123 Ecos Redação
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Atualizado em: 02/11/2026
O gato-maracajá (Leopardus wiedii) é um pequeno felino selvagem das florestas. Ele vive em quase todo o Brasil e tem grande habilidade para subir em árvores. Na lista nacional de 2026, está Vulnerável à extinção.
| Ficha | Dados |
|---|---|
| Nome comum | Gato-maracajá (também gato-do-mato, gato-peludo e maracajá-peludo, segundo o ICMBio, 2018) |
| Nome científico | Leopardus wiedii (Schinz, 1821) |
| Família | Felidae |
| Tamanho e peso | Cabeça e corpo de 70,5 a 97 cm nos machos e de 42,5 a 78 cm nas fêmeas; cauda de 30,5 a 47 cm; de 2,3 a 4,9 kg, média de 3,3 kg (ICMBio, 2018) |
| Onde vive | Do México ao norte do Uruguai e da Argentina; todo o Brasil, menos o Ceará e a metade sul do Rio Grande do Sul |
| Situação na IUCN | Quase Ameaçada, na avaliação global de 2015, segundo o ICMBio (2018) |
| Situação no Brasil | Vulnerável (Portaria MMA 1.704/2026) |
Cuidado com o nome. O ICMBio, no plano de ação dos pequenos felinos, usa “gato-maracajá” para esta espécie, Leopardus wiedii. Mas a avaliação da jaguatirica, de 2013, também lista “gato-maracajá” entre os nomes populares da jaguatirica, Leopardus pardalis, que é outra espécie, e o Livro Vermelho (2018) lista o mesmo nome entre os do gato-do-mato, Leopardus tigrinus. Por isso, o nome científico ajuda a saber de qual felino se fala.
Como é
Segundo a ficha da espécie no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (ICMBio, 2018), o gato-maracajá se parece com a jaguatirica, mas é menor. Ele tem:
- olhos grandes e salientes;
- focinho saliente;
- patas grandes;
- cauda bem comprida.
Os machos medem de 70,5 a 97 centímetros de cabeça e corpo, e as fêmeas, de 42,5 a 78 centímetros, sem contar a cauda. O peso vai de 2,3 a 4,9 kg, com média de 3,3 kg.
Onde vive
O gato-maracajá vive do litoral do México até o norte do Uruguai e da Argentina. No Brasil, aparece em todos os estados, menos no Ceará e na metade sul do Rio Grande do Sul, segundo o ICMBio (2018). No Rio Grande do Norte, em Pernambuco, na Paraíba, em Alagoas e em Sergipe, só é encontrado na Mata Atlântica do litoral.
É um felino das florestas, das matas fechadas e contínuas até pequenos fragmentos, e das matas preservadas até as degradadas. As fontes divergem um pouco sobre as áreas abertas:
- o sumário do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Pequenos Felinos diz que a espécie “não utiliza campos e áreas abertas”;
- a ficha de 2018 diz que ela também é encontrada em formações abertas, mas quase sempre perto de vegetação mais densa.
Segundo a ficha, ele é mais comum nas florestas da Mata Atlântica do sul e do sudeste e, principalmente, da Amazônia. No Cerrado, fica mais restrito às matas de galeria, e na Caatinga, às áreas de transição e aos cânions de mata densa. Ele vive, por exemplo, no Parque Nacional da Chapada das Mesas, no Maranhão.
Análises de DNA mostraram duas populações diferentes no Brasil, uma ao norte e outra ao sul do rio Amazonas, segundo a ficha.
Como vive e o que come
Segundo o ICMBio (2018):
- vive sozinho e é ativo sobretudo à noite;
- tem grande habilidade para subir em árvores, embora normalmente ande pelo chão;
- come principalmente pequenos mamíferos, como roedores e marsupiais, mas também mamíferos com mais de 1,5 kg, aves e lagartos. Consome, em média, cerca de 220 gramas de comida por dia;
- a gestação dura de 81 a 84 dias, e nasce um só filhote;
- a área de vida de cada animal vai de 1 a 20 km², conforme a comida disponível.
Apesar da ampla área onde vive, a espécie é incomum na maioria das regiões, principalmente onde há jaguatiricas.
Quantos são
Na avaliação publicada em 2018, o ICMBio usou a área de vegetação natural onde a espécie pode viver e as densidades conhecidas, de 0,01 a 0,25 animais por km². Com a conta de um décimo da população, estimou a população efetiva, a dos animais que de fato se reproduzem, em 4.700 a 20.000 indivíduos. Por precaução, a avaliação usou o número menor, de 4.700, porque o gato-maracajá não ocupa toda essa vegetação.
Ameaças
Segundo o ICMBio (2018):
- a principal ameaça é a perda e a fragmentação das florestas, mais forte na Mata Atlântica e na Amazônia. Mesmo assim, a ficha diz que a Amazônia ainda tem condições de manter populações grandes e viáveis da espécie;
- o abate em retaliação à caça de aves domésticas é outra ameaça importante. A ficha conta que um estudo registrou o abate de três gatos-maracajás em sete meses no município de Uruará, no Pará, e que a prática é comum nos estados do sul e do sudeste, sem estimativa de quantos animais morrem assim;
- também pesam os atropelamentos, no sul e no sudeste, e as doenças transmitidas por animais domésticos;
- no passado, a caça foi uma das principais ameaças.
Você sabia?
O gato-maracajá depende tanto da floresta que, numa região de Cerrado estudada pelo plano de ação dos pequenos felinos, 61,3% da vegetação que resta já não tem as condições necessárias para a espécie viver, segundo o sumário do plano.
Conservação no Brasil
Na lista nacional, atualizada pela Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026, o gato-maracajá está Vulnerável. Ele também era Vulnerável na avaliação publicada no Livro Vermelho de 2018 e na avaliação nacional anterior. No estado do Rio de Janeiro, está na lista estadual como Vulnerável, segundo a ficha.
O gato-maracajá é uma das espécies do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Pequenos Felinos, no 2º ciclo, de 2022 a 2027 (Portaria ICMBio nº 493/2022).
Fontes
- ICMBio. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, volume II, Mamíferos. Brasília, 2018. Ficha de Leopardus wiedii, p. 349–352, e de Leopardus tigrinus, p. 344–348.
- ICMBio. Sumário Executivo do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Pequenos Felinos, 2º ciclo. Portaria ICMBio nº 493, de 21 de junho de 2022.
- Oliveira, T. G.; Almeida, L. B.; Campos, C. B. Leopardus pardalis (Linnaeus, 1758) no Brasil: Avaliação do risco de extinção da Jaguatirica. Biodiversidade Brasileira, 3(1): 66–75, 2013.
- Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026. Anexo I, nº 590.
Impresso de https://123ecos.com.br/docs/gato-maracaja-leopardus-wiedii-como-e-onde-vive-e-por-que-esta-ameacado/ · Atualizado em 02/11/2026 · 123 Ecos

