123 Ecos Redação
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Atualizado em: 02/11/2026
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A jaguatirica (Leopardus pardalis) é um felino de porte médio, de pelo pintado com rosetas pretas, que vive em quase todo o Brasil. Segundo a avaliação do ICMBio publicada em 2013, ela é “a maior das espécies de mesofelinos do Brasil”, isto é, dos felinos de porte médio. Ela não consta na lista nacional de espécies ameaçadas de 2026.
| Ficha | Dados |
|---|---|
| Nome comum | Jaguatirica (também maracajá-verdadeiro, maracajá-açu, entre outros) |
| Nome científico | Leopardus pardalis (Linnaeus, 1758) |
| Família | Felidae |
| Tamanho e peso | Cabeça e corpo com cerca de 77 cm (67 a 101,5 cm), cauda de 30 a 44,5 cm; adultos de 6,6 a 18,6 kg (ICMBio, 2013) |
| Onde vive | Todo o Brasil, menos a região dos pampas no sul do Rio Grande do Sul |
| Situação na IUCN | Menos Preocupante, segundo a avaliação do ICMBio (2013), que cita a IUCN de 2008 |
| Situação no Brasil | Não consta na lista nacional de 2026 (Portaria MMA 1.704/2026) |
Como é
Segundo a avaliação do ICMBio (2013), a pelagem varia muito, mas em geral tem manchas pretas que formam rosetas e se juntam em faixas ao longo dos lados do corpo, o desenho típico da espécie. O peso muda com o ambiente: os animais de floresta são os mais pesados, com cerca de 11,1 kg em média; os de savanas abertas e áreas alagáveis, cerca de 10 kg; e os do semiárido, cerca de 8,7 kg.
Cuidado com o nome. A avaliação lista “gato-maracajá” entre os nomes populares da jaguatirica. Mas o ICMBio, no plano de ação dos pequenos felinos, usa “gato-maracajá” para outra espécie, Leopardus wiedii, que está Vulnerável. Por isso, o nome científico ajuda a saber de qual felino se fala.
Onde vive e como vive
Segundo a mesma avaliação:
- vive em todo o Brasil, menos nos pampas do sul do Rio Grande do Sul: em restingas, florestas tropicais e subtropicais, no Cerrado, na Caatinga, no Pantanal e na Mata Atlântica;
- usa tanto áreas conservadas quanto áreas alteradas;
- é solitária, ativa sobretudo à noite e ao entardecer, anda mais no chão, mas sobe bem em árvores;
- a gestação dura de 70 a 85 dias, com um a quatro filhotes (1,4 em média);
- a área usada por cada animal vai de 1,3 a 90,5 km², maior nos machos.
O que come
A dieta é variada. Segundo a avaliação, os roedores pequenos são as presas mais numerosas, mas, pelo peso de comida, contam mais os roedores grandes, como a paca e a cutia, os tatus, os ungulados (mamíferos de casco) e os macacos. Presas com mais de 800 g estão entre as três mais comidas.
A jaguatirica e os gatos menores
A jaguatirica é o felino mais abundante em mais de 80% das áreas avaliadas no Brasil, segundo o ICMBio (2013), e é bem mais numerosa que os felinos menores que vivem nos mesmos lugares. A avaliação diz que ela prejudica esses felinos menores como predadora, e chama isso de “efeito pardalis”. Já as populações de jaguatirica, segundo o texto, não são afetadas pelas dos felinos grandes.
Ameaças
Segundo a avaliação do ICMBio (2013):
- no passado, a maior ameaça foi o comércio de peles;
- hoje, a principal ameaça “é indubitavelmente a perda e a fragmentação” do habitat;
- outras ameaças, menores, são a morte por produtores que querem proteger as galinhas, os atropelamentos e as doenças transmitidas por cães e gatos domésticos.
Você sabia?
Segundo a avaliação do ICMBio (2013), os relatórios da CITES, a convenção que controla o comércio internacional de animais e plantas, registram pelo menos 349.680 peles de jaguatirica vendidas de 1968 a 1970 e 216.330 de 1976 a 1985.
Conservação no Brasil
A jaguatirica não está no Anexo I da Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026. A avaliação do ICMBio (2013) explica a situação:
- na lista nacional de 2003, a subespécie L. p. mitis estava Vulnerável;
- dados mais novos indicaram populações robustas, e a avaliação de 2013 classificou a espécie como Menos Preocupante;
- a população efetiva, calculada pela avaliação com o número menor das estimativas, ficou em mais de 42 mil animais;
- em alguns estados a situação é outra: a jaguatirica está Criticamente em Perigo na lista de Minas Gerais e Vulnerável nas do Espírito Santo, do Rio de Janeiro, de São Paulo, do Paraná e do Rio Grande do Sul, segundo a avaliação.
A avaliação recomendava religar áreas de habitat nas regiões mais fragmentadas da Mata Atlântica, do Cerrado e da Caatinga. Em 2026, a jaguatirica não é espécie-alvo do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Pequenos Felinos, segundo a página do plano. Vive em muitas áreas protegidas, como o Parque Estadual do Mirador, no Maranhão. Os outros felinos do país estão em Felinos do Brasil.
Fontes
- Oliveira, T. G.; Almeida, L. B.; Campos, C. B. Leopardus pardalis (Linnaeus, 1758) no Brasil: Avaliação do risco de extinção da Jaguatirica. Biodiversidade Brasileira, 3(1): 66–75, 2013.
- ICMBio. Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Pequenos Felinos. Espécies-alvo do 2º ciclo (2022–2027). Consultado em 2 nov. 2026.
- Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026.
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