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Sapos-pulga e sapinhos-pingo-de-ouro (Brachycephalus): o que são, onde vivem e os ameaçados

Nível de leitura: Ensino Médio

123 Ecos Redação

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Atualizado em: 02/11/2026

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Em poucas palavras

Os *Brachycephalus* são sapinhos muito pequenos que só vivem na Mata Atlântica do Brasil, muitos deles no alto de uma única serra. Saem do ovo já como sapinhos, sem passar pela fase de girino. Alguns são chamados de sapos-pulga; outros, coloridos e venenosos, de sapinhos-pingo-de-ouro. O gênero tinha 42 espécies em 2025, e três estão na lista nacional de espécies ameaçadas de 2026.

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Os Brachycephalus são um gênero de sapinhos muito pequenos que só existem na Mata Atlântica do Brasil. Eles vivem no chão da floresta, no meio das folhas caídas. Muitas espécies só são conhecidas do alto de uma serra ou de poucos morros vizinhos, e três delas estão na lista nacional de espécies ameaçadas de 2026.

O que são

Os Brachycephalus são anfíbios anuros, o grupo dos sapos, rãs e pererecas que o site apresenta em Anfíbios. Na lista do ICMBio de 2018, eles aparecem na família Brachycephalidae.

Os nomes populares variam. Segundo a Agência FAPESP (2024), as espécies miniaturizadas são chamadas de “sapos-pulga ou rãs-pulga”, e as espécies coloridas, como B. ephippium e B. rotenbergae, de “sapinhos-pingo-de-ouro”. Na lista de espécies avaliadas pelo ICMBio em 2018, só algumas têm nome popular: o B. ephippium aparece como sapinho-pingo-de-ouro e o B. pulex, como sapo-pulga. A maioria aparece como “desconhecido”.

Quantas espécies existem

O número cresce rápido, porque a ciência ainda está descobrindo espécies novas:

  • em 2018, um artigo na revista PeerJ falava em 35 espécies reconhecidas, metade delas descrita desde 2011 (Pie e colegas, 2018);
  • em dezembro de 2025, um artigo na revista PLOS ONE falava em 42 espécies, 35 delas descritas desde 2000 (Bornschein e colegas, 2025).

Segundo os autores de 2018, o gênero vive nas regiões altas da Mata Atlântica, e muitas espécies são microendêmicas: só existem num topo de montanha ou em poucos topos vizinhos. As três espécies ameaçadas, mais abaixo, são de serras do Paraná e de Santa Catarina. O gênero também ocorre em outros estados: no Espírito Santo, o Parque Estadual do Forno Grande protege o B. alipioi.

Tamanho

Os adultos das duas espécies ameaçadas de Santa Catarina medem de 9,9 a 13,1 milímetros, segundo as descrições originais. Em outubro de 2024, a Agência FAPESP noticiou a descrição do B. dacnis, de Ubatuba (SP): um adulto usado no estudo tinha 6,95 milímetros, e o grupo de pesquisa o apresentou como “o segundo menor vertebrado do mundo”. A mesma notícia cita um indivíduo de 6,45 milímetros de outra espécie do gênero, descrita no sul da Bahia.

Como vivem

  • Sem girinos. Segundo a Agência FAPESP, espécies como o B. dacnis e o B. hermogenesi “não possuem girinos”: saem dos ovos já andando. O ICMBio (2018) descreve o mesmo desenvolvimento direto para o B. pernix, que põe os ovos no folhiço.
  • De dia. Segundo Goutte e colegas (2019), os sapinhos-pingo-de-ouro são ativos de dia.
  • Cores e veneno. O mesmo estudo diz que muitas espécies são tóxicas e de cores fortes, amarelas, laranja ou vermelhas, como o B. ephippium e o B. pitanga. Os autores chamam essas cores de coloração de aviso (aposemática).

Você sabia?

Dois sapinhos-pingo-de-ouro têm ossos que brilham sob luz ultravioleta. Goutte e colegas (Scientific Reports, 2019) estudaram o B. ephippium e o B. pitanga: as placas de osso da cabeça e das costas ficam logo abaixo de uma pele muito fina e, sob luz UV, aparecem como manchas claras sobre o laranja. Os autores dizem que a função dessas manchas “continua especulativa” (tradução nossa): elas poderiam servir de sinal entre os sapinhos ou reforçar o aviso de que são venenosos. Na luz natural, a fluorescência foi só 2,32% da luz que sai do corpo do sapinho.

As mesmas duas espécies, segundo o artigo de 2019, foram mostradas pouco antes “surdas ao próprio canto” (tradução nossa), num estudo anterior dos mesmos pesquisadores (Goutte e colegas, 2017). Isso vale para as duas espécies estudadas, não para o gênero todo.

Os ameaçados

Na avaliação do ICMBio publicada em 2018, 15 espécies do gênero foram avaliadas: 11 ficaram como Menos Preocupante, uma como Quase Ameaçada (B. alipioi), duas com Dados Insuficientes e uma como Criticamente em Perigo, o B. pernix.

Na lista nacional atualizada pela Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026, três espécies estão ameaçadas:

EspécieOnde viveSituação em 2026
Brachycephalus pernixMorro do Anhangava, Quatro Barras (PR)Criticamente em Perigo
Brachycephalus quiririensisSerra do Quiriri, Campo Alegre e Garuva (SC)Em Perigo
Brachycephalus mirissimusMorro Santo Anjo, Massaranduba (SC)Vulnerável

As três são conhecidas de um ou de poucos lugares da Mata Atlântica, no Paraná e em Santa Catarina.

Resumo: principais perguntas e respostas

O que é o sapo-pulga?

É o nome popular de sapinhos miniaturizados do gênero Brachycephalus, da Mata Atlântica. Na lista do ICMBio de 2018, o nome aparece para o Brachycephalus pulex. As espécies coloridas do mesmo gênero são chamadas de sapinhos-pingo-de-ouro.

Qual é o tamanho de um Brachycephalus?

Os adultos das duas espécies ameaçadas de Santa Catarina medem de 9,9 a 13,1 milímetros, segundo as descrições originais. Um adulto do B. dacnis, descrito em 2024 em Ubatuba (SP), tinha 6,95 milímetros, segundo a Agência FAPESP.

Algum Brachycephalus está ameaçado de extinção?

Sim. Na lista nacional de 2026 (Portaria MMA 1.704), o B. pernix está criticamente em perigo, o B. quiririensis está Em Perigo e o B. mirissimus está Vulnerável.

Fontes

Impresso de https://123ecos.com.br/docs/sapos-pulga-e-sapinhos-pingo-de-ouro-brachycephalus-o-que-sao-onde-vivem-e-os-ameacados/ · Atualizado em 02/11/2026 · 123 Ecos

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