123 Ecos Redação
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Atualizado em: 02/11/2026
O queixada (Tayassu pecari) é um porco-do-mato que vive em bandos grandes, de dezenas a centenas de animais. Come sobretudo frutos e espalha as sementes pela floresta. Já viveu em boa parte do Brasil, mas sumiu de muitas áreas, sobretudo pela caça. Na lista nacional de 2026, está Vulnerável à extinção.
| Ficha | Dados |
|---|---|
| Nome comum | Queixada; porcão (Amazônia); porco-do-mato (São Paulo) (ICMBio, 2018) |
| Nome científico | Tayassu pecari (Link, 1795) |
| Família | Tayassuidae (porcos-do-mato) |
| Peso dos adultos | De 25 a 40 kg (Csomos, ADW, 2001) |
| Onde vive | Do sul do México ao norte da Argentina (Csomos, ADW, 2001); no Brasil, nos cinco biomas avaliados em 2018 |
| Situação na IUCN | Vulnerável, na avaliação global citada pela ficha do ICMBio (2018) |
| Situação no Brasil | Vulnerável (Portaria MMA 1.704/2026) |
O queixada é um dos dois porcos-do-mato do Brasil. O outro é o caititu, ou cateto. As diferenças entre os dois estão em Porcos-do-mato: queixada e caititu.
Onde vive
Segundo a ficha da espécie no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (ICMBio, 2018), o queixada era amplamente distribuído pelo Brasil. Prefere florestas tropicais úmidas e densas, mas também vive em regiões secas, como as savanas, sempre perto de uma fonte de água. Por usar áreas grandes e sumir depressa quando é caçado, é muito sensível à destruição do ambiente.
A ficha avaliou a situação do queixada em cada bioma:
| bioma | Situação em 2018 |
|---|---|
| Amazônia | Menos Preocupante |
| Pantanal | Quase Ameaçado |
| Caatinga | Vulnerável |
| Cerrado | Em Perigo |
| Mata Atlântica | Criticamente em Perigo |
Como vive
Segundo o ICMBio (2018):
- é ativo de dia, sobretudo no começo da manhã e no fim da tarde, mas pode comer à noite em períodos de lua cheia;
- mais da metade da dieta é de frutos; come também sementes, raízes, larvas de insetos e minhocas;
- as palmeiras são um alimento importante, muitas vezes essencial: na Mata Atlântica, o jerivá e o palmito-juçara; na Amazônia, o buriti, que pode sustentar populações inteiras na seca;
- é importante para as florestas como dispersor de sementes;
- um bando pode andar 10 km num dia, e a área de uso de um bando vai de 19 a 200 km², conforme o bioma;
- seus principais predadores, nas áreas sem impacto humano, são a onça-pintada e a onça-parda.
Você sabia?
O queixada é conhecido pelos bandos. Segundo a ficha do ICMBio (2018), ele se distingue dos outros ungulados das Américas, os mamíferos de casco, por formar grupos que podem chegar a centenas de animais. No Parque Nacional das Emas, em Goiás, um estudo com 19 bandos achou grupos de 15 a 150 animais, com média de 83. Pesquisadores citados pela ficha sugerem que viver em grupo grande ajuda a vigiar os predadores.
Quantos são
A ficha de 2018 traz estimativas para a Mata Atlântica, o bioma onde a espécie está mais ameaçada:
- em 2018, havia queixadas em apenas 31,37% das áreas de mata que restam no bioma;
- nessas áreas, a estimativa era de cerca de 23.600 animais, dos quais 14.160 adultos;
- na Estação Ecológica de Caetetus (SP), um estudo estimou cerca de 150 queixadas.
Para o conjunto dos biomas, a ficha suspeita que as populações caíram pelo menos 30% nos 18 anos anteriores à avaliação e podem cair o mesmo nos 18 anos seguintes. A ficha considera a população em declínio.
Ameaças
Segundo a ficha de 2018, o queixada é “extremamente suscetível à sobrecaça”. A caça é apontada como a principal ameaça na Amazônia e como o que leva à raridade ou à extinção local da espécie nas grandes áreas protegidas da Mata Atlântica. O jeito de viver em bando pesa contra ele: diante de caçadores e cães, os animais se juntam, e várias dezenas podem ser mortos de uma vez, ou até o bando inteiro.
A ficha de 2018 informa que o queixada está extinto em grandes áreas de Mata Atlântica, todas sob forte pressão de caça:
- no Parque Estadual do Turvo (RS), onde os últimos relatos são do fim dos anos 1990, quando um bando de 10 a 18 animais foi eliminado na borda do parque;
- no Parque Nacional do Iguaçu (PR), onde foi visto pela última vez em 1997;
- no Parque Nacional da Serra dos Órgãos (RJ);
- no Parque Estadual do Morro do Diabo (SP), segundo uma comunicação pessoal de 2012 citada pela ficha;
- no Centro de Endemismo Pernambuco (Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte), onde não há registros por pesquisadores desde 1990.
Outras ameaças apontadas pelo ICMBio (2018) são:
- o desmatamento e a fragmentação das matas, pela agropecuária e pela exploração das florestas;
- no Pantanal, a troca das florestas e dos pastos nativos por capim exótico;
- as doenças: num estudo na Fazenda Rio Negro, no Pantanal, 70% dos queixadas testados tinham sinais de contato com a leptospirose;
- as espécies invasoras, em particular o javali e o cruzamento dele com o porco-monteiro, o “java-porco”, tratados como “uma potencial ameaça”.
Sobre o porco-monteiro, o porco doméstico que voltou a viver solto no Pantanal, a ficha diz que hoje ele “não representa uma ameaça muito importante” para o queixada naquele bioma, porque os dois comem coisas diferentes e usam ambientes diferentes. O desmatamento, porém, pode mudar esse equilíbrio a favor da espécie exótica.
Conservação
O queixada não constava da avaliação nacional anterior. Foi avaliado como Vulnerável na avaliação publicada em 2018 e continua Vulnerável na lista da Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026. Em 2018, estava nas listas estaduais de sete estados, como Criticamente em Perigo em Minas Gerais, no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.
Para a Mata Atlântica, a ficha considera que coibir a caça nas unidades de conservação e no entorno seria a principal ação para conservar o queixada. Como a espécie anda muito, as populações que restam poderiam voltar a ocupar as áreas de onde sumiu, uma vez cessada a caça. Entre as outras ações que a ficha considera necessárias estão novas unidades de conservação, corredores ecológicos entre as matas e o combate a incêndios.
Fontes
- ICMBio. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, volume II, Mamíferos. Brasília, 2018. Ficha de Tayassu pecari, p. 88–98.
- Csomos, R. Tayassu pecari. Animal Diversity Web, Universidade de Michigan, 2001.
- Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026. Anexo I, nº 580.
Impresso de https://123ecos.com.br/docs/queixada-tayassu-pecari-como-e-onde-vive-e-por-que-esta-ameacado/ · Atualizado em 02/11/2026 · 123 Ecos

