123 Ecos Redação
A equipe editorial da 123 Ecos produz os textos com apoio de inteligência artificial, seguindo rigorosamente regras editoriais definidas por pessoas e fontes oficiais citadas. Cada postagem passa por auditoria e checagem de fontes antes de ser publicada.
Atualizado em: 02/11/2026
Nesta página
O golfinho-rotador (Stenella longirostris) é um golfinho de mar aberto, de focinho longo, conhecido pelos saltos em que gira no ar. Vive em mares tropicais e temperados do mundo. No Brasil, a população mais estudada é a de Fernando de Noronha (PE), que usa de dia a Baía dos Golfinhos para descansar e cuidar dos filhotes. Ele não está na lista nacional de espécies ameaçadas de 2026.
| Ficha | Dados |
|---|---|
| Nome comum | Golfinho-rotador |
| Nome científico | Stenella longirostris (Gray, 1828) |
| Família | Delphinidae |
| Tamanho e peso | Em média 1,8 m, até 2,4 m; 75 a 80 kg (ICMBio, 2011) |
| Onde vive | Mares tropicais e temperados dos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico |
| Situação na IUCN | Não informada nesta versão |
| Situação no Brasil | Não consta na lista nacional de 2026 (Portaria MMA 1.704/2026) |
Como é
Segundo o Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Pequenos Cetáceos, do ICMBio (2011), o rotador tem uma das maiores variações de forma e de cor já vistas em cetáceos, com padrões diferentes em cada oceano. Em geral:
- o corpo é alongado, o melão (a testa) é achatado e o focinho é longo;
- o dorso tem uma “capa” escura, os lados são cinza mais claros e a barriga é branca ou cinza-clara;
- uma faixa escura liga a nadadeira do peito ao olho.
A gestação dura cerca de 11 meses, e o filhote nasce com cerca de 75 cm.
Onde vive
O rotador prefere o mar aberto e as águas fundas perto da costa, segundo o plano do ICMBio. No Brasil, foi registrado no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, no Paraná, em São Paulo, no Rio de Janeiro, na Bahia, na Paraíba, em Pernambuco, no Rio Grande do Norte, no Ceará e no Piauí. O plano registra que não havia, até então, estimativas da população de rotadores no Brasil.
A Baía dos Golfinhos
O arquipélago de Fernando de Noronha tem uma população residente, estudada há décadas pelo oceanógrafo José Martins da Silva Júnior, do Projeto Golfinho Rotador. Segundo os dados dele citados pelo ICMBio (2011), de 1991 a dezembro de 2009 grupos de 2 a 2.046 rotadores entraram na Baía dos Golfinhos, no Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, em 95% dos dias. Eles usam a baía para descansar, reproduzir, cuidar dos filhotes e se proteger de tubarões.
Por que o rotador gira
Não há uma resposta só. Uma revisão publicada em 2010 na revista Oecologia Australis, por Lídio França Nascimento e Suelaine Nascimento, reúne as hipóteses para os saltos dos cetáceos em geral: comunicação entre os animais do grupo, exibição na corte, ajuda na caça, brincadeira e treino dos filhotes, entre outras.
Para o rotador, uma hipótese citada na revisão é que os giros serviriam para soltar as rêmoras, peixes que se prendem ao corpo do golfinho (Weihs, Fish e Nicastro, 2007). Os autores da revisão não aceitam essa explicação: nem todos os rotadores que saltam têm rêmoras presas. Uma reportagem da Folhapress de 2026 descreve os saltos como “forma de comunicação característica da espécie”.
O turismo e a queda nos avistamentos
O plano do ICMBio (2011) diz que o rotador é uma das atrações turísticas mais importantes de Noronha e registra, com os dados do Projeto Golfinho Rotador:
| Dado na Baía dos Golfinhos | Antes | Depois |
|---|---|---|
| Tempo médio que os rotadores ficavam na baía por dia | 7h20 (1994) | 1h30 (2011) |
| Passadas diárias de barcos de turismo em frente à baía | 4 (1994) | 13 (2011) |
Segundo o plano, quanto mais barcos, menos tempo os golfinhos ficavam na baía. Ao mesmo tempo, aumentou a presença deles na enseada Entre Ilhas.
Em 2026, uma reportagem da Folhapress, publicada pelo Jornal de Brasília, trouxe novos dados do projeto: a média na Baía dos Golfinhos caiu de 252 rotadores por dia em 2015 para 129 em 2025, uma redução de 49%. Segundo a reportagem, de 2004 a 2024 houve só pequenas oscilações, e 2025 teve o menor número registrado. Segundo a reportagem, para José Martins da Silva Júnior, nenhum fator isolado explica a diferença. As hipóteses dele, que podem agir juntas, são as mudanças climáticas, mais tubarões-tigre e mais turismo nas áreas que os golfinhos usam. A reportagem diz que a causa ainda depende de mais pesquisas.
Ameaças
Segundo o plano do ICMBio (2011), as duas principais ameaças ao rotador no Brasil são:
- a pesca: captura acidental em redes no Sul e no Sudeste, na pesca de atum com espinhel no mar aberto do Nordeste e na pesca de arrasto nos bancos submarinos perto de Noronha;
- o turismo náutico, com muitos barcos perto dos golfinhos.
Você sabia?
Na avaliação nacional de 2012, publicada no Livro Vermelho do ICMBio (2018), o golfinho-rotador ficou como Dados Insuficientes (DD): não havia informação bastante para dizer se estava ameaçado ou não.
Conservação no Brasil
O golfinho-rotador não está no Anexo I da Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026. Ele era espécie-alvo do PAN Pequenos Cetáceos, de 2010 a 2015, já encerrado. Os golfinhos do país que estão na lista estão em Golfinhos do Brasil.
Fontes
- ICMBio. Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Mamíferos Aquáticos: Pequenos Cetáceos. Brasília, 2011. Ficha de Stenella longirostris, p. 30–32.
- Maes, J. (Folhapress). Presença de golfinhos em Fernando de Noronha cai quase pela metade em dez anos. Jornal de Brasília, 29 jul. 2026.
- Nascimento, L. F.; Nascimento, S. V. M. M. Por que botos, baleias e golfinhos saltam? Uma revisão das hipóteses explicativas sobre os saltos. Oecologia Australis, 14(4): 818–826, 2010.
- ICMBio. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. Brasília, 2018. Vol. I, lista das espécies avaliadas.
- Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026.
Impresso de https://123ecos.com.br/docs/golfinho-rotador-os-giros-a-baia-dos-golfinhos-e-o-que-mudou-em-noronha/ · Atualizado em 02/11/2026 · 123 Ecos

