123 Ecos Redação
A equipe editorial da 123 Ecos produz os textos com apoio de inteligência artificial, seguindo rigorosamente regras editoriais definidas por pessoas e fontes oficiais citadas. Cada postagem passa por auditoria e checagem de fontes antes de ser publicada.
Atualizado em: 02/11/2026
Nesta página
O lobo-marinho-sul-americano (Arctocephalus australis) é um pinípede da família dos leões e lobos-marinhos que vive nas costas rochosas do Uruguai, da Argentina, do Chile e do Peru e nas Ilhas Malvinas, segundo o Animal Diversity Web. Ele não tem colônias no Brasil, mas todo ano centenas de animais, quase sempre jovens, chegam ao litoral do Sul. A espécie não consta na lista nacional de espécies ameaçadas de 2026.
| Ficha | Dados |
|---|---|
| Nome comum | Lobo-marinho-sul-americano |
| Nome científico | Arctocephalus australis (Zimmermann, 1783) |
| Família | Otariidae |
| Tamanho e peso | Até 1,7 m e 70 kg (Pesquisa FAPESP, 2021); machos até 1,9 m e 200 kg, fêmeas até 1,4 m (Animal Diversity Web) |
| Onde vive | Costas da América do Sul, no Atlântico e no Pacífico, até o centro do Peru; no Brasil, só de passagem, sobretudo no Sul |
| Situação na IUCN | Menos Preocupante, segundo Procksch et al. (2020) |
| Situação no Brasil | Não consta na lista nacional (Portaria MMA 1.704/2026) |
Como é
Segundo o Animal Diversity Web, da Universidade de Michigan:
- os machos podem ficar até três vezes maiores que as fêmeas;
- o corpo é marrom-escuro ou cinza-escuro nas costas e mais claro na barriga;
- os machos jovens começam a ganhar pelos mais longos em volta da cabeça e dos ombros, que nos adultos ficam com as pontas acinzentadas;
- o focinho é mais comprido e as nadadeiras são mais longas e estreitas que as de outros lobos-marinhos;
- o filhote nasce preto, com 3,5 a 5,5 kg e 60 a 65 cm, e clareia ao trocar o pelo.
Como os outros lobos-marinhos, ele tem uma orelha externa pequena e consegue usar as nadadeiras para andar em terra. Veja a diferença para as focas em Pinípedes no Brasil.
Como vive e o que come
Segundo o Animal Diversity Web:
- caça à noite e come anchovas, camarões, lagostas, lulas e krill, conforme o lugar; os que vivem mais perto do Brasil caçam camarões;
- pode mergulhar até 170 metros e ficar até 7 minutos debaixo d’água;
- nas colônias, os machos disputam territórios, e cada fêmea tem um filhote por ano. A mãe alterna dias no mar, para comer, e dias em terra, com o filhote, e o amamenta em geral por 6 a 12 meses, às vezes por até 3 anos.
A época de reprodução varia conforme a fonte: do fim de novembro a meados de janeiro, segundo o estudo de Natália Procksch e colegas, publicado em 2020 na Scientific Reports; de outubro a dezembro, segundo o Animal Diversity Web. Nos dois casos, é no fim da primavera e no verão.
No Brasil
Segundo o estudo de 2020, o lobo-marinho e o leão-marinho-sul-americano são os pinípedes mais encontrados no litoral do Sul do Brasil. Os lobos-marinhos que chegam ao país vêm provavelmente do Uruguai, depois da época de reprodução, e a viagem parece ser ajudada pela Corrente das Malvinas, uma corrente fria que fica mais forte no inverno e na primavera.
Na Ilha dos Lobos, em Torres (RS), as 20 contagens por fotos aéreas de 2010 a 2018 registraram 468 lobos-marinhos, a segunda espécie mais numerosa, depois do leão-marinho:
- 82% eram filhotes de cerca de um ano;
- a espécie não esteve na ilha em todos os meses contados;
- em 2018 houve um pico inesperado, com 199 filhotes de um ano em setembro e 102 em novembro. Nesses dois meses, o lobo-marinho foi a espécie mais numerosa da ilha. Dados ainda não publicados de contagens nas praias da região também mostraram números altos de agosto a setembro daquele ano, segundo o artigo.
Os autores dizem que o pico de 2018 é “difícil de explicar” (tradução nossa) e pode ter relação com o crescimento da população ou com variações naturais de nascimentos e sobrevivência de um ano para outro.
Os animais achados nas praias
Segundo o artigo de 2020, todo ano centenas de lobos-marinhos, sobretudo jovens e filhotes de um ano, são achados mortos nas praias do Sul do Brasil. Muitos têm traumas graves, problemas respiratórios e doenças em vários órgãos, e a morte está ligada principalmente à caquexia, um emagrecimento extremo. Um estudo citado pelo artigo achou o estômago vazio na maioria dos lobos-marinhos examinados na região, enquanto o dos leões-marinhos costuma estar cheio.
Por isso, os autores levantam a hipótese de que o litoral do Sul do Brasil seja um “habitat sumidouro” para a espécie: um lugar aonde os animais chegam, mas onde não se reproduzem e muitos morrem.
Você sabia?
O pinguim-de-magalhães parece seguir o mesmo padrão, segundo o artigo de 2020. Todo ano, sobretudo de julho a setembro, milhares de pinguins são achados mortos no litoral do Brasil. A maioria são jovens no primeiro ano de vida, em más condições, que vêm das colônias da Patagônia argentina levados pela Corrente das Malvinas.
Quantos são
Segundo o artigo de 2020:
- a estimativa publicada mais recente para a espécie era de cerca de 211 mil animais em 2016. Os autores calculam que o total pode chegar a cerca de 393.500, se considerada a estimativa de filhotes das Ilhas Malvinas;
- a população do Uruguai, provável origem dos animais que chegam ao Brasil, foi estimada em 300 mil nos anos 1990. Dados mais recentes, de contagens aéreas, sugerem que essa estimativa era só cerca de metade do tamanho real da população naquela época;
- as principais ameaças à espécie são a degradação do ambiente marinho e as interações com a pesca.
Conservação no Brasil
O lobo-marinho-sul-americano não consta na lista nacional atualizada pela Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026. No Brasil, ele descansa em duas áreas protegidas do Rio Grande do Sul, os refúgios de vida silvestre da Ilha dos Lobos e do Molhe Leste, segundo o artigo de 2020.
Fontes
- Procksch, N.; Grandi, M. F.; Ott, P. H. et al. The northernmost haulout site of South American sea lions and fur seals in the western South Atlantic. Scientific Reports, 10: 20008, 2020.
- DelGreco, A. Arctocephalus australis. Animal Diversity Web, Universidade de Michigan, 2013.
- Fioravanti, C. A disputa entre pescadores e leões-marinhos por peixes. Pesquisa FAPESP, 9 mar. 2021.
- Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026.
Impresso de https://123ecos.com.br/docs/lobo-marinho-sul-americano-como-e-de-onde-vem-e-por-que-aparece-no-sul-do-brasil/ · Atualizado em 02/11/2026 · 123 Ecos

