123 Ecos Redação
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Atualizado em: 02/11/2026
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O gato-do-mato (Leopardus tigrinus) é um felino selvagem com o porte de um gato doméstico. Vive no norte, no nordeste e no centro-oeste do Brasil, mas é raro em quase todo lugar. Até os estudos de 2010 e 2013, era considerado a mesma espécie que o gato-do-mato-do-sul. Na lista nacional de 2026, está Em Perigo de extinção.
| Ficha | Dados |
|---|---|
| Nome comum | Gato-do-mato (também gato-macambira, pintadinho, mumuninha, gato-lagartixeiro, chué, gato-maracajá-mirim, maracajá-i e gato-maracajá, segundo o ICMBio, 2018) |
| Nome científico | Leopardus tigrinus (Schreber, 1775) |
| Família | Felidae |
| Tamanho e peso | Cabeça e corpo com 49,1 cm em média (40 a 59,1 cm), cauda com 26,4 cm em média; de 1,75 a 3,5 kg, média de 2,4 kg (ICMBio, 2018) |
| Onde vive | Norte, nordeste e centro-oeste do Brasil; provavelmente também Guianas e Venezuela |
| Situação na IUCN | Vulnerável, na avaliação global de 2008, segundo o ICMBio (2018) |
| Situação no Brasil | Em Perigo (Portaria MMA 1.704/2026) |
Como é
Segundo a ficha da espécie no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (ICMBio, 2018), o gato-do-mato “é a menor espécie de felino do Brasil”. Ele tem porte e proporções parecidos com os do gato doméstico, patas pequenas e cauda longa, que mede cerca de 60% do comprimento da cabeça e do corpo.
O nome “gato-do-mato” é usado para mais de um felino. O ICMBio também chama assim o gato-do-mato-do-sul (Leopardus guttulus) e o gato-do-mato-grande (Leopardus geoffroyi). Por isso, o nome científico ajuda a saber de qual se fala.
Um gato-do-mato ou dois?
Por muito tempo, os gatos-do-mato do Brasil foram tratados como uma espécie só. Segundo a ficha do ICMBio (2018):
- em 2010, uma tese de doutorado de F. O. Nascimento, na Universidade de São Paulo, propôs pela aparência que havia duas espécies no país: L. tigrinus, no norte e no nordeste, e L. guttulus, no sul, no sudeste e no centro-oeste;
- em 2013, um estudo genético de Tatiane Trigo e colegas, na revista Current Biology, confirmou a separação das duas espécies. Pelos dados do estudo, elas estão separadas há pelo menos 100 mil anos, com estimativas que chegam a 500 e 800 mil anos.
Os limites entre as duas ainda não estão claros. A ficha diz que parte da área de uma se sobrepõe à da outra no centro do Brasil e que é preciso estudar mais para saber até onde vai cada uma.
Onde vive
Segundo o ICMBio (2018), o gato-do-mato vive no norte, nordeste e centro-oeste do Brasil, e provavelmente nas Guianas e na Venezuela. Na Amazônia é muito raro, e a espécie é mais característica do Cerrado, da Caatinga e da Mata Atlântica. A área que ela ocupa diminuiu bastante, principalmente no Cerrado e na Caatinga.
O sumário do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Pequenos Felinos acrescenta que o gato-do-mato vive em áreas muito restritas, porque usa ambientes com mais floresta e longe das perturbações humanas.
A espécie vive, por exemplo, no Parque Estadual do Mirador, no Maranhão.
Como vive e o que come
Segundo a ficha do ICMBio (2018):
- é ativo sobretudo à noite e no crepúsculo, mas também se movimenta bastante de dia;
- vive no chão, mas sobe bem em árvores;
- vive sozinho, como a maioria dos felinos;
- a gestação dura de 73 a 78 dias, e nascem de um a quatro filhotes, em qualquer época do ano;
- a área de vida de cada animal vai de 1 a 25 km², conforme a comida disponível.
A dieta do gato-do-mato ainda é pouco estudada, porque a maioria dos trabalhos tratou do gato-do-mato-do-sul. O sumário do plano de ação diz que ele come principalmente pequenos mamíferos, aves e répteis.
Quantos são
Na avaliação publicada em 2018, o ICMBio estimou a população multiplicando a área de vegetação natural que resta no nordeste e no centro-oeste (por dados de satélite de 2010 e 2014) pelas densidades conhecidas da espécie, de 0,01 a 0,25 animais por km². O resultado foi de 533 a 13.348 gatos-do-mato, sem contar a Amazônia, onde a espécie é rara demais para entrar na conta. A própria ficha diz que a estimativa máxima “provavelmente está inflacionada”.
Para a conservação, importa a população efetiva: os animais que de fato se reproduzem e passam os genes adiante. O ICMBio usou a conta de um décimo da população e chegou a 53 a 270 indivíduos, sem nenhum grupo isolado com mais de 250 adultos.
A espécie também é prejudicada pela jaguatirica, que pode caçar os gatos menores (o chamado “efeito pardalis”). As densidades mais altas do gato-do-mato aparecem só onde a jaguatirica falta ou é rara, segundo a ficha.
Ameaças
Segundo o ICMBio (2018):
- a principal ameaça é a perda e a fragmentação da vegetação natural, pela expansão da agricultura. O gato-do-mato até aparece em áreas agrícolas, mas só se houver mata por perto. O problema é maior na Caatinga;
- em escala local, também pesam o abate de animais em retaliação à caça de aves domésticas, os atropelamentos e as doenças transmitidas por cães e gatos domésticos.
Você sabia?
No passado, a maior ameaça foi o comércio de peles. Entre 1976 e 1985, foram vendidas pelo menos 352.508 peles do gato-do-mato, segundo relatórios da CITES, a convenção que controla o comércio internacional de animais, citados pelo ICMBio (2018). Na época, a conta incluía também o gato-do-mato-do-sul.
Conservação no Brasil
Na lista nacional, atualizada pela Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026, o gato-do-mato está Em Perigo. Ele também estava Em Perigo na avaliação publicada no Livro Vermelho de 2018; na avaliação nacional anterior, era Vulnerável.
O gato-do-mato é uma das espécies do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Pequenos Felinos, no 2º ciclo, de 2022 a 2027 (Portaria ICMBio nº 493/2022). Segundo a ficha de 2018, o conjunto de áreas protegidas formado pelo Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba, pelo Parque Estadual do Jalapão e pela Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins talvez seja o único com tamanho para manter sozinho uma população viável da espécie.
Fontes
- ICMBio. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, volume II, Mamíferos. Brasília, 2018. Ficha de Leopardus tigrinus, p. 344–348 (cita Trigo et al., 2013, Current Biology, 23(24): 2528–2533, e Nascimento, 2010, tese de doutorado na USP).
- ICMBio. Sumário Executivo do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Pequenos Felinos, 2º ciclo. Portaria ICMBio nº 493, de 21 de junho de 2022.
- Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026. Anexo I, nº 589.
Impresso de https://123ecos.com.br/docs/gato-do-mato-leopardus-tigrinus-como-e-onde-vive-e-por-que-esta-ameacado/ · Atualizado em 02/11/2026 · 123 Ecos

