123 Ecos Redação
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Atualizado em: 02/11/2026
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A lontra-neotropical (Lontra longicaudis), também chamada de lontra, lobinho-de-rio ou lontrinha, é um mamífero que vive perto da água em quase todo o Brasil. Ela depende de rios e lagos limpos e com margens preservadas. Numa avaliação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) publicada em 2013, foi classificada como Quase Ameaçada. A espécie não consta no Anexo I da lista nacional de 2026, que traz as espécies ameaçadas.
| Ficha | Dados |
|---|---|
| Nome comum | Lontra, lontra-neotropical, lobinho-de-rio, lontrinha (ICMBio, 2013) |
| Nome científico | Lontra longicaudis (Olfers, 1818) |
| Família | Mustelidae |
| Tamanho e peso | Cabeça e corpo de 36 a 66 cm, cauda de 37 a 84 cm; em geral menos de 12 kg (Animal Diversity Web) |
| Onde vive | Do noroeste do México ao Uruguai, ao Paraguai e ao norte da Argentina (Animal Diversity Web); em quase todo o Brasil (ICMBio, 2013) |
| Situação na IUCN | Dados Insuficientes, na avaliação global de 2008 citada pelo ICMBio (2013) |
| Situação no Brasil | Quase Ameaçada na avaliação do ICMBio publicada em 2013; não consta no Anexo I da Portaria MMA 1.704/2026 |
Como é
Segundo o Animal Diversity Web, da Universidade de Michigan:
- o pelo é curto, denso e liso, de um marrom-acinzentado brilhante, um pouco mais claro na barriga e sobretudo na garganta;
- o lábio de cima, o queixo e a ponta do focinho são de um branco-prateado a amarelado;
- a cabeça é pequena e achatada, com olhos pequenos e orelhas curtas e redondas;
- a cauda é longa, larga e grossa na base, e afina até a ponta;
- as pernas são curtas e fortes, e os dedos das quatro patas são unidos por membranas;
- os machos são, em média, de 20% a 25% maiores que as fêmeas.
Onde vive
Segundo a avaliação do ICMBio publicada em 2013 na revista Biodiversidade Brasileira, a lontra ocorre em “quase todo o território nacional onde os corpos d’água são propícios”: na Amazônia, no Cerrado, no Pantanal, na Mata Atlântica e nos Campos Sulinos.
Ela vive perto de rios, riachos, lagos, igarapés, igapós, estuários, manguezais e até enseadas do mar. Prefere águas claras e de correnteza forte, e usa a vegetação conservada das margens para se abrigar. A avaliação diz que a espécie tem “uma forte dependência por corpos d’água, principalmente para se alimentar”.
As tocas ficam geralmente a menos de 150 metros da água, e quase sempre a menos de 10 metros da margem.
O que come e como cria os filhotes
Segundo a avaliação de 2013:
- a dieta tem por base peixes e crustáceos, com outros animais vertebrados e invertebrados. Num estudo na Reserva Volta Velha, em Itapoá (SC), também há registro de frutos;
- a reprodução se concentra na primavera, mas em alguns lugares pode acontecer em qualquer época;
- a gestação dura de 56 a 86 dias, e nascem de um a cinco filhotes, que nascem cegos;
- a mãe cuida dos filhotes no primeiro ano, e eles começam a entrar na água com cerca de 74 dias.
Lontra ou ariranha?
A lontra-neotropical e a ariranha (Pteronura brasiliensis) são da mesma família, e em muitos lugares vivem nos mesmos rios. Segundo a ficha da ariranha no Livro Vermelho do ICMBio (2018), elas conseguem conviver por causa das diferenças de corpo e de comportamento, e porque caçam presas de tamanhos diferentes.
| Lontra-neotropical | Ariranha | |
|---|---|---|
| Vida social | Filhotes cuidados pela mãe no primeiro ano (ICMBio, 2013) | Grupos familiares de 2 a 16 (ICMBio, 2018) |
| Peso | Em geral menos de 12 kg (Animal Diversity Web) | 24 kg em média (Animal Diversity Web) |
| Onde vive no Brasil | Quase todo o país (ICMBio, 2013) | Populações viáveis só na Amazônia e no Pantanal (ICMBio, 2018) |
| Situação em 2026 | Não consta no Anexo I da Portaria 1.704 | Em Perigo |
Quantos são
A avaliação de 2013 diz que “não existem informações populacionais precisas sobre a espécie no Brasil”. As medidas que ela cita são de lugares e épocas diferentes:
- no rio Negro, no Pantanal Sul, cerca de uma lontra a cada 2 a 3 km de rio;
- na Lagoa do Peri, em Santa Catarina, uma lontra por km de margem entre 1986 e 1990, e 0,5 por km em 2004, por análise de DNA;
- uma revisão internacional de 1999 deu de 0,81 a 2,76 lontras por km de margem, número que a avaliação considera possivelmente exagerado.
Mesmo sem números para o país, a avaliação diz que há “fortes indícios de declínio populacional” por causa da degradação das margens de rios e lagoas.
Ameaças
Segundo a avaliação do ICMBio (2013):
- o abate em retaliação por donos de criações de peixes e pesque-pagues;
- no passado, a caça para o comércio de peles, entre as décadas de 1950 e 1970, que pode ter causado extinções locais;
- a fragmentação do habitat, a poluição da água e o acúmulo de mercúrio e de outros metais pesados no corpo;
- a diminuição dos peixes;
- as hidrelétricas e pequenas centrais hidrelétricas, que podem mudar o ritmo das cheias;
- a redução das áreas de preservação das margens pelo Código Florestal de 2012;
- a retirada de filhotes na Amazônia para criar como animal doméstico, as doenças transmitidas por cães e os atropelamentos.
Você sabia?
A avaliação de 2013 calculou que o desmatamento, de cerca de 1% ao ano, poderia reduzir a população de lontras em cerca de 20% em 20 anos. Somados os abates, a poluição e as hidrelétricas, a perda poderia chegar perto de 30%. Por isso a avaliação classificou a espécie como quase ameaçada, perto do limite da categoria Vulnerável.
Conservação no Brasil
Na avaliação do ICMBio publicada em 2013, a lontra foi classificada como quase ameaçada, a mesma categoria da avaliação nacional anterior. A avaliação por bioma deu resultados diferentes:
| Bioma | Categoria (2013) |
|---|---|
| Mata Atlântica | Vulnerável |
| Cerrado | quase ameaçada |
| Amazônia | Menos Preocupante |
| Pampa | Menos Preocupante |
| Pantanal | Dados Insuficientes |
Nas listas estaduais citadas pela avaliação, a lontra estava quase ameaçada em São Paulo e no Paraná e Vulnerável no Rio Grande do Sul e em Minas Gerais. Ela está no Apêndice I da CITES, a convenção que controla o comércio internacional de animais e plantas. Na lista nacional atualizada pela Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026, ela não consta no Anexo I.
O Plano de Ação Nacional para a Conservação da Ariranha, aprovado pelo ICMBio em 2010, também tinha metas para a lontra, segundo a avaliação. Entre as ações propostas estão recuperar as matas das margens dos rios, estudar os conflitos com a pesca e criar corredores ecológicos e novas unidades de conservação, incluindo manguezais do Nordeste.
Fontes
- Rodrigues, L. A.; Leuchtenberger, C.; Kasper, C. B.; Carvalho Junior, O.; Silva, V. C. F. Lontra longicaudis (Olfers, 1818) no Brasil. biodiversidade Brasileira, 3(1): 216–227, 2013.
- Berry, K. Lontra longicaudis. Animal Diversity Web, Universidade de Michigan, 2000. Bender, J. Pteronura brasiliensis. Animal Diversity Web, 2001.
- ICMBio. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, volume II, Mamíferos. Brasília, 2018. Ficha de Pteronura brasiliensis, p. 369–374.
- Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026.
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