Mamíferos Terrestres

Gato-do-mato-do-sul (Leopardus guttulus): como é, onde vive e por que está ameaçado

Nível de leitura: Ensino Médio

123 Ecos Redação

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Atualizado em: 02/11/2026

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O gato-do-mato-do-sul (Leopardus guttulus) é um pequeno felino selvagem do centro-oeste, do sudeste e do sul do Brasil. Até estudos de 2010 e 2013, que mostraram que são duas espécies, era tratado como parte do gato-do-mato (Leopardus tigrinus). Na lista nacional de 2026, o gato-do-mato-do-sul está Em Perigo de extinção.

FichaDados
Nome comumGato-do-mato-do-sul (PAN Pequenos Felinos); gato-do-mato (ICMBio, 2018)
Nome científicoLeopardus guttulus (Hensel, 1872)
FamíliaFelidae
PesoMachos de 1,91 a 2,42 kg e fêmeas de 1,03 a 2,21 kg (ICMBio, 2018); até 3,75 kg (PAN Pequenos Felinos)
Onde viveCentro-oeste, sudeste e sul do Brasil; Paraguai; Argentina (província de Misiones)
Situação na IUCNVulnerável, na avaliação global de 2008, feita ainda como L. tigrinus, segundo o ICMBio (2018)
Situação no BrasilEm Perigo (Portaria MMA 1.704/2026)

Como é

Os pesos variam conforme a fonte: a ficha do Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (ICMBio, 2018) dá de 1,91 a 2,42 kg para os machos e de 1,03 a 2,21 kg para as fêmeas; o sumário do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Pequenos Felinos diz que ele pode chegar a 3,75 kg.

Comparado com o gato-do-mato do norte e do nordeste, o amarelo do corpo é mais escuro e as rosetas (as manchas em forma de anel) são maiores, segundo a ficha do ICMBio.

Separado do gato-do-mato

Segundo a ficha do ICMBio (2018):

  • em 2010, uma tese de doutorado de F. O. Nascimento, na Universidade de São Paulo, propôs, pelos padrões de cor da pelagem, que o gato-do-mato-do-sul fosse uma espécie própria, e não uma subespécie do gato-do-mato;
  • em 2013, Tatiane Trigo e colegas, num estudo genético publicado na revista Current Biology, encontraram separação completa entre os animais do nordeste e os do sul e sudeste e consideraram válida a divisão em duas espécies. Pelos dados do estudo, elas estão separadas há pelo menos 100 mil anos.

As duas espécies parecem viver juntas em parte do centro do Brasil, sem sinal de cruzamento entre elas, segundo o mesmo estudo. Os limites exatos de cada uma ainda precisam ser estudados.

Mistura com o gato-do-mato-grande

No Rio Grande do Sul, há um processo de cruzamento intenso entre o gato-do-mato-do-sul e o gato-do-mato-grande (Leopardus geoffroyi), outra espécie de pequeno felino. Segundo o ICMBio (2018), ainda não se sabe se esses cruzamentos têm origem natural ou foram causados pelas mudanças humanas no ambiente, mas os estudos indicam uma possível origem natural.

Onde vive

O gato-do-mato-do-sul vive no centro-oeste, no sudeste e no sul do Brasil, no Paraguai e na província de Misiones, na Argentina, segundo a ficha do ICMBio. O sumário do plano de ação diz que ele usa áreas de arbustos de restinga e de Cerrado e áreas de floresta da Mata Atlântica e do Cerrado.

Ele também aparece perto de áreas agrícolas vizinhas a matas. A ficha registra a espécie em dezenas de unidades de conservação, como o Parque Nacional do Caparaó, na divisa de Minas Gerais com o Espírito Santo.

Como vive e o que come

Segundo a ficha do ICMBio (2018):

  • vive sozinho e é ativo de dia e de noite, com um pico de atividade no começo da manhã;
  • come pequenos mamíferos (roedores e marsupiais), aves, répteis e invertebrados;
  • a gestação dura de 73 a 78 dias, e nascem de um a quatro filhotes (dados para o conjunto dos gatos-do-mato, antes da separação).

O sumário do plano de ação diz que o horário de atividade muda conforme a presença de outros predadores e de gente no lugar.

Quantos são

Na avaliação publicada em 2018, o ICMBio estimou a população multiplicando a área de vegetação natural que resta no sul, no sudeste e no centro-oeste pelas densidades conhecidas, de 0,01 a 0,25 animais por km². O resultado foi de 18.349 a 458.741 animais. A própria ficha diz que a estimativa máxima “provavelmente está inflacionada”.

A população efetiva, a dos animais que de fato se reproduzem, foi estimada pela conta de um décimo da população em cerca de 1.800 a 9.200 indivíduos. Em matas de Santa Catarina, a densidade foi estimada em 0,07 a 0,13 animais por km², segundo a ficha.

Como o gato-do-mato, ele é prejudicado pela jaguatirica, que pode caçar os gatos menores (o chamado “efeito pardalis”). Por isso, as áreas fora das unidades de conservação, onde há menos jaguatiricas, são importantes para a espécie, segundo o ICMBio.

Ameaças

Segundo o ICMBio (2018):

  • a principal ameaça é a perda e a fragmentação da vegetação natural, maior na Mata Atlântica e no Cerrado. O gato-do-mato-do-sul até aparece em áreas agrícolas, mas só se houver mata por perto;
  • em escala local, também pesam o abate de animais em retaliação à caça de aves domésticas, os atropelamentos e as doenças transmitidas por cães e gatos domésticos;
  • no passado, a maior ameaça foi o comércio de peles: entre 1976 e 1985, foram vendidas pelo menos 352.508 peles de gatos-do-mato, contando as duas espécies, segundo relatórios da CITES citados pelo ICMBio.

Você sabia?

Antes de ser reconhecido como espécie, o gato-do-mato-do-sul já estava em listas estaduais de espécies ameaçadas, com o nome de Leopardus tigrinus. Segundo o ICMBio (2018), as listas do Espírito Santo, do Paraná, do Rio Grande do Sul e de São Paulo que falam de L. tigrinus referem-se, hoje, ao gato-do-mato-do-sul.

Conservação no Brasil

Na avaliação publicada no Livro Vermelho de 2018, o gato-do-mato-do-sul estava Vulnerável. Na lista nacional atualizada pela Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026, ele está Em Perigo.

Ele é uma das espécies do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Pequenos Felinos, no 2º ciclo, de 2022 a 2027 (Portaria ICMBio nº 493/2022).

Fontes

Impresso de https://123ecos.com.br/docs/gato-do-mato-do-sul-leopardus-guttulus-como-e-onde-vive-e-por-que-esta-ameacado/ · Atualizado em 02/11/2026 · 123 Ecos

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