123 Ecos Redação
A equipe editorial da 123 Ecos produz os textos com apoio de inteligência artificial, seguindo rigorosamente regras editoriais definidas por pessoas e fontes oficiais citadas. Cada postagem passa por auditoria e checagem de fontes antes de ser publicada.
Atualizado em: 02/11/2026
Nesta página
O gato-do-mato-grande (Leopardus geoffroyi) é um pequeno felino selvagem do sul da América do Sul. No Brasil, ele só vive no Pampa, no Rio Grande do Sul. Na lista nacional de 2026, está Vulnerável à extinção.
| Ficha | Dados |
|---|---|
| Nome comum | Gato-do-mato, gato-do-mato-grande (ICMBio, 2018) |
| Nome científico | Leopardus geoffroyi (D’Orbigny & Gervais, 1844) |
| Família | Felidae |
| Peso | De 2,4 a 7,8 kg, em média (PAN Pequenos Felinos) |
| Onde vive | Do Uruguai e do sul do Brasil aos Andes da Bolívia, ao Chaco e à Patagônia; no Brasil, só no Pampa do Rio Grande do Sul |
| Situação na IUCN | Quase Ameaçado, na avaliação global citada pela ficha do ICMBio (2018) |
| Situação no Brasil | Vulnerável (Portaria MMA 1.704/2026) |
O nome
O nome “gato-do-mato” é usado para mais de um felino no Brasil. A ficha da espécie no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (ICMBio, 2018) dá dois nomes para o Leopardus geoffroyi: gato-do-mato e gato-do-mato-grande. Esta ficha usa o segundo para não confundir com o gato-do-mato (Leopardus tigrinus) do norte e do nordeste.
Na avaliação nacional anterior à de 2018, a espécie aparecia com outro nome científico, Oncifelis geoffroyi, segundo a mesma ficha.
Onde vive
Segundo o ICMBio (2018), o gato-do-mato-grande vive no centro-sul da América do Sul: do Uruguai e do sul do Brasil até a região dos Andes, na Bolívia e no norte da Argentina, passando pelo Chaco, no oeste do Paraguai, e por toda a Argentina até a Patagônia, inclusive no sul do Chile. Vive do nível do mar até 3.300 metros de altitude.
No Brasil, ocorre só no Rio Grande do Sul, no bioma Pampa, até a Serra Geral. O sumário do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Pequenos Felinos diz que a espécie tem distribuição “muito restrita” no país, na metade sul do estado.
A ficha de 2018 registra a espécie em unidades de conservação gaúchas como a Estação Ecológica do Taim, a Área de Proteção Ambiental e a Reserva Biológica do Ibirapuitã e o Parque Estadual do Espinilho, em Barra do Quaraí.
Como vive e o que come
Segundo o ICMBio (2018):
- no Brasil, chega a ser encontrado em áreas bem alteradas por pequenas lavouras e parece tolerar alguma mudança no ambiente causada pela criação de animais; mesmo assim, um estudo na Argentina achou menos animais em fazendas do que numa área preservada;
- a dieta tem por base pequenos roedores, mas inclui marsupiais, aves e répteis;
- também há registro de presas maiores, como a viscacha (de 4 a 6 kg), o ratão-do-banhado (de 4 a 8 kg) e lebres (de 4 a 6 kg);
- nos Pampas da Argentina, a área de vida de cada animal ficou entre 248 e 342 hectares, e a dos machos foi 2,5 vezes maior que a das fêmeas.
O sumário do plano de ação diz que a espécie é ativa sobretudo à noite, mas pode ficar ativa de dia quando faltam presas e nas estações mais frias. Ele cita filhotes de mamíferos, aves, répteis, anfíbios e peixes entre as presas.
Mistura com o gato-do-mato-do-sul
No centro do Rio Grande do Sul, o gato-do-mato-grande cruza com outro pequeno felino, o gato-do-mato-do-sul (Leopardus guttulus). As duas fichas do ICMBio (2018) tratam do assunto de jeitos diferentes:
- a ficha do gato-do-mato-grande, que usa o nome antigo Leopardus tigrinus para o outro gato, diz que essa faixa de cruzamento “pode ser causada pela alteração do habitat provocada pelo homem”;
- a ficha do gato-do-mato-do-sul diz que ainda não se sabe se os cruzamentos têm origem natural ou humana, mas que os estudos indicam uma possível origem natural.
Quantos são
Segundo a ficha de 2018, os dados sobre a população “são pouco conhecidos”. A única densidade medida no Brasil é de 0,27 animal por km², no sul do Rio Grande do Sul, perto da divisa com o Uruguai.
O ICMBio multiplicou essa densidade pela área onde a espécie pode ocorrer, cerca de metade do estado (aproximadamente 183.000 km²). Se ela vivesse em toda essa área, seriam 49.410 animais. Para a conservação, importa a população efetiva, a dos animais que de fato se reproduzem. Pela conta de um décimo da população, ela ficou em 4.941 indivíduos; a justificativa da ficha fala em “cerca de 4.000”.
A população brasileira tem ligação com a do Uruguai, que pode abastecer a do Brasil, já que a fronteira entre os dois países é seca nessa região, segundo o ICMBio.
Ameaças
Segundo o ICMBio (2018), conhece-se pouco sobre as ameaças no Brasil. As principais identificadas são:
- a caça e o abate em retaliação à predação de animais domésticos;
- a predação por cães domésticos;
- os atropelamentos;
- a perda dos campos nativos: o Pampa perdeu 0,2% da sua vegetação original por ano entre 2002 e 2008.
A ficha estima que, somadas essas causas, a população possa cair pelo menos 10% em 15 anos, e acrescenta os possíveis efeitos negativos da mistura com o gato-do-mato-do-sul.
Você sabia?
Fora do Brasil, o gato-do-mato-grande já foi muito caçado pela pele. Segundo o ICMBio (2018), ele é, no mundo, a segunda espécie mais perseguida para o comércio de pele, atrás só do lince-pardo (Lynx rufus), embora as medidas de proteção pareçam ter limitado esse comércio. Uma ameaça mais recente é o cruzamento com gatos domésticos para vender os filhotes como animal de estimação.
Conservação no Brasil
Na lista nacional, atualizada pela Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026, o gato-do-mato-grande está Vulnerável. Também estava Vulnerável na avaliação publicada em 2018; na avaliação nacional anterior, era Quase Ameaçado. No Rio Grande do Sul, está na lista estadual como Vulnerável, segundo a ficha de 2018.
A espécie está no Apêndice I da CITES, a convenção que controla o comércio internacional de animais e plantas, e é uma das espécies do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Pequenos Felinos, no 2º ciclo, de 2022 a 2027 (Portaria ICMBio nº 493/2022). A ficha recomenda criar e ampliar unidades de conservação no Pampa e manter ou restaurar a ligação entre as áreas de vegetação nativa. Ela está entre os pequenos felinos apresentados em Felinos do Brasil.
Fontes
- ICMBio. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, volume II, Mamíferos. Brasília, 2018. Ficha de Leopardus geoffroyi, p. 337–339, e de Leopardus guttulus, p. 340–343.
- ICMBio. Sumário Executivo do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Pequenos Felinos, 2º ciclo. Portaria ICMBio nº 493, de 21 de junho de 2022.
- Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026. Anexo I, nº 586.
Impresso de https://123ecos.com.br/docs/gato-do-mato-grande-leopardus-geoffroyi-como-e-onde-vive-e-por-que-esta-ameacado/ · Atualizado em 02/11/2026 · 123 Ecos

