123 Ecos Redação
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Atualizado em: 02/11/2026
A rã-pimenta (Leptodactylus labyrinthicus) é uma rã que vive em áreas abertas do Cerrado e da Caatinga. Os machos e as fêmeas fazem, juntos, uma bacia na beira da água, onde a fêmea põe os ovos num ninho de espuma. Os girinos podem comer ovos de outras rãs.
| Ficha | Dados |
|---|---|
| Nome comum | Rã-pimenta |
| Nome científico | Leptodactylus labyrinthicus (Spix, 1824) |
| Família | Leptodactylidae |
| Tamanho | Machos de 9,99 a 15,85 cm do focinho à cloaca, numa população de Uberlândia (MG) (Silva, 2005) |
| Onde vive | Cerrado e Caatinga do centro e do sudeste do Brasil; também Argentina e Paraguai |
| Situação na IUCN | Não informada nesta versão |
| Situação no Brasil | Não consta na lista nacional de 2026 (Portaria MMA 1.704/2026); Menos Preocupante na avaliação do ICMBio de 2012 |
Os grupos de anfíbios e as espécies do Brasil estão em Anfíbios: o que são, os grupos e as espécies do Brasil.
Como é
As medidas mais detalhadas que encontramos são de uma população de Uberlândia, em Minas Gerais, estudada por Wagner Rodrigues da Silva na dissertação de mestrado que defendeu na Universidade Federal de Uberlândia em 2005. Nela:
- o maior macho media 15,85 centímetros do focinho à cloaca, e o menor, 9,99 centímetros;
- os machos adultos mediam, em média, 13,65 centímetros, e as fêmeas, 12,73 centímetros.
Machos e fêmeas têm tamanho parecido. Mas os machos têm os braços mais grossos e espinhos no polegar e no peito. Segundo a dissertação, eles usam os braços e os espinhos como armas nas brigas com outros machos, quando se agarram barriga com barriga.
O nome
Em português, a espécie é chamada de rã-pimenta. Em inglês, um dos nomes é pepper frog, “rã-pimenta”, segundo o catálogo Amphibian Species of the World. Nas fontes consultadas, até 2 de novembro de 2026, não encontramos a explicação da origem do nome.
Onde vive
Segundo o catálogo Amphibian Species of the World (consultado em 2 de novembro de 2026), a rã-pimenta vive:
- nos cerrados e nas caatingas do centro e do sudeste do Brasil;
- na Argentina, nas províncias de Misiones e Corrientes;
- no leste do Paraguai.
O mesmo catálogo registra populações introduzidas em Rondônia, no Amazonas e no Pará, ou seja, fora da área de onde a espécie é nativa. Ele também conta que os registros da Bolívia podem ser de outra espécie, parecida com a rã-pimenta.
A espécie vive em áreas abertas, segundo a dissertação de 2005.
O ninho de espuma
Em Uberlândia, a reprodução começou com as primeiras chuvas, em setembro (2001) ou agosto (2002), e as últimas desovas foram em meados de janeiro, segundo a dissertação. Os machos cantam e as fêmeas desovam em corpos d’água temporários e permanentes.
O ninho é feito assim, segundo o mesmo estudo:
- o macho escolhe o lugar, e a fêmea termina de cavar uma bacia na beira da água;
- as bacias são quase redondas, com cerca de 24 centímetros de diâmetro e 9 centímetros de fundura, e ficavam sempre a menos de 15 centímetros da água;
- os ovos ficam num ninho de espuma dentro da bacia. Em sete ninhos medidos, a média foi de 2.101 ovos por desova.
Num estudo seguinte, publicado em 2008 no Brazilian Journal of Biology, Silva e Ariovaldo Giaretta acharam também um ninho flutuando numa lagoa temporária, sem bacia. Eles contam ainda que os machos usam tocas debaixo da água, entre raízes, perto dos lugares onde cantam e desovam.
Os girinos
Os girinos da rã-pimenta comem ovos. Segundo a dissertação de 2005:
- quando chove forte, os girinos podem sair do ninho para a água;
- os que saem comem ovos de outras espécies de rãs. Num ninho novo, um girino de rã-pimenta comeu 28 ovos;
- ainda no ninho, os girinos chegaram a 3,4 centímetros de comprimento e a pesar 12 vezes o peso seco de um ovo.
A dissertação lembra que esse hábito de comer ovos e girinos de outras rãs já tinha sido descrito por Cardoso e Sazima em 1977. O artigo de 2008 diz que os girinos também comem animais mortos, mas não conseguiram comer girinos já crescidos de outras espécies nos testes feitos pelos autores.
Você sabia?
Os ninhos da rã-pimenta também têm inimigos. Em Uberlândia, larvas de uma mosca, a Beckeriella niger, infestavam os ninhos, segundo a dissertação de 2005.
Conservação no Brasil
A rã-pimenta não consta na lista nacional de espécies ameaçadas, atualizada pela Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026. Na avaliação do ICMBio de 2012, publicada no Livro Vermelho (2018), ela ficou como Menos Preocupante.
Fontes
- Silva, W. R. História natural da rã-pimenta sul-americana, Leptodactylus labyrinthicus (Spix, 1824) (Anura: Leptodactylidae). Dissertação (Mestrado em Ecologia e Conservação de Recursos Naturais), Universidade Federal de Uberlândia, 2005. DOI 10.14393/ufu.di.2005.19.
- Silva, W. R.; Giaretta, A. A. Further notes on the natural history of the South American pepper frog, Leptodactylus labyrinthicus (Spix, 1824) (Anura, Leptodactylidae). Brazilian Journal of Biology, 68(2), 2008.
- Frost, D. R. Amphibian Species of the World: Leptodactylus labyrinthicus. Consultado em 2 nov. 2026.
- ICMBio. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, volume I. Brasília, 2018. Lista das espécies avaliadas, nº 4140.
- Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026. Anexo I. Conferência feita pela 123 Ecos.
Impresso de https://123ecos.com.br/docs/ra-pimenta-como-e-onde-vive-e-como-faz-o-ninho-de-espuma/ · Atualizado em 02/11/2026 · 123 Ecos

