombra e a troca das cabrucas por outros cultivos podem afetar as populações.
Conservação
Na lista do Ministério do Meio Ambiente de 2003, o mico-leão-da-cara-dourada estava Em Perigo. Continuou Em Perigo na avaliação publicada em 2018 e está Vulnerável na lista de 2026. Nas fontes consultadas, até 02/11/2026, não encontramos a justificativa da nova avaliação.
A espécie está no Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Mamíferos da Mata Atlântica Central. Segundo a ficha, existe um programa de reprodução em cativeiro, que começou com animais apreendidos no comércio ilegal na década de 1980 e guarda parte da variedade genética da espécie. A ficha considera a preservação das cabrucas “muito importante” para manter as populações e cita, como ideia em estudo, um selo de cacau “amigo da biodiversidade”.
Fontes
- ICMBio. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, volume II, Mamíferos. Brasília, 2018. Ficha de Leontopithecus chrysomelas, p. 222–228.
- Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026. Anexo I, nº 618 a 621.
Impresso de https://123ecos.com.br/docs/mico-leao-da-cara-dourada-leontopithecus-chrysomelas-como-e-onde-vive-e-por-que-esta-ameacado/ · Atualizado em 02/11/2026 · 123 Ecos

