123 Ecos Redação
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Atualizado em: 02/11/2026
A anta (Tapirus terrestris), também chamada de anta brasileira, é um mamífero das matas da América do Sul, ligado à água. Segundo a avaliação do ICMBio publicada em 2012 na revista Biodiversidade Brasileira, é “o maior mamífero terrestre brasileiro”. Come folhas e frutos e espalha as sementes pela floresta. Na lista nacional de 2026, está Vulnerável à extinção.
| Ficha | Dados |
|---|---|
| Nome comum | Anta, anta brasileira |
| Nome científico | Tapirus terrestris (Linnaeus, 1758) |
| Família | Tapiridae; única espécie de anta na avaliação do ICMBio de 2018 |
| Filhote | Um por gestação, de 7 a 9 kg, com listras brancas (ICMBio, 2018) |
| Onde vive | América do Sul; no Brasil, Amazônia, Cerrado, Pantanal e parte da Mata Atlântica |
| Situação na IUCN | Vulnerável, na avaliação global citada pela ficha do ICMBio (2018) |
| Situação no Brasil | Vulnerável (Portaria MMA 1.704/2026) |
Onde vive
Segundo a ficha da espécie no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (ICMBio, 2018), a anta vive em muitos ambientes, das matas ao longo dos rios às florestas tropicais e às áreas que inundam na cheia. Em geral, é um animal de floresta ligado a fontes de água permanentes. As matas à beira dos rios e as florestas de palmeiras estão entre os ambientes mais importantes para ela.
A distribuição original cobria cerca de 13 milhões de km². Em 2005, a espécie já era considerada extinta em 14% dessa área; no Brasil, as maiores perdas foram no Nordeste e no Sul.
A ficha avaliou a situação da anta em cada bioma:
| Bioma | Situação em 2018 |
|---|---|
| Amazônia | Menos Preocupante |
| Pantanal | Quase Ameaçada |
| Cerrado | Em Perigo |
| Mata Atlântica | Em Perigo |
| Caatinga | Extinta na região |
Na Mata Atlântica, a ficha só conta registros recentes em oito estados, e a espécie está extinta na maior parte da Mata Atlântica do Nordeste. No Rio Grande do Sul, o único lugar com registros recentes é o Parque Estadual do Turvo.
Como vive
Segundo o ICMBio (2018):
- descansa de dia e sai à noite para comer;
- come sobretudo folhas e fibras, mas os frutos também são importantes: num estudo na Mata Atlântica semidecídua, as antas comeram frutos de 58 espécies de plantas;
- é uma importante dispersora de sementes nas florestas tropicais, principalmente de palmeiras;
- costuma defecar na água;
- em geral anda sozinha, ou em dois ou três animais, quase sempre parentes;
- seus principais predadores são a onça-pintada e a onça-parda.
Você sabia?
O filhote de anta nasce listrado. Segundo o ICMBio (2018), a gestação dura cerca de 13 a 14 meses e nasce um só filhote, de 7 a 9 kg, com listras brancas no corpo que somem uns seis meses depois. Ele fica com a mãe até cerca de um ano, e machos e fêmeas chegam à idade de reprodução aos três anos.
Quantos são
A ficha de 2018 dá estimativas por bioma, feitas com densidades medidas em estudos de campo:
- Mata Atlântica: 33 populações; 24 têm menos de 100 animais, e 17 têm menos de 20. Só três áreas mantêm populações viáveis, com mais de 200 animais, e 40% das antas do bioma estão na Serra do Mar, em São Paulo e no Paraná. No Parque Estadual Morro do Diabo (SP), um estudo estimou cerca de 130 antas.
- Cerrado: cerca de 130.000 antas, calculadas com a densidade medida no Cerrado do Pantanal, mas a ficha avisa que há muitas áreas de Cerrado sem antas. “No Cerrado, apenas 20% das populações de anta têm probabilidade de sobrevivência a longo prazo”, diz a ficha.
- Pantanal: cerca de 29.400 antas, das quais 14.700 adultas.
A ficha considera a população em declínio.
Ameaças
A ficha lista as ameaças em cada bioma. A caça, o desmatamento, a pecuária e o fogo aparecem nos quatro biomas avaliados (Amazônia, Mata Atlântica, Pantanal e Cerrado). Outras são a fragmentação das matas, as monoculturas, as doenças vindas de animais domésticos, os atropelamentos e, em biomas específicos, as hidrelétricas, a mineração e as mudanças do clima.
Para a Mata Atlântica, a justificativa da avaliação de 2018 diz que a redução da população pode atingir pelo menos 50% nas próximas três gerações, ou 33 anos. No corpo da ficha, a mesma projeção aparece como uma queda de “até 50%” caso não haja manejo das populações com menos de 200 animais. No Pantanal, a conversão do ambiente em pastagens leva a uma perda de 0,47% do ambiente por ano, e a ficha estima que 15,5% do bioma será perdido em 33 anos.
Conservação
A anta não constava da avaliação nacional anterior. Foi avaliada como Vulnerável na avaliação publicada em 2018 e continua Vulnerável na lista da Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026. Em 2018, estava nas listas estaduais de sete estados, como Criticamente em Perigo no Rio Grande do Sul.
Segundo a ficha, o Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) conduz desde 1996 a Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira, que começou no Pontal do Paranapanema (SP) e chegou ao Pantanal Sul em 2008. Entre as ações que a ficha considera necessárias estão novas unidades de conservação, o combate a incêndios, corredores entre as matas e formas de reduzir os atropelamentos nas rodovias.
Fontes
- ICMBio. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, volume II, Mamíferos. Brasília, 2018. Ficha de Tapirus terrestris, p. 58–65.
- Medici, E. P.; Flesher, K.; Beisiegel, B. M. e outros. Anta brasileira – Tapirus terrestris. Biodiversidade Brasileira, ano II, n. 3, p. 103–116, 2012.
- ICMBio. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, volume I. Brasília, 2018. Lista das espécies avaliadas, família Tapiridae.
- Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026. Anexo I, nº 601.
Impresso de https://123ecos.com.br/docs/anta-tapirus-terrestris-como-e-onde-vive-e-por-que-esta-ameacada/ · Atualizado em 02/11/2026 · 123 Ecos

