Mamíferos Terrestres

Cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus): como é, onde vive e por que está ameaçado

Nível de leitura: Ensino Médio

123 Ecos Redação

A equipe editorial da 123 Ecos produz os textos com apoio de inteligência artificial, seguindo rigorosamente regras editoriais definidas por pessoas e fontes oficiais citadas. Cada postagem passa por auditoria e checagem de fontes antes de ser publicada.

Atualizado em: 02/11/2026

0:00 4:08
Nesta página

O cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus) é um veado das várzeas, as planícies de inundação dos grandes rios. Já viveu em boa parte do Brasil, mas hoje está concentrado no Pantanal e em poucos outros rios. Na lista nacional de 2026, está Vulnerável à extinção.

FichaDados
Nome comumCervo-do-pantanal
Nome científicoBlastocerus dichotomus (Illiger, 1815)
FamíliaCervidae (veados)
Onde viveVárzeas; no Brasil, sobretudo no Pantanal, na Ilha do Bananal (rio Araguaia), no rio Guaporé e nas várzeas do rio Paraná
População no BrasilCerca de 25.000 adultos (ICMBio, 2018)
Situação na IUCNVulnerável, na avaliação global citada pela ficha do ICMBio (2018)
Situação no BrasilVulnerável (Portaria MMA 1.704/2026)

O cervo-do-pantanal é um dos veados que o site apresenta em Veados do Brasil.

Onde vive

Segundo a ficha da espécie no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (ICMBio, 2018), o cervo-do-pantanal ocorria originalmente nas cinco regiões do Brasil, do sul da Amazônia ao Rio Grande do Sul, e também no Peru, na Bolívia, no Paraguai, na Argentina e no Uruguai. Hoje a distribuição está “bastante reduzida e fragmentada”, com muitas populações pequenas.

As maiores concentrações estão:

  • no Pantanal, em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde vive uma população que representa 88% da população total da espécie, segundo a justificativa da avaliação;
  • na região da Ilha do Bananal, no rio Araguaia;
  • no rio Guaporé, em Rondônia;
  • nas várzeas que restam do rio Paraná, entre Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo.

A ficha registra a espécie em unidades de conservação como o Parque Nacional do Pantanal Matogrossense, o Parque Nacional de Ilha Grande e o Parque Estadual do Rio do Peixe.

Como vive

Segundo o ICMBio (2018):

  • vive sozinho ou em pequenos grupos de família, em geral uma fêmea com o filhote;
  • come sobretudo brotos de arbustos e plantas aquáticas de folha larga, e por isso é classificado como “pastador-podador”;
  • a maior parte dos estudos o descreve como mais ativo de dia, mas ele pode ficar noturno onde é caçado ou perseguido, como na planície do rio Paraná;
  • um estudo citado pela ficha registrou cervos atravessando o rio Paraná, nas duas direções.

Quantos são

A ficha de 2018 estima cerca de 25.000 adultos no Brasil. Algumas estimativas por região, citadas por ela:

  • 44.000 animais no Pantanal (estimativa de Mourão e colegas);
  • 1.078 cervos em 1.081 km² nas várzeas do rio Paraná, entre Paraná e Mato Grosso do Sul, incluindo a região do Parque Nacional de Ilha Grande;
  • 889 cervos em 4.000 km² no Parque Estadual das várzeas do Rio Ivinhema e no entorno (MS);
  • cerca de 3.000 na Reserva Biológica do Guaporé e no entorno (RO).

Segundo a ficha, as populações que desapareceram nos 18 anos anteriores à avaliação eram pelo menos 30% da população do país, mas menos de 50%.

Ameaças

O ICMBio (2018) liga a perda do cervo-do-pantanal a várias causas:

  • as usinas hidrelétricas, que a ficha aponta como a principal causa recente: os reservatórios cobrem as várzeas onde a espécie vive;
  • a drenagem das várzeas para a agropecuária, que troca a paisagem original por capim exótico;
  • as doenças passadas pelo gado, como a febre aftosa e a brucelose;
  • a caça, hoje sobretudo para levar a cabeça dos machos de chifres grandes como troféu;
  • atropelamentos, ataques de cães e a fuga para áreas habitadas durante incêndios e enchentes.

Você sabia?

Até 1967, o cervo-do-pantanal foi muito caçado pelo couro, usado em material de montaria e roupas de trabalho no campo, segundo o ICMBio (2018). Um estudo citado pela ficha registrou que 19% da população estudada na bacia do rio Paraná foi abatida ao longo de um único ano.

A ficha cita também um risco para o futuro: as orbiviroses, como a língua-azul, que podem matar até 90% dos cervídeos de cativeiro que têm contato com o vírus. Na época da avaliação, estudos sugeriam que o vírus ainda não estava no Pantanal, mas a ficha considera a chegada “inevitável”, com a movimentação de bois.

Conservação

O cervo-do-pantanal estava Vulnerável na lista nacional do Ministério do Meio Ambiente de 2003, continuou Vulnerável na avaliação publicada em 2018 e está Vulnerável na lista da Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026.

A espécie está no Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Cervídeos Brasileiros. Segundo a ficha, havia cerca de 100 cervos em cativeiro no Brasil, em 18 instituições, num programa de conservação da Unesp de Jaboticabal (NUPECCE).

Fontes

Impresso de https://123ecos.com.br/docs/cervo-do-pantanal-blastocerus-dichotomus-como-e-onde-vive-e-por-que-esta-ameacado/ · Atualizado em 02/11/2026 · 123 Ecos

Quais são seus sentimentos

Contribua com esta página

Ficou alguma dúvida ou viu algo a corrigir? Conte para nós. Lemos tudo e respondemos quando conseguimos; nem toda dúvida vira resposta publicada.

Escrever uma contribuição
O que você quer nos contar?

Tudo passa pela equipe antes de aparecer. Este espaço é para adultos: mensagens que pareçam de crianças são recusadas e apagadas. Não guardamos seu endereço de internet nem seu navegador. O e-mail é apagado quando a contribuição é avaliada, no máximo em 90 dias. Para retirar seu nome depois, escreva para contato@123ecos.com.br. Veja a Política de Privacidade.