123 Ecos Redação
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Atualizado em: 02/11/2026
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As briófitas são plantas pequenas que não têm vasos para levar água e seiva pelo corpo. O grupo reúne três tipos: os musgos, as hepáticas e os antóceros. Segundo o livro aberto Biology 2e, da OpenStax, elas são “the closest extant relatives of early terrestrial plants” (os parentes vivos mais próximos das primeiras plantas terrestres), e há mais de 25 mil espécies no mundo (OpenStax, Biology 2e, seção 25.3, tradução nossa).
No Brasil, o levantamento do Brazil Flora Group (BFG), feito com dados de 1º de janeiro de 2021, contou 1.584 espécies nativas de briófitas, em 111 famílias e 404 gêneros; 356 só existem no país (BFG, Taxon, 2022, p. 184).
Por que são pequenas
As briófitas costumam ser chamadas de “plantas avasculares”, ou sem vasos. A OpenStax observa que o nome mais exato seria “não traqueófitas”: elas não têm os traqueídeos, as células que formam os vasos de água das outras plantas, e em geral não têm lignina, a substância que deixa o caule duro (OpenStax, seção 25.3). Os tecidos das plantas com vasos estão em anatomia vegetal.
Sem vasos e sem raízes verdadeiras, a água passa de célula em célula, devagar. Os musgos ficam presos ao chão, às pedras ou aos troncos por rizoides, filamentos que a OpenStax descreve como precursores das raízes. É por isso que um tapete de musgo sai inteiro quando é puxado de uma árvore.
Os três grupos
| Grupo | Nome científico do grupo | Como é | Espécies no mundo (OpenStax) |
|---|---|---|---|
| Hepáticas | Marchantiophyta | algumas são lâminas achatadas presas ao chão; outras têm “folhinhas” num eixo | mais de 7 mil |
| Antóceros | Anthocerotophyta | a parte que solta os esporos tem forma de chifre fino | não informado |
| Musgos | Bryophyta | pequenos eixos com “folhinhas” em volta, formando tapetes | mais de 10 mil |
Fonte da tabela: OpenStax, Biology 2e, seção 25.3. Pela OpenStax, os musgos são o grupo mais numeroso de plantas sem vasos.
Como se reproduzem
A vida das plantas alterna duas fases. Uma é o gametófito, que produz as células reprodutivas (gametas). A outra é o esporófito, que produz esporos, células que se espalham e dão origem a uma planta nova. Nas briófitas, o que se vê no chão, o tapete verde, é o gametófito; o esporófito é uma haste fina com uma cápsula na ponta, que nasce sobre o gametófito e depende dele.
O gameta masculino das briófitas nada com a ajuda de flagelos até o gameta feminino. Por isso, segundo a OpenStax, a fecundação “is dependent on the presence of water” (depende da presença de água) (seção 25.3, tradução nossa). É uma das razões de as briófitas viverem em lugares úmidos, embora muitas aguentem secar e voltem a crescer com a chuva.
O que fazem na natureza
A OpenStax lista alguns papéis das briófitas (seções 25.3 e 25.4):
- Chegam primeiro: musgos e hepáticas costumam ser os primeiros a ocupar terreno nu, como rocha exposta. Esse processo de ocupação ao longo do tempo é a sucessão ecológica, explicada em sinecologia.
- Seguram o solo e a água: os musgos diminuem a erosão, guardam umidade e nutrientes do solo e servem de abrigo para pequenos animais.
- Ajudam com o nitrogênio: alguns musgos vivem junto com cianobactérias, que tiram nitrogênio do ar e o deixam no solo.
- Avisam sobre a poluição: como absorvem água e o que vem nela pela superfície do corpo, os musgos são muito sensíveis à poluição do ar e são usados para monitorar a qualidade do ar.
- Dominam lugares frios: são a principal vegetação de ambientes duros, como a tundra.
A OpenStax cita ainda a turfa de musgos do gênero Sphagnum, que, seca, é usada como combustível e para melhorar o solo. As turfeiras, áreas alagadas onde a turfa se acumula, cobrem cerca de 3% a 4% da superfície das terras do planeta e guardam o dobro do carbono de toda a biomassa das florestas da Terra, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA, Global Peatlands Assessment, 2022, p. 2).
Onde estão no Brasil
O levantamento do BFG mostra quantas espécies de briófitas aparecem em cada domínio, que é a forma como a Flora do Brasil chama os grandes conjuntos de vegetação, próximos dos biomas:
| Domínio | Espécies de briófitas |
|---|---|
| Mata Atlântica | 1.316 |
| Amazônia | 568 |
| Cerrado | 483 |
| Pantanal | 149 |
| Caatinga | 125 |
| Pampa | 120 |
Fonte da tabela: BFG, Taxon, 2022, tabela 2, dados de 2020. A mesma espécie pode ocorrer em mais de um domínio, por isso os números não somam o total do país.
A Mata Atlântica, com encostas úmidas e neblina, concentra a maior parte das espécies. A lista oficial, a flora e Funga do Brasil, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, é atualizada sem parar, e os números mudam conforme novas espécies são descritas.
Dois enganos comuns
“Os musgos são os ancestrais das plantas.” Não. As briófitas que vivem hoje são parentes das primeiras plantas da terra firme, não as próprias ancestrais. A OpenStax as chama de “closest extant relatives”, os parentes vivos mais próximos. Elas também evoluíram ao longo de centenas de milhões de anos. Os fósseis de plantas estão em paleobotânica.
“Barba-de-velho é um musgo.” Não. A barba-de-velho, aquela cortina cinza pendurada nos galhos, é a Tillandsia usneoides, uma planta com flor da família das bromélias (Bromeliaceae), que vive sobre outras plantas, segundo a lista oficial da flora e Funga do Brasil (ficha no GBIF).
Resumo: principais perguntas e respostas
São plantas pequenas, sem vasos condutores de água e seiva: os musgos, as hepáticas e os antóceros.
Porque o gameta masculino nada até o gameta feminino com a ajuda de flagelos, e para isso precisa de uma película de água.
Não tem raiz verdadeira. Fica preso por rizoides, filamentos que seguram a planta mas não levam água como uma raiz.
1.584 espécies nativas, 356 delas só do Brasil, pelo levantamento do Brazil flora Group com dados de 2021.
Seguram o solo, guardam umidade, abrigam pequenos animais, ocupam primeiro a rocha nua e servem para monitorar a poluição do ar.
Fontes
- OpenStax. Biology 2e, seção 25.3: Bryophytes. Rice University. Consulta em 2/11/2026.
- OpenStax. Biology 2e, seção 25.4: Seedless Vascular Plants. Rice University. Consulta em 2/11/2026.
- The Brazil flora Group (BFG). Brazilian Flora 2020: Leveraging the power of a collaborative scientific network. Taxon, v. 71, n. 1, p. 178-198, 2022. Tabelas 1 e 2.
- Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Global Peatlands Assessment: The State of the World’s Peatlands. Summary for Policy Makers. Nairóbi, 2022.
- flora e Funga do Brasil, Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Tillandsia usneoides, ficha da lista oficial no GBIF. Versão 393.433, de 1º/11/2026. Consulta em 2/11/2026.
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