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Atualizado em: 04/11/2026
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As aves do Brasil somam quase 2 mil espécies. Segundo a lista do Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos (CBRO), de 2021, são 1.971 espécies, e 293 só existem no Brasil. Na lista nacional de espécies ameaçadas de 2026, estão 242 aves.
Quantas aves há no Brasil
Fontes diferentes dão números um pouco diferentes, porque contam de formas diferentes e em anos diferentes:
| Número | Quem contou | O que foi contado |
|---|---|---|
| 1.971 espécies | CBRO, lista de 2021 (Pacheco e outros) | espécies que ocorrem no Brasil com registro documentado |
| 1.979 táxons | ICMBio, Livro Vermelho (2018) | todas as espécies descritas até meados de 2014 e algumas subespécies, que foram avaliadas quanto ao risco de extinção |
| 1.919 espécies | compilação citada pelo Livro Vermelho (2018) | número de uma compilação anterior, citado pelo livro ao apresentar a diversidade da fauna brasileira |
Segundo o Livro Vermelho do ICMBio (2018), o Brasil é “o 3º em aves” entre os países do mundo em número de espécies.
As aves que só existem no Brasil
Segundo o resumo da lista do CBRO de 2021, 293 espécies são endêmicas do Brasil, ou seja, só vivem aqui. Com isso, o Brasil é o terceiro país do mundo em taxa de endemismo de aves.
Das três primeiras fichas de aves do site, duas são de aves endêmicas: o mutum-de-alagoas, que vivia nas matas do Nordeste, e a arara-azul-de-lear, da Caatinga da Bahia, só existem no Brasil; a harpia vai do México à Argentina, mas mais da metade da área onde vive fica nas florestas brasileiras, segundo o ICMBio (2018).
As aves ameaçadas de extinção
A lista nacional oficial reúne as espécies que o governo reconhece como ameaçadas. A tabela mostra as aves na lista de 2014, que o Livro Vermelho (2018) analisa, e na lista atualizada pela Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026. As duas listas vêm de avaliações diferentes, feitas em épocas diferentes.
| Categoria | Lista de 2014 (Livro Vermelho, 2018) | Lista de 2026 (Portaria MMA 1.704) |
|---|---|---|
| Extinta na Natureza | 1 | 1 |
| Criticamente em Perigo | 42 | 32 |
| Em Perigo | 71 | 77 |
| Vulnerável | 120 | 132 |
| Total de ameaçadas | 234 | 242 |
Na lista de 2026, 5 das 32 aves Criticamente em Perigo vêm marcadas como “CR (PE)”, que a Portaria explica como “criticamente em perigo (Possivelmente Extinta)”. Oito aves da lista de 2026 têm asterisco. A Portaria marca com asterisco as “espécies que não constavam na Lista anterior”, de 2022. Uma delas é a arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus), Vulnerável em 2026, a espécie do Projeto Arara Azul.
A única ave Extinta na Natureza nas duas listas é o mutum-de-alagoas, que hoje só sobrevive em cativeiro.
Quais grupos de aves têm mais ameaçadas
Pela nossa contagem no Anexo I da Portaria de 2026, as 242 aves ameaçadas se dividem assim entre as ordens com mais espécies na lista:
| Ordem | Aves ameaçadas em 2026 |
|---|---|
| Passeriformes | 133 |
| Psittaciformes | 22 |
| Procellariiformes | 11 |
| Galliformes | 11 |
| Charadriiformes | 11 |
As outras 54 aves ameaçadas se dividem entre 17 ordens.
As aves extintas
A Portaria de 2026 tem também um anexo com as espécies da fauna consideradas extintas. Nele estão seis aves. Os nomes populares são os da tabela de espécies extintas do Livro Vermelho (2018):
| Ave | Nome científico | Categoria em 2026 |
|---|---|---|
| Gritador-do-nordeste | Cichlocolaptes mazarbarnetti | Extinta |
| Limpa-folha-do-nordeste | Philydor novaesi | Extinta |
| Caburé-de-pernambuco | Glaucidium mooreorum | Extinta |
| Maçarico-esquimó | Numenius borealis | Regionalmente Extinta |
| Peito-vermelho-grande | Leistes defilippii (no Livro Vermelho, Sturnella defilippii) | Regionalmente Extinta |
| Arara-azul-pequena | Anodorhynchus glaucus | Regionalmente Extinta |
Segundo o Livro Vermelho (2018), as “Extintas” são consideradas extintas no mundo todo, e as “Regionalmente Extintas”, extintas no Brasil.
Você sabia?
Uma ave pode ser descrita pela ciência quando já desapareceu. Segundo a tabela de espécies extintas do Livro Vermelho do ICMBio (2018), o gritador-do-nordeste, Cichlocolaptes mazarbarnetti, foi descrito em 2014 e já aparece na tabela como extinto.
O que ameaça as aves
O Livro Vermelho (2018) mostra que, no Brasil, as principais ameaças à fauna são a perda e a degradação dos ambientes e a retirada de animais da natureza. Sobre as aves, o livro destaca:
- a caça, feita principalmente para consumo, sobretudo de mamíferos e aves;
- a captura para o tráfico, citada para alguns psitacídeos da Caatinga;
- o avanço da agropecuária no arco do desmatamento, no leste e no sul da Amazônia, região com muitas espécies endêmicas, “especialmente de aves”;
- as hidrelétricas, que afetam algumas aves, em especial as que precisam de várzeas.
As fichas das aves do site mostram essas ameaças de perto: a caça e a perda da mata acabaram com o mutum-de-alagoas na natureza; a harpia perde floresta e ninhos para o desmatamento e a exploração de madeira; e a arara-azul-de-lear sofre com a redução da palmeira licuri e com o tráfico.
O site explica a migração das aves em Migração de aves.
Resumo: principais perguntas e respostas
Segundo a lista do Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos (CBRO) de 2021, 1.971 espécies com registro documentado. O Livro Vermelho do ICMBio (2018) avaliou 1.979 táxons, contando algumas subespécies.
293 espécies são endêmicas do Brasil, segundo o CBRO (2021). O país é o terceiro do mundo em taxa de endemismo de aves.
Na lista nacional de 2026 (Portaria MMA 1.704), 242 aves: 1 Extinta na Natureza, 32 criticamente em perigo, 77 Em Perigo e 132 Vulneráveis. Outras seis aparecem na lista de espécies extintas.
Fontes
- Pacheco, J. F. e outros. Annotated checklist of the birds of Brazil by the Brazilian Ornithological Records Committee, second edition. Ornithology Research, 29, 2021.
- ICMBio. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, volume I. Brasília, 2018. p. 43, 55, 56, 63, 64 e 69–70.
- ICMBio. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, volume III, Aves. Brasília, 2018. Fichas de Pauxi mitu (p. 58–60), Harpia harpyja (p. 124–127) e Anodorhynchus leari (p. 250–254).
- Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026. Anexos I e II.
O tema completo, reunido na vitrine Enciclopédia da Fauna Brasileira →
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