123 Ecos Redação
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Atualizado em: 02/11/2026
O cachorro-do-mato (Cerdocyon thous) é um canídeo silvestre de porte pequeno que vive em quase todo o Brasil. Come de tudo, de frutos a pequenos animais, e anda em casal ou em família. Não está ameaçado de extinção, mas sofre com os atropelamentos e com os conflitos com as pessoas.
| Ficha | Dados |
|---|---|
| Nome comum | Cachorro-do-mato; também raposa, lobinho, graxaim, graxaim-do-mato, lobete e rabo-fofo, conforme a região |
| Nome científico | Cerdocyon thous (Linnaeus, 1766) |
| Família | Canidae (cães, lobos e raposas) |
| Onde vive | Do norte da Colômbia e da Venezuela ao norte da Argentina e ao Uruguai; no Brasil, em todos os biomas |
| Situação na IUCN | Menos Preocupante, na avaliação global de 2008 citada pelo ICMBio (2013) |
| Situação no Brasil | Menos Preocupante na avaliação publicada em 2013; não está na lista da Portaria MMA 1.704/2026 |
O cachorro-do-mato é um dos seis canídeos selvagens que o site apresenta em Canídeos do Brasil.
Não confundir
Os nomes populares dos canídeos se repetem. “Graxaim” e “raposa” são nomes regionais do cachorro-do-mato, mas também de outras espécies:
- o cachorro-do-mato-de-orelhas-curtas (Atelocynus microtis), da Amazônia, é outra espécie, e Vulnerável;
- a raposa-do-campo (Lycalopex vetulus), do Cerrado, é menor e tem uma mancha negra na base da cauda, segundo o Livro Vermelho do ICMBio (2018);
- o graxaim-do-campo (Lycalopex gymnocercus) é o canídeo dos campos do Sul.
Onde vive
Segundo a avaliação do ICMBio publicada em 2013 na revista Biodiversidade Brasileira, o cachorro-do-mato vive na maior parte do Brasil, menos em parte da Amazônia, e chega a 2.000 metros de altitude nas encostas dos Andes. Na Amazônia, a área dele “pode estar em ampliação devido à conversão da floresta em pastagens em larga escala”.
É uma espécie generalista: prefere bordas de mata e ambientes abertos, mas usa as matas onde vive junto com o graxaim-do-campo, que fica com os campos. Aparece em florestas, matas ao longo dos rios, restingas e mangues, e também em canaviais, plantações de eucalipto, pastagens e áreas nos arredores das cidades.
Como vive
Segundo a avaliação de 2013:
- é onívoro e oportunista: come frutos, insetos, crustáceos, pequenos mamíferos, aves, répteis, sapos, ovos e até carcaças de animais mortos;
- pode espalhar sementes de frutas nativas e cultivadas;
- é monogâmico, e vive “em casais ou grupos familiares estendidos”;
- a área de uso varia conforme a região: de 100 a 730 hectares no Pantanal e cerca de 1.280 hectares numa área de Cerrado na Bahia.
Você sabia?
O cachorro-do-mato já foi confundido com a raposa-do-campo em estudos de saúde. Segundo a ficha da raposa-do-campo no Livro Vermelho do ICMBio (2018), a maior parte dos canídeos com leishmaniose e raiva no Nordeste, identificados como raposas-do-campo, era na verdade cachorro-do-mato.
Quantos são
A avaliação de 2013 considera o cachorro-do-mato relativamente abundante na maior parte da área dele e cita algumas densidades medidas no Brasil:
- 0,55 animal por km² na Ilha do Marajó (PA);
- de 0,24 a 0,55 animal por km² no Pantanal da Nhecolândia (MS), conforme o ambiente;
- 0,35 animal por km² na Mata Atlântica do sudoeste de São Paulo.
Ameaças
Mesmo sem estar ameaçado, o cachorro-do-mato sofre com várias pressões, segundo a avaliação de 2013:
- os atropelamentos: “É uma das espécies de mamíferos mais atropeladas em todo o Brasil”, inclusive em ferrovias;
- o veneno e os tiros, por vingança quando ele ataca criações;
- os ataques de cães domésticos e as doenças passadas por eles, como a sarna e a cinomose;
- a morte de animais para tirar a gordura, usada pelo conhecimento tradicional como remédio na Caatinga.
Conservação
A avaliação do ICMBio publicada em 2013 classificou o cachorro-do-mato como menos preocupante, por ter distribuição ampla, viver em todos os biomas brasileiros e ser “aparentemente tolerante a perturbações antrópicas, porém não à urbanização”. Ele não constava da lista nacional anterior, de 2003, e não está na lista da Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026.
A avaliação diz que não há ações de conservação específicas para a espécie e recomenda medidas para prevenir os atropelamentos, ações de fiscalização, prevenção e educação, campanhas preventivas contra as doenças passadas por animais domésticos e programas para evitar os conflitos com as criações.
Fontes
- Beisiegel, B. M.; Lemos, F. G.; Azevedo, F. C.; Queirolo, D.; Jorge, R. S. P. Avaliação do risco de extinção do cachorro-do-mato Cerdocyon thous (Linnaeus, 1766) no Brasil. Biodiversidade Brasileira, 3(1): 138–145, 2013.
- ICMBio. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, volume II, Mamíferos. Brasília, 2018. Ficha de Lycalopex vetulus, p. 320–326.
- Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026. Anexo I.
O tema completo, reunido na vitrine Enciclopédia da Fauna Brasileira →
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