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Mutum-de-alagoas (Pauxi mitu): a ave extinta na natureza que vive em cativeiro

Nível de leitura: Ensino Médio

123 Ecos Redação

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Atualizado em: 04/11/2026

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O mutum-de-alagoas (Pauxi mitu), também chamado de mutum-do-nordeste, é uma ave das matas do Nordeste que não existe mais na natureza. Segundo o Livro Vermelho do ICMBio (2018), hoje só são conhecidas aves em cativeiro. Na lista nacional de 2026, ele está como Extinto na Natureza.

FichaDados
Nome comumMutum-de-alagoas; mutum-do-nordeste
Nome científicoPauxi mitu (Linnaeus, 1766)
Ordem e famíliaGalliformes; Cracidae
Onde viviaSó no Brasil, nas matas de baixada entre o Rio Grande do Norte e Alagoas, com registros confiáveis só em Alagoas
PopulaçãoSó em cativeiro: pouco mais de 90 aves, segundo o ICMBio (2018)
Situação na IUCNExtinto na Natureza, na avaliação global citada pela ficha do ICMBio (2018)
Situação no BrasilExtinto na Natureza (Portaria MMA 1.704/2026)

O mutum-de-alagoas é uma das aves que o site apresenta em Aves do Brasil.

Onde vivia

Segundo a ficha da espécie no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (ICMBio, 2018), o mutum-de-alagoas vivia nas matas primárias de baixada, de pouca altitude, entre o Rio Grande do Norte e Alagoas. Só em Alagoas há registros confiáveis, com exemplares ou observações. A ficha cita registros duvidosos na Bahia, mas considera provável que sejam confusão com outra espécie de mutum, já que o mutum-de-alagoas só vive no Centro de Endemismo Pernambuco.

Como vivia

Sabe-se pouco sobre a vida do mutum-de-alagoas na natureza. Segundo a ficha de 2018, é provável que, como os outros mutuns do mesmo gênero, fosse uma ave de floresta, que podia usar também matas secundárias bem recuperadas. Provavelmente ocupava grandes territórios de floresta virgem e vivia em baixa densidade.

Os últimos registros

A ficha de 2018 reúne os últimos registros na natureza, todos em Alagoas:

  • em 1976, uma fêmea foi encontrada em cativeiro em São Miguel dos Campos;
  • em 1978, foram registrados três indivíduos e um ninho em Lagoa Doce, no município de Roteiro, e um grupo de seis na Mata de Othon, na Barra de São Miguel;
  • no mesmo ano, criadores cederam cinco exemplares, e em 1979 um exemplar cativo foi doado para pesquisa.

Desde então, vários pesquisadores procuraram a espécie por décadas. Segundo a ficha, como as matas que restam são pequenas e o esforço de busca foi grande, “pode-se afirmar que não há mais exemplares vivos de P. mitu na natureza”.

Quantos são

Segundo o ICMBio (2018), existem pouco mais de 90 aves, todas em cativeiro, divididas entre três criadouros e um zoológico brasileiros. Toda essa população descende de duas fêmeas e um macho capturados na natureza nos anos 1970. Como houve possíveis cruzamentos com outra espécie, Pauxi tomentosa, a ficha estima que cerca de 60 delas sejam geneticamente puras.

Você sabia?

Todos os mutuns-de-alagoas que existem hoje vêm de só três aves. Segundo a ficha do ICMBio (2018), a população em cativeiro descende de duas fêmeas e um macho capturados na natureza nos anos 1970.

O que levou ao fim na natureza

Segundo a ficha de 2018, a destruição da mata e a caça levaram a espécie ao declínio. A caça, feita por mateiros e por caçadores profissionais e amadores, junto com a grande perda das florestas, é considerada a principal causa da extinção do mutum na natureza. A ficha diz ainda que é possível que agrotóxicos usados nos canaviais vizinhos às matas também tenham prejudicado a ave.

Conservação

Na avaliação nacional anterior, a espécie já estava Extinta na Natureza, avaliada com o nome Mitu mitu. Continuou Extinta na Natureza na avaliação publicada em 2018 e continua assim na lista da Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026.

Segundo a ficha, a população em cativeiro é a única chance de sobrevivência da espécie. A volta à natureza é difícil, porque há poucas matas adequadas e porque a caça continua na região onde o mutum vivia. As ações de conservação foram reunidas no Plano de Ação Nacional para a Conservação do Mutum-de-alagoas, que busca manter as populações em cativeiro, aumentar o número de aves e levar a espécie de volta às matas da sua área original. Esse plano foi depois incorporado ao Plano de Ação Nacional para a Conservação das Aves Ameaçadas da Mata Atlântica.

Fontes

O tema completo, reunido na vitrine Enciclopédia da Fauna Brasileira →

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