Mamíferos Aquáticos e Vida Marinha

Leão-marinho-sul-americano: como é, a Ilha dos Lobos e a disputa com a pesca

Nível de leitura: Ensino Médio

123 Ecos Redação

A equipe editorial da 123 Ecos produz os textos com apoio de inteligência artificial, seguindo rigorosamente regras editoriais definidas por pessoas e fontes oficiais citadas. Cada postagem passa por auditoria e checagem de fontes antes de ser publicada.

Atualizado em: 02/11/2026

0:00 6:41
Nesta página

O leão-marinho-sul-americano (Otaria flavescens) é um pinípede, da família dos leões e lobos-marinhos, que vive nas costas da América do Sul. Ele não se reproduz no Brasil, mas chega todo ano ao litoral do Sul, sobretudo à Ilha dos Lobos, em Torres (RS). Na lista nacional de 2026, está Vulnerável à extinção.

FichaDados
Nome comumLeão-marinho-sul-americano
Nome científicoOtaria flavescens (também chamado de Otaria byronia)
FamíliaOtariidae
Tamanho e pesoPode chegar a 2,7 m e 300 kg (Pesquisa FAPESP, 2021)
Onde viveCostas da América do Sul, no Atlântico e no Pacífico; no Brasil, só de passagem, sobretudo no Sul
Situação na IUCNMenos Preocupante, na avaliação global de 2016, feita com o nome Otaria byronia (citada por Procksch et al., 2020)
Situação no BrasilVulnerável (Portaria MMA 1.704/2026)

De onde vem e quando chega

Segundo o estudo de Natália Procksch e colegas, publicado em 2020 na revista Scientific Reports, o leão-marinho e o lobo-marinho-sul-americano são os pinípedes mais encontrados no litoral do Sul do Brasil. Os dois vêm provavelmente das colônias mais próximas, no Uruguai e na Argentina.

O leão-marinho se reproduz de dezembro ao começo de fevereiro, no verão. Depois, os machos se afastam das colônias, porque não cuidam dos filhotes, e alguns viajam para o norte. É nessa época que eles chegam ao Brasil. Estudos com marcação e genética confirmaram que animais de colônias da Argentina e do Uruguai chegam ao país, segundo o mesmo artigo.

No Brasil, o leão-marinho usa dois pontos de descanso, os dois no Rio Grande do Sul: o Refúgio de Vida Silvestre do Molhe Leste, em São José do Norte, que o artigo chama de “primeiro ponto de chegada e último ponto de parada” da espécie no país (tradução nossa), e o Refúgio de Vida Silvestre da Ilha dos Lobos, cerca de 400 km ao norte.

A espécie no mundo foi estimada em 445 mil animais em 2012, contando o Atlântico e o Pacífico. A maioria das populações está crescendo, mas a do Uruguai, a mais próxima do Brasil, com 12 mil a 13 mil animais, vem caindo cerca de 2% ao ano, segundo o artigo de 2020.

Na Ilha dos Lobos

A Ilha dos Lobos fica a 1,8 km de Torres e tem 16,9 mil m², segundo a reportagem da Pesquisa FAPESP (2021). É um refúgio de vida silvestre federal, criado em 1983 e cuidado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Segundo a reportagem, a criação foi motivada pela “intensa eliminação de animais pelos pescadores”, e hoje visitantes e pescadores não podem chegar a menos de 500 metros da ilha.

Nas 20 contagens por fotos aéreas feitas de 2010 a 2018, sempre entre julho e novembro, o leão-marinho foi a espécie mais frequente e mais numerosa da ilha, com até 139 animais em julho de 2012, segundo Procksch e colegas:

  • 88% dos leões-marinhos contados eram machos subadultos, e 6% eram machos adultos;
  • possíveis fêmeas apareceram em metade das contagens, mas foram só 2% do total;
  • filhotes de cerca de um ano apareceram em três contagens, em 2011 e 2012.

A ilha fica em frente a Torres, cidade que também tem o Parque Estadual de Itapeva.

O que come

O leão-marinho é conhecido por seguir barcos de pesca e tirar peixes das redes, segundo o artigo de 2020, que diz que a posição da Ilha dos Lobos, perto do porto de pesca de Torres e Passo de Torres, pode ser vantajosa para a espécie.

Segundo a reportagem da Pesquisa FAPESP, o biólogo Rodrigo Machado, da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) e do Grupo de Estudos de Mamíferos Aquáticos do Rio Grande do Sul (Gemars), analisou o conteúdo do estômago de 50 leões-marinhos achados mortos desde 1993:

  • a maria-luísa, um peixe que os pescadores descartam, respondeu por 52% da dieta;
  • seis espécies de valor comercial, como pescadas, corvinas e anchovas, responderam por 42%.

A reportagem não diz se essas porcentagens contam o número de presas ou o peso. Num artigo de 2018, o mesmo pesquisador viu que os leões-marinhos comeram 15 espécies de presas, entre peixes e moluscos, de 1993 a 2003, e 26 de 2004 a 2014. Para ele, a mudança provavelmente vem da sobrepesca de algumas espécies ou do consumo delas por outros predadores marinhos.

A disputa com a pesca

Pescadores de Torres dizem que os leões-marinhos comem grande parte dos peixes e rasgam as redes de superfície e de fundo. Segundo a reportagem da Pesquisa FAPESP, que conta um estudo da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e do Gemars publicado em 2020 na revista Marine Policy:

  • em entrevistas de 2011 e 2012, os pescadores estimaram que os leões-marinhos comiam 88% dos peixes das redes;
  • na observação a bordo, em 58 viagens e 161 lances de pesca, a perda medida não passou de 3%. Os leões-marinhos, em grupos de um a oito, de fato acompanharam os barcos e levaram peixes 68 vezes.

Os próprios pesquisadores e o ICMBio fazem ressalvas, segundo a reportagem. Os 3% “são a perda para o setor”, e ainda não se sabe o que essa redução representa para cada pescador. A gestora do refúgio, do ICMBio, disse que o prejuízo do pescador artesanal pode ser maior que o dos barcos grandes. O presidente da colônia de pescadores de Passo de Torres lembrou que o prejuízo inclui os buracos nas redes.

Você sabia?

Os pescadores de Torres também apontaram outras causas para pescar menos do que queriam: os dias perdidos com o mau tempo ou com a tripulação incompleta, que chegaram a 60 num ano, a sobrepesca e a concorrência com barcos maiores de outros estados, segundo a reportagem da Pesquisa FAPESP (2021).

Ameaças

Nas fontes consultadas, até 02/11/2026, não encontramos a avaliação nacional que explica por que o leão-marinho está Vulnerável. Segundo o artigo de 2020, as principais ameaças ao leão-marinho e ao lobo-marinho são a degradação do ambiente marinho e as interações com a pesca, que são “especialmente críticas” para o leão-marinho (tradução nossa). As fontes abertas citam ainda:

  • a caça no passado, para uso da gordura e do couro (Pesquisa FAPESP, 2021);
  • a matança por pescadores, que levou à criação do refúgio em 1983 (Pesquisa FAPESP, 2021);
  • a queda de cerca de 2% ao ano da população do Uruguai, a mais próxima do Brasil (Procksch et al., 2020);
  • a forte atividade humana em volta da Ilha dos Lobos, com turismo e pesca. Por isso, o artigo de 2020 recomenda que pesquisas em terra e atividades de lazer em volta da ilha aconteçam de preferência no verão, quando quase não há pinípedes.

Conservação no Brasil

Na lista nacional, atualizada pela Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026, o leão-marinho-sul-americano está Vulnerável. O nome dele vem com um asterisco, que a própria Portaria explica assim: “(*) Espécies que não constavam na Lista anterior – Portaria MMA nº 148, de 7 de junho de 2022”. É o único pinípede da lista. Os outros que chegam ao país estão em Pinípedes no Brasil.

Fontes

Impresso de https://123ecos.com.br/docs/leao-marinho-sul-americano-como-e-a-ilha-dos-lobos-e-a-disputa-com-a-pesca/ · Atualizado em 02/11/2026 · 123 Ecos

Quais são seus sentimentos

Contribua com esta página

Ficou alguma dúvida ou viu algo a corrigir? Conte para nós. Lemos tudo e respondemos quando conseguimos; nem toda dúvida vira resposta publicada.

Escrever uma contribuição
O que você quer nos contar?

Tudo passa pela equipe antes de aparecer. Este espaço é para adultos: mensagens que pareçam de crianças são recusadas e apagadas. Não guardamos seu endereço de internet nem seu navegador. O e-mail é apagado quando a contribuição é avaliada, no máximo em 90 dias. Para retirar seu nome depois, escreva para contato@123ecos.com.br. Veja a Política de Privacidade.